Colírio
O equilíbrio
do colibri
sem delírio,
de lírio em lírio
e livre de qualquer dor
brilha como um colírio
e lubrifica
os olhos do lavrador
que lavra
a palavra terra
e delira,
sonhando um dia
poder voar
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e beijar a flor…
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De Jota Ninos, jornalista e poeta santareno.
Boa combinação melódica a sequência aguda do sonoro /i/. Sugestivo, diga-se! Entretanto, o recurso sugere sempre rigidez, frieza, o que é um contraponto à cena, ao sonho e à leveza.
Solano, o Jota Ninos sabe trabalhar muito bem o lado sonoro de um poema. É, talvez, a maior qualidade dele como poeta. No poema em questão, acho o penúltimo verso (“pode voar”) desnecessário. O seguinte se encarregaria de nos transportar pra esse sentido, numa metáfora mais ampliada.