
O ano de 1997 foi um ano de grandes transformações para o Sairé, 24 anos depois que o evento foi resgatado na vila balneária de Alter do Chão. Era preciso inovar e fazer com que o evento conquistasse mais público e tivesse mais visibilidade. Percebia-se que o Sairé poderia desaparecer novamente, como aconteceu em 1943. Alguma coisa precisava ser feita para impedir isso.
A Festa do Sairé deste ano será realizada de 18 a 22 deste mês, em Alter do Chão, em Santarém (PA). Será a 52ª celebração do evento profano-religioso de relevância nacional.
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Embora a festa tivesse retornado após longos 30 anos de interrupção, não foi fácil mantê-la firme por muito tempo. O evento religioso estava acontecendo, mas nem todas as pessoas estavam disponíveis para ajudar ou tinham real interesse para trabalhar na organização.
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Primeiras inovações para manter a festa
Quando o Sairé retornou em 1973, alguns elementos novos foram colocados na festa para que tivesse inovação e aceitação de mais público. Alguns personagens foram criados, como procurador, procuradora, capitão e o sargento, por exemplo. A ideia de aumentar o elenco foi aceita e colocada em prática.
Foi nesse retorno também que foram criadas as barraquinhas, para que fossem vendidos iguarias e produtos da vila. Ou seja, assim como os vendedores poderiam ter uma fonte de renda, os visitantes teriam opções a mais durante o passeio. A presença das barraquinhas mostraria um novo e interessante visual do ambiente onde o evento seria realizado.

Mesmo com o retorno da festa, não demorou muito tempo para que surgissem indícios de uma nova decadência. Havia épocas que precisava de gente para interpretar os personagens, mas que nem sempre tinha disponível. Afinal de contas, como seria possível o Sairé sem a existência de um juiz ou de uma juíza de pessoas para carregar os mastros e os símbolos?
Desorganização e dificuldades financeiras
Além disso, as dificuldades financeiras impactavam profundamente na preservação e continuidade da festa. Entre o final da década de 1970 até meados da década de 1980, o Sairé sobrevivia apenas com o exaustivo esforço dos comunitários, que lutavam para que essa tradição não se acabasse.
Nos anos seguintes, a possibilidade do fim – talvez definitivo – do Sairé estava ficando cada vez mais claro. As diretorias da festa não estavam tendo competência para organizá-la. O ápice dessa desorganização foi no ano de 1996, quando muitas situações inapropriadas estavam sendo feitas.
Um dos episódios foi quando uma balsa, denominada Pontão das Águas, onde funcionava bar e restaurante, aportou na frente da vila durante a festa, causando atrito e intriga entre os envolvidos da coordenação e até entre políticos. A Festa do Sairé na época acontecia na praça 7 de Setembro, em frente à igreja de Nossa Senhora da Saúde. Estava ficando inviável o evento acontecer daquela forma.

Nova diretoria e desejo de transformação
Além disso, outras atrações, que não tinham nenhum vínculo com o Sairé, eram realizadas na vila por outras pessoas. Isso chamava a atenção dos visitantes, que se dirigiam para o que era mais atrativo para eles. Para muitas pessoas, o Sairé não era tão interessante como um show musical que era realizado em outro lugar da vila.
Chegando 1997, grupos de pessoas se reuniram para a esperada eleição, com o objetivo de escolher a nova coordenação do Sairé. Essa eleição seria decisiva para o futuro da festa. Cleuton José Wanghan Sardinha (para presidente) e Mauro Luiz Lobato de Vasconcelos (para vice-presidente) encabeçavam a chapa do grupo de pessoas que queria inovação.
A outra chapa, liderada por Laudelino Sardinha, retirou-se e não quis mais disputar. Assim sendo, a chapa que permaneceu, contendo vários professores com interesse de mudança, foi aclamada a vencedora. Desta forma, uma nova liderança transformaria completamente os rumos do Sairé.
A partir daí, muitas mudanças aconteceriam, chegando a causar até mesmo atrito e polêmica entre as pessoas veteranas ou em quem achava que as novidades implantadas acabariam com a essência da festa. Mas certas mudanças foram necessárias para que o Sairé se fortalecesse, até mesmo a implantação de um festival folclórico.

Fonte:
- O Berço do Çairé (livro de Edilberto Ferreira, publicado em 2008);
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