"Uma saudade de bubuia- um ano sem o poeta"
por Lila Bemerguy (*)
Emir tinha o hábito de gravar em fita cassete. Músicas, eventos, tudo devidamente datado e identificado. Neste áudio, antes de cantar, Emir conta fato que se deu no ano de 1967: Farto da vida boêmia, certa vez Expedito Toscano, já falecido, pediu a Emir que fizesse uma letra para que ele se despedisse das serenatas.
Emir Bemerguy ao lado do maestro Isoca (Wilson Fonseca), de terno, com amigos numa seresta em Santarém
Foi logo atendido pelo poeta, e a letra da valsa foi musicada pelo maestro Wilson Fonseca, aqui cantada por Emir, ao violão. A letra termina com a despedida do boêmio: “Num acorde derradeiro/ diz o velho seresteiro: – Adeus! adeus, violão!…”
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Na gravação deixada por Emir, ele continua a história: Meses depois foi novamente procurado por Expedito, que confessou estar com “uma tremenda saudade das serenatas”. E pediu que Emir fizesse outra letra falando da saudade que seresteiros sentem da boêmia.
Prontamente atendido.
Expedito recebeu a letra, também musicada por Isoca, aqui cantada por Emir, que diz: “Abandonei de vez a boemia/ porém revelo, em confidência honesta: Sinto em minh’alma, ouvindo a melodia/ uma saudade imensa da seresta!…”
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* Jornalista, é santarena e filha do poeta Emir Bemerguy.
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Amar Berenice com fervor dos fanáticos.
Jeso, o tempo volta em nossa mente. É como se estivesse vendo hoje meu pai em sua cadeira de embalo, ao violão, com sua voz forte e afinada, entoando esta e outras belas canções. Uma lágrima teimosa teima em escorrer dos olhos. Lindo.