Publicado em por em Justiça, Monte Alegre

O MPF também pede que o município comprove que os recursos do Fundef – sucessor do Fundeb – estão sendo destinados integralmente à educação

MPF quer que Monte Alegre comprove que não usou verbas da educação para pagar advogados

O Ministério Público Federal (MPF) pediu este mês à Justiça que o município de Monte Alegre, no oeste do Pará, seja obrigado a comprovar o cumprimento de sentença de fevereiro deste ano que proibiu a prefeitura de utilizar recursos de fundos federais da educação para o pagamento de honorários advocatícios ou para qualquer outra despesa que não seja investimento direto na educação do município.

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O pedido do MPF à Justiça é que o município seja intimado a comprovar que não usou recursos do Fundef (Fundo de Manutenção e de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério) nem do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação),para o pagamento de advogados em processo judicial que resultou em um repasse de R$ 134,8 milhões desses fundos ao município.

O MPF também pede que o município comprove que os recursos do Fundef – sucessor do Fundeb – estão sendo destinados integralmente à educação. No pedido de cumprimento de sentença, o MPF pede que a Justiça estabeleça prazo de 15 dias para que a gestão municipal comprove que cumpriu a determinação judicial. Em caso de descumprimento da sentença, o MPF pede a aplicação de multa de R$ 1 mil por dia de desobediência.

Desde 2015, decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) impôs à União a obrigação de pagar R$ 90 bilhões para mais de 3,8 mil municípios brasileiros. A dívida é fruto de um erro no cálculo do valor mínimo anual por aluno repassado aos municípios por meio do Fundef.

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A ação recebida pelo TRF3 foi proposta pelo MPF em 1999 e diz respeito à complementação de valores pagos pelo Fundef entre 1998 e 2006.

Mesmo que tenha sido uma decisão definitiva – a chamada decisão transitada em julgado –, vários municípios pelo país contrataram escritórios de advocacia para viabilizar o recebimento dos recursos. Em alguns casos, esses contratos repassam aos advogados até 30% do valor a ser recebido pelo município.

Nesse contexto, o MPF segue acompanhando a destinação do dinheiro e fiscalizando seu investimento para garantir a integral aplicação dos precatórios do Fundef na manutenção e no desenvolvimento da educação básica – como prevê a Constituição Federal.

Mais informações sobre o tema foram reunidas pelo MPF em uma página especial sobre o caso Fundef.


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