A falta de compromisso com quem sustenta o serviço público. Por Ádria Simone Albuquerque

Publicado em por em Monte Alegre, Opinião, Pará, Política, sindicalismo

A falta de compromisso com quem sustenta o serviço público. Por Ádria Simone Albuquerque
Ilustração criada por IA

O caso de Júnior Hage é o retrato do privilégio. Foram cerca de 16 anos de mandato e o resultado foi uma aposentadoria aos 49 anos, recebendo quase R$ 30 mil por mês.

Enquanto isso, o trabalhador de Monte Alegre (PA) acorda cedo, enfrenta dificuldade todos os dias e ainda precisa trabalhar até os 62 ou 65 anos de idade, isso quando consegue se aposentar, depois da reforma da Previdência em 2019.

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E agora quer empurrar o povo para 70 e 75 anos de idade para conseguir se aposentar. É revoltante.

Quem já garantiu aposentadoria milionária cedo não tem moral para exigir sacrifício de quem luta todos os dias para sobreviver.

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O que esse resumo escancara não é só um número — é um retrato da desigualdade e falta de compromisso com quem sustenta o serviço público no dia a dia.

Enquanto se garante uma aposentadoria de quase R$ 30 mil mensais, concedida cedo, com apenas cerca de 20 anos considerados, o que se vê na outra ponta são servidores sendo pressionados, desvalorizados e, muitas vezes, tendo direitos reduzidos ou ameaçados. É um contraste que revolta: de um lado, privilégios; do outro, insegurança.

Não se trata apenas de legalidade — trata-se de moralidade administrativa. Como justificar esse tipo de benefício enquanto trabalhadores enfrentam medo, instabilidade e perda de garantias básicas? A mensagem que passa é clara e perigosa: existem dois pesos e duas medidas dentro do mesmo sistema.

O servidor público, que dedica décadas ao trabalho, muitas vezes adoecendo física e psicologicamente, assiste a esse tipo de situação com um sentimento crescente de injustiça. E isso corrói não só a confiança na gestão, mas o próprio senso.


Ádria Simone Albuquerque é servidora pública municipal de Monte Alegre (PA). Dirige o sindicato da categoria no município.

∎ Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião do JC. A publicação deles obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros, prioritariamente, e de refletir as diversas tendências do pensamentos contemporâneo.

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