Globo expõe mais detalhes de supostos abusos sexuais cometidos por arcebispo de Belém

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Globo expõe mais detalhes de supostos abusos sexuais cometidos por arcebispo de Belém
Dom Alberto Taveira, arcebispo metropolitano de Belém: matéria no Fantástico, da TV Globo. Foto: O Liberal

A polêmica envolvendo denúncias de abusos sexuais supostamente praticados pelo arcebispo metropolitano de Belém, dom Alberto Taveira Corrêa, durante o exercício do cargo na capital paraense ganhou mais um capítulo. Desta vez na Globo, informa O Liberal.

Na noite deste domingo (3), segundo o jornal paraense, o programa “Fantástico”, da TV Globo, exibiu reportagem especial sobre o caso, com mais detalhes e relatos sobre os crimes que teriam sido cometidos pelo líder religioso contra integrantes do Seminário São Pio X, em Ananindeua, com idade entre 15 e 18 anos.

 

A matéria expôs detalhes das denúncias contra o sacerdote enviadas ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). 

De famílias religiosas e humildes, os ex-seminaristas revelaram que os tradicionais encontros entre os jovens aspirantes a padres e dom Alberto também ocorriam na casa do líder religioso – ambiente apontado como o local em que ocorriam os crimes. 

Entre o fim de outubro e novembro de 2019, o Fantástico ouviu detalhes sobre o que ocorriam nos encontros privados.

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Segundo a reportagem, dom Alberto recebia os jovens em três lugares: na capela, onde a conversa era sobre vocação religiosa; na sala, onde o foco era família e estudos e no quarto do arcebispo, geralmente ao fim do dia, onde a temática girava em torno de intimidades. 

As vítimas contam que os diálogos de teor sexual envolviam perguntas sobre masturbação, orientação sexual e até a medida do pênis ereto dos jovens.

“Ele me tocou”, revelou seminarista à Globo

Nomeados com iniciais sem relação com nomes reais, o jovem identificado apenas como “C” contou que tinha apenas 15 anos quando conheceu Taveira.

“Era sempre sobre sexualidade. O primeiro ponto que ele sempre tocava era masturbação. Era sobre toque, se eu sentia desejo, por quem eu sentia desejo”, relatou.

Foi em meio a uma destas conversas que o primeiro abuso ocorreu, relatou o jovem. 

“Quando ele tocou, na minha parte íntima, e disse que aquilo ali era normal, coisa de homem. Mas, assim, eu não via maldade porque eu confiei muito, por ele ser uma autoridade. Também não tinha experiência. Mas aquilo já foi se tornando permanente e já mais agressivo. Ele já me recebia na porta e já ia logo pegando”, lembra.

“Comigo foram dois anos, em média, de três em três meses”, detalhou C, sobre a frequência dos abusos.

 

Em um relato parecido à TV Globo, outra vítima, identificada apenas como X, conta que conheceu o líder religioso quando ainda era coroinha e o primeiro contato já teria causado estranheza.

“É uma conversa que vai fluindo em diversos assuntos e ele acaba se você namora, se já namorou, se tem atração por meninas ou meninos. Embora a gente se sinta estranho, a gente acaba respondendo de forma bem assim, objetiva”, declarou.

Os crimes de assédio moral e sexual teriam ocorrido entre 2010 e 2014, apontaram ainda as vítimas. 

Defesa do arcebispo

Responsável pela defesa arcebispo, o advogado Roberto Lauria declarou que seu cliente ainda não foi ouvido pela Polícia e nem pelo MPPA, mas que está à disposição.

“A primeira coisa a ser dita é a negativa e o repúdio à essa denúncia. Todo católico paraense conhece a lisura, a honestidade, a honradez com que se porta dom Alberto, que doou meio século de vida à igreja católica”, iniciou.

“Nós vamos provar ao final desse inquérito que diferente do que se pensa, os denunciantes não são quatro pessoas isoladas. São um grupo de pessoas que têm um profundo recalque, um profundo sentimento de vingança por dom Alberto. E por que esse sentimento? Justamente pela grande característica da gestão de dom Alberto, que é uma gestão austera. Pessoas foram afastadas do seminário porque comportamento incompatível com a vida religiosa”, afirmou.

 

Após a repercussão do caso, Taveira recebeu apoio de grandes nomes do mundo católico, como o padre Fábio de Melo e o padre Marcelo Rossi, que manifestaram publicamente, por meio de vídeos, apoio ao líder religioso.

Além deles, o próprio Seminário Maior São Pio X, epicentro da polêmica, também publicou uma nota manifestando “claras desaprovação às injúrias e difamações investidas” contra o arcebispo de Belém. Já a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil disse que acompanha o “percurso doloroso” com “orações e fraterna amizade”.

No último dia 23 de dezembro, trinta e sete entidades divulgaram uma nota pública manifestando apoio às investigações que apuram acusações de abuso sexual praticadas pelo arcebispo.

Horas antes da reportagem televisiva ser veiculada, a Arquidiocese de Belém publicou uma nota em que ressaltou a “certeza e a confiança de que, ao final, prevalecerá a verdade”. O comunicado disse ainda que, “devido ao sigilo imposto e em respeito às leis, não pode divulgar mais informações” e pediu que a comunidade de fiéis continue a rezar pela Igreja. Em nenhum momento, entretanto, a entidade religiosa citou a reportagem do Fantástico.

Leia a nota na íntegra: 

“A Arquidiocese de Belém reitera ao povo de Deus, com transparência e serenidade, que está acompanhando as investigações em curso, com a certeza e a confiança de que, ao final, prevalecerá a verdade. Informa ainda que, devido ao sigilo imposto e em respeito às leis, não pode divulgar mais informações. Este é o momento de renovar o nosso senso de comunhão e solidariedade, porque, como disse o Apóstolo, referindo-se à Igreja, ‘quando um membro sofre, todos os membros participam do seu sofrimento; se um membro é honrado, todos os membros participam de sua alegria’ (1Cor 12, 26).

Com informações de O Liberal


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4 Comentários em Globo expõe mais detalhes de supostos abusos sexuais cometidos por arcebispo de Belém

  • O que está acontecendo com a igreja católica? CNBB vota pela liberação de visita íntima de menores presos. Muitas manifestações políticas por partes de bispos, arcebispos, padres. Missa agora é pra destilar ódio de governos. Parece até que estão insatisfeitos politicamente. Mandaram um “arcebispo” pra Santarém. Santarém agora é uma “arquidiocese” o que foi mesmo o “SINODO DA AMAZÔNIA”? Força, Católicos! Tem gente estranha infiltrada. Famílias CUIDADO!!!!!

  • Deve ser investigado, porém já foi julgado culpado pela opinião pública. Isso acho errado também.

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