Um outro ângulo: feminino versus feminismo. Por Célia Carneiro

Caro Jeso, eu já esperava esse tipo de reação à minha fala. Que aliás, não tinha a pretensão de se tornar um tratado ou uma historiografia sobre o movimento feminista.

Estava mais para um desabafo mesmo. As acusações e comentários “fofos” a meu respeito demonstram claramente o que no meu artigo defendi: o movimento feminista arroga para si o monopólio das conquistas dos direitos civis que as mulheres desfrutam hoje. Mas, isso não é verdade.

Ademais, outras coisas ficaram bem perceptíveis: o baixo nível de educação de grande parte dos militantes e como desconhecem a realidade do próprio movimento que eles defendem.

Célia Carneiro *

Durante os últimos dias recebi mensagens de apoio e solidariedade, inclusive de pessoas que militam no feminismo e discordam de mim, mas que foram especialmente gentis ao defender meu direito de falar. Outras, se sentiram representadas, mas preferem o anonimato por conta do patrulhamento ideológico de plantão.

É, por essas últimas e por mim, que sigo escrevendo. Mas, quero esclarecer: não sou autoridade constituída em seus nomes. Minha fala não tem assinatura coletiva.

Nos comentários das redes sociais fui acusada de ter distorcido a teoria de Marx (sic). Ele não precisou desse favor da minha parte. Ela já veio com defeito de fábrica: não deu certo em nenhum lugar onde foi implantada. Está aí o saldo macabro que os regimes marxistas deixaram: o assassinato, de aproximadamente, 110 milhões de pessoas entre 1917 e 1987.

 

É por isso que temo as ideologias. Elas chegam prometendo o paraíso na terra, a perfeição do homem e da sociedade e acabaram transformando boa parte do século XX em um inferno terrestre.

Outra acusação que me foi imputada foi a de desmerecer as conquistas do movimento feminista, mas aí eu vou precisar colocar essa conta nas costas da Simone de Beauvoir. Foi a própria expoente do movimento, em seu livro O Segundo Sexo, que afirmou: “Os proletários fizeram a revolução na Rússia, os negros no Haiti, os indo-chineses bateram-se na Indo-China: a ação das mulheres nunca passou de uma agitação simbólica; só ganharam o que os homens concordaram em lhes conceder”.

Ou seja, na fala dela, passeata e muito barulho não garantiram conquista de direito nenhum, mas que estes foram uma prerrogativa de concessão absolutamente masculina.

Responderei apenas aos comentários que considero pertinentes ao debate, que ganhou eco, através do blog. Agora, quanto aos ataques pessoais, jamais serão respondidos. A não ser que firam duas coisas: a minha dignidade ou a minha honra. Mas, para isso tenho as letras do código civil.

Estou aqui desde que a internet ainda era mato e paredões de fuzilamento virtual não me metem medo. Também não tenho problema nenhum de autoestima: tapinhas nas costas dizendo que estou certa ou errada em comentários de rede social, número de curtidas ou de seguidores não são os medidores da minha consciência.

Meu padrão moral é outro. E usando o próprio chavão daqui do lugar, eu digo: “mas, muitos não estão preparados para essa conversa”.

Voltemos ao feminismo. Sim, volto a repetir com megafone a postos: o feminismo não defende o direito de todas as mulheres (só de algumas!). E muitas de nós sequer temos noção disso. Eu também não tinha. E devo confessar, já fui até simpatizante da causa.

Isso acontece, principalmente, porque desconhecemos os referenciais teóricos do movimento. Quem os conhece sabe que são verdadeiros acintes à essência feminina.

Agora vou colocar na tua conta (risos), sim, sobrou pra tua classe (muitos risos!): não sabemos destes escritos porque grande parte da mídia, do ambiente acadêmico e cultural progressista promove uma verdadeira desinformação ao omitir do grande público a radicalidade e o extremismo das teorias clássicas desse movimento e que norteiam o “modus operandis” dos seus militantes.

 

Talvez seja por isso que eu esteja por aqui. Pra conversar sobre esse assunto mostrando um outro ângulo, um ponto de vista feminino e não feminista. O movimento tem muitos desdobramentos e fases. Não dá para falar com pormenores em um único texto, por isso fui tão generalizante no primeiro e até fui tachada de “pires raso”.

Eu quero falar do tema de maneira leve e serena sem espuma de ódio escorrendo pela boca, como muitos o fazem. Não estou aqui pra convencer ninguém. Quem não se sentir bem com minha fala é só fechar a janela de navegação do computador ou do celular e seguir em frente. E está tudo bem.

Eu sei que causei maior alvoroço ao citar a frase atribuída ao Papa João Paulo II, que “a máquina de lavar fez mais pela mulheres que o feminino”. E eu continuo endossando a sua fala.

As inovações tecnológicas permitiram abreviar o tempo dedicado às tarefas domésticas e muitas mulheres utilizaram ele de maneira produtiva: lendo, escrevendo, estudando, trabalhando, pesquisando, criando os filhos, rezando, e fazendo aquilo que sabemos fazer de melhor: sendo efetivamente, mulheres! Porque nascemos assim, num determinismo biológico que nenhuma engenharia social pode renegar.

Falarei aqui dos homens também. Esse assunto é tão polarizado que é impossível não colocar vocês no meio dessa conversa. Mas já prevejo, num futuro bem próximo, ser alvejada como “defensora de machos”.

A verdade é que eu gosto sim do sexo oposto. Principalmente, quando ele é representado pelas verdadeiras espécies: másculos, inteligentes, sensíveis e protetores. A esses devotarei parte do meu tempo para defendê-los, sim! E mostrar que a violência física que alguns homens praticam é tão equivalente e perniciosa quanto a tirania psicológica que muitas mulheres exercem.

 

Ou essa galera do “mais amor por favor” acha mesmo que só existe mulheres boazinhas povoando a terra? Só se for no reino encantado dos Ursinhos Carinhosos, porque aqui na vida real a coisa não funciona bem assim.

E quantos aos canalhas? Bom, eles sempre existirão. A eles: a força da lei e de um bom braço. Lembra que antigamente quando um agressor se instalava no seio familiar tínhamos a disposição irmãos, tios e primos prontos a nos defender? Então, hoje com o politicamente correto e a máxima “briga de marido e mulher não se coloca a colher” muitos estão se proliferando por aí.


— * Célia Ilma Carneiro, santarena, é historiadora, conservadora, cristã e não feminista. Mora em Florianópolis (SC).

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