
Quando se fala em campeões do Festival Folclórico de Alenquer (PA), o que vem à cabeça são apenas os grupos Zé Matuto e Matutando em Férias, o que é compreensível, já que foram eles que inauguraram o formato atual do evento, que teve como modelo o Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas.
O primeiro festival folclórico, realizado em dezembro de 1985 na praça Eloy Simões, foi apenas um evento amistoso e, ao que se sabe, não teve nenhuma disputa. O segundo festival, de 1988, por sua vez, foi um verdadeiro concurso, o primeiro realizado no Xeque-Matte pela folclorista Dionor Monteiro.
❒ Leia também sobre esse evento: Do Xeque-Matte ao Gantuss, passado pela AABB e matutódrono: o errante Festival Folclórico de Alenquer.
❒ E mais: Festival Folclórico de Alenquer: palcos e berço da rivalidade Zé Matuto e Matutando em Férias.
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Nesse evento apresentaram-se vários grupos de dança. É importante destacar que nessa época ainda não existiam nem Zé Matuto e nem Matutando em Férias.
Quadrilhas Maluca e Vale Tudo
O representante do bairro luandense era a intitulada Quadrilha Maluca, devida a sua forma diferente de dançar, e o representante do bairro Aningal era quadrilha Vale Tudo, que tinha como referência a novela das 8h da TV Globo, escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, transmitida entre 1988 e 1989.
O festival de quadrilhas de 1988 foi vencido pela Vale Tudo, que, conforme a síntese Festa dos Matutos, escrita pelo professor Wildson Queiroz, estimulou o surgimento de outro grupo de quadrilha no bairro: Matutando em Férias.
❒ Símbolo do folclore ximango: Matuto, o protagonista do Festival Folclórico de Alenquer
Conforme relatos dos primeiros brincantes, o nome “Matutando em Férias” surgiu porque era formado por alenquerenses que estudavam em outras cidades, como Santarém e Belém, e que nas férias se reuniam para formar o grupo.
Quadrilha Maluca foi quem deu origem ao Zé Matuto. O nome “Zé Matuto”, ainda segundo Wildson Queiroz, foi inspirado na música “Deixa a tanga voar”, composta por Luiz Gonzaga e que tem como primeiro verso da letra “Zé Matuto foi à praia”.
Rei dos títulos de campeão
Zé Matuto é conhecido por possuir o maior número de títulos da disputa folclórica, com quatro conquistas, vencendo nos anos de 1989, estreando no Xeque-Matte; 1990, quando foi a primeira disputa apenas entre os dois grupos principais; em 1991, no primeiro festival promovido pela prefeitura municipal na quadra da AABB, e no raro empate com o rival em 2000.
Matutando em Férias conquistou seu primeiro título em 1994, no último festival realizado na quadra da AABB e em 2000, quando dividiu o título com Zé Matuto na primeira e única disputa realizada no memorável matutódromo, que anos depois teria as suas estruturas de madeira abaladas e, por isso, foi desmontado.
O Festival Folclórico de Alenquer foi realizado sem acordo entre os dois grupos para disputas nos anos de 1993, 1998, 1999 e 2001. Nos anos de 2015 e 2016, Zé Matuto e Matutando em Férias se reuniram para apresentações amistosas, assim como no ano de 2023, quando a gestão do prefeito Tom Silva realizou o chamado “resgate do festival”, na avenida Santos Dumont, com os dois grupos revivendo os tempos áureos do evento.

O polêmico título de 2024
Ao todo, Matutando em Férias somaria 2 títulos, mas no dia 19 de abril de 2025 a agremiação fez em suas redes sociais uma publicação afirmando “Matutando em Férias, o rei do folclore, rumo ao tetra”, referindo-se ao Festival Folclórico de 2024, que seria o retorno da disputa das agremiações, mas que o Zé Matuto, sem entrar em acordo, não participou.
O Matutando se apresentou, inaugurando o Centro de Evento Ione Gantuss, declarando-se tricampeão por WxO, conforme o que havia sido acordado assinado em ata em uma reunião feita com a prefeitura e com os dois grupos, embora o rival não concorde com a existência desse título.
Dessa forma, o Matutando em Férias possui 3 títulos.
Fonte:
- Arquivo do Museu da Cidade de Alenquer (MCA)
- Festa dos Matutos: Síntese histórica do Festival Folclórico de Alenquer (Wildson Queiroz – Alenquer: edição do autor, 2017)
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