Dívida de empréstimo consignado não encerra com a morte do servidor, diz STJ, consignado

A Terceira Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu que o contrato de empréstimo consignado, que é pago por meio de descontos feitos diretamente na folha, não termina com a morte do trabalhador ou do aposentado que fez a dívida, informa a Folha de S. Paulo.

Portanto, segundo o jornal, a obrigação de fazer o pagamento é transferida ao espólio, quando ainda não houver a partilha, ou aos herdeiros. A dívida herdada fica limitada ao que foi deixado por quem morreu.

Na ação analisada, três herdeiros recorreram ao STJ depois que o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul atendeu ao pedido do banco e determinou que os filhos respondessem pelo débito.

A mãe deles era servidora pública.

À UNANIMIDADE

Os herdeiros alegaram que a cobrança violava uma lei da década de 1950, segundo a qual esse tipo de dívida era extinta quando aquele que a contratou morria.

Por unanimidade, os ministros da Terceira Turma do STJ entenderam, porém, que uma outra lei, publicada em 1990, anulava esse dispositivo e substituía o entendimento anterior.

Como tratavam, em alguns trechos, do mesmo assunto, a ministra-relatora, Nancy Andrighi, considerou que houve a revogação indireta dessa previsão de extinção.

Além disso, a relatora do recurso disse, no acórdão, ter aplicado a lei 10.820 de 2003, que regula os empréstimos consignados de trabalhadores com contratos pela CLT (Consolidação de Leis do Trabalho) e de aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Ainda que tenha sido analisado, no recurso apresentado pelo banco, se a mãe era servidora celetista ou estatutária, Nancy Andrighi disse, no relatório, que “sob qualquer ângulo que se analise a controvérsia”, a única conclusão possível era que a lei prevendo a extinção de dívida em razão da morte do consignante não está em vigor.

IMPENHORÁVEL

Os herdeiros também tentaram barrar a penhora da casa deixada pela mãe. Sob alegação de ser o imóvel da família, a relatora considerou que a impenhorabilidade atinge somente o imóvel no qual moram, não impedindo “outros bens respondam pela dívida”.

O advogado Rômulo Saraiva disse que havia entendimento que, mesmo se o espólio tivesse dinheiro, a dívida era declarada como nula.

“A pessoa, se entrasse com a ação na Justiça, se livrava da dívida. E o STJ ainda confirmava. Tem várias decisões do tribunal superior assim. Mas agora o STJ deu uma virada de mesa”, afirmou.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) informou que a extinção ou não da dívida, em caso de morte do consignante, varia de acordo com o contrato firmado entre o banco e o cliente.

“No entanto, de forma geral, as instituições financeiras seguem o Código Civil, segundo o qual a morte de quem contrata o consignado não extingue a dívida, que deverá ser paga com o espólio”, informou.

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3 Comentários em: Dívida de empréstimo consignado não encerra com a morte do servidor, diz STJ

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  • J. Pau nos políticos disse:

    No caso de empréstimo bancário é só pagar o seguro. Agora, essa historia dos parentes (filhos) terem que pagar o debito não está correta se eles não assinaram nada como fiadores e possuem direitos sobre pelo menos parte do que herdariam. Essas nossas leis são um monte de porcaria mesmo auê só beneficia os poderosos.

    1. Jeso Carneiro disse:

      O poder dos banqueiros neste país é incomensurável. São eles que mandam e desmandam por aqui. Inequivocadamente.

  • Pedro disse:

    Mais um indicado pelo Henderson Pinto consta como indiciadopela justiça do Estado do Pará. Agora coronel anthenor nomeado como coordenador da área de segurança. Conforme processo 0016192-04.2015.8.14.0200