UFOPA qualifica mais de 1.700 professores

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Fotos: Lenne Santos
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por Lenne Santos (*)

Maria Eli Moreira

Pele queimada pelo sol, cabelos descoloridos pela ação do tempo. Olhos grudados na explanação. A professora Maria Eli Moreira Dias, 60 anos, assiste atenta às aulas da etapa presencial do Plano de Formação dos Professores da Educação Básica (PARFOR) realizadas nos dias 28 e 29 de agosto no auditório Wilson Fonseca da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA).

Com 25 anos de profissão, ela desistiu da aposentadoria para realizar “um sonho”: conseguir o “diploma de nível superior”.

“Sempre quis estudar numa universidade, mas nunca tive oportunidade. Agora, quero conseguir essa graduação em História e Geografia. Já estava organizando os papéis para minha aposentadoria, mas quando soube da seleção para este programa, desisti na hora. Quero me aposentar com uma remuneração melhor”, afirma a professora de Ensino Religioso da Escola São José – Rio Curuá-Una.

O PARFOR é um programa do Governo Federal que oferta qualificação a professores da educação básica que ainda não possuem graduação ou atuam fora de sua área de formação.

Na região oeste do Pará, o programa é coordenado pela UFOPA e ministra aulas em 7 cidades, nas quais a universidade está presente. Nesta segunda etapa de formação os professores estão tendo aulas, simultaneamente, em Alenquer, Itaituba, Juruti, Monte Alegre, Óbidos, Oriximiná e Santarém.

A coordenadora o PARFOR/Santarém, professora Edinéia Carvalho, explica que até dezembro os participantes terão um encontro presencial a cada mês, e janeiro e julho participarão de aulas durante o mês inteiro. O projeto tem 1752 inscritos. Nesta etapa assistiram a aulas de Língua Portuguesa, ministrada pelo professor Jorge França (UFOPA), que abordou a produção textual, e Evolução do Conhecimento Humano, ministrada pelo professor Décio Pena Duarte.

Maria José Batista da Silva, 43, leciona na zona rural de Medicilândia desde 1986. Ela também busca qualificação.

“Quero conseguir o diploma para passar a lecionar as disciplinas de Matemática e Física e deixar de lado o Ensino Religioso e a Educação Física”. Ela viajou quase 600 quilômetros para chegar a Santarém. “Não me importo com a distância. Quero uma oportunidade de estudar”.

A professora Joseane da Silva, 30 anos de idade e há um ano trabalhando como professora de uma creche no bairro da Interventoria, é mais uma das beneficiadas pelos cursos ofertados pelo PARFOR. Ela assiste à aula ao lado do filho de 5 anos. Enquanto ela presta atenção às explicações, o garoto brinca no computador portátil. “Essa foi a forma que encontrei para deixá-lo quieto. Não quero perder nenhuma etapa do projeto e não vou desistir”, disse ela, que tenta uma graduação em Pedagogia.

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* Jornalista, é assessora de comunicação da UFOPA.


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4 Responses to UFOPA qualifica mais de 1.700 professores

  • “Tudo vale a pena se a alma não é pequena.” Parabéns a todos que ousaram voltar aos ‘bancos escolares’. Este será não somente mais um momento único em suas vidas, mas, talvez, o mais marcante de todos, o mais especial. Não discordo que politicamente estejamos mal assessorados por gestores fajutos e, ludibriados, por sindicalistas e advogados aproveitadores, mas a luta deve permanecer e o grito dos oprimidos não deve calar-se.

  • São três mil, ou ao infinito, em se tratando de mais de mil e 700. Ou cinco mil, pois são mais de mil e 700. Pura implicância, Jeso.

  • Essa professora vai ter que ralar muito e… Na verdade o salário não melhorará quase nada. Primeiro porque depois que ela se formar, vai ter que ficar mais 5 anos na função como nível superior, para poder agregar tempo de serviço. Outro, será que vale a pena um professor depois de 30 anos de serviço ou 25 anos para mulher permanecer em sala de aula???

    Se for aqui em almeirim, a coisa piora bastante, já que a administração pública não cumpre o Estatuto Municipal dos funcionários, que manda pagar 80% de gratificação de nível superior e o Prefeito mandou aprovar no PCCR, apenas 30%, qual é a lei que manda mais. E o Sintepp local, parece mudo e surdo. Também com o advogado que arrumaram pra nos defender pelo Oeste do Pará ninguém merece.

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