Publicado em por em Obituário, Santarém

Mário Humberto da Silva Bezerra (01/11/1946 a 10/10/2021)

Professor e parceirão, ensinou à família e amigos que na vida não cabe desistência
Mário Bezerra “Sarapó” e os seus 3 netos – Otto, Paulo e Reynaldo. Foto: Arquivo familiar

O professor Mário Humberto da Silva Bezerra, o Mário Sarapó, era um homem-ilha: cercado de laços resistentes com a família e amigos por todos os lados. A eles, transmitia a lição de matemática que considerava mais importante para a vida: não desistir jamais, apesar dos desafios e obstáculos que ela impõe a todos.

Foi com esse espírito indômito que, em dezembro de 2015, teve que se reinventar por ter que amputar a perna direita na luta que travava contra um câncer. Encarou o problema para evitar que a doença se alastrasse por outros órgãos do corpo.

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Amputado, adaptou-se à nova vida com velocidade impressionante. Ainda que para isso tenha deixado para o passado as peladas de futebol às sextas no campo do Sesi (Serviço Social da Indústria),na avenida Curuá-Una. Os jogos de dominó e baralho com os amigos e vizinhos, a cerveja gelada e a paixão pelo Botafogo, contudo, permaneceram inalteráveis.

Paixão similar pelo Glorioso do Rio de Janeiro só em casa, de mais de 40 anos, pela esposa (e também professora) Maria das Graças Porto Freitas, que lhe deu 3 filhas – Ynglea, 48 anos, bióloga, Greice Jurema, 47, pedagoga, e Ynglandina, 37, farmacêutica.

“Somos 3 filhas do coração, pois papai não teve filhos biológicos, mas nos criou com muito amor e dedicação. Papai era muito parceiro das filhas e dos genros, e de todos que a ele se dirigissem pedindo alguma ajuda. Amizade e companheirismo eram os traços de sua personalidade que mais chamavam atenção de quem o conhecia. Ele sempre estava pronto a ajudar, nunca dizia ‘não posso'”, afirma a bióloga e professora da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará) Ynglea Georgina Goch.

Para a jornalista Rogéria Almeida, amicíssima da família, Mário Sarapó, que ela considerava como tio, também teve a sua vida dividida em AC e DC – Antes do Câncer e Depois do Câncer.

“Antes da doença, a alegria ímpar dele, que trazia sempre a gargalhada fácil e a positividade à reboque. Depois, a resiliência. E não porque é uma expressão da moda. Tio Mário perdeu uma perna e para uma ativo, prestativo e agitado foi um baque, mas ele se reinventou. Aprendeu a dirigir em pouco tempo e voltou a fazer tudo que sempre fazia antes da amputação. Era lindo de se ver”.

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Aos netos Otto, 15 anos, Paulo, 8, e Reynaldo, 5, o professor complementava a lição de desafiar a vida, enfatizando a importância do estudo e a busca incessante por aprender mais e mais. Sempre mais.

Hoje (25),às 19h30, será realizada a missa de sétimo dia de falecimento de Sarapó, apelido herdado do avô, assim chamado por gostar de um peixe que há na região com esse nome. A celebração ocorrerá na igreja Cristo Libertador, bairro Interventoria.


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