
Homens e mulheres de Alter do Chão realizaram, neste sábado (6), a escolha dos mastros nas matas da vila balneária para a realização do Sairé deste ano. A corte da festa religiosa, formada por personagens, como a saraipora, o juiz, a juíza, o capitão, os mordomos, os alferes, o capitão, entre outros, lideraram as buscam desses importantes símbolos do evento profano-religioso.
Esse importante ritual aconteceu quando as pessoas envolvidas saíram da praia da Gurita (popular praia do Cajueiro) às 8h, seguindo em barcos e bajaras até uma área de mata previamente escolhida, para que fossem extraídos os caules ideais para fazer deles os mastros.
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A coordenação do Sairé informou que o ritual da escolha dos mastros é restrito somente à corte do evento, a alguns moradores da vila, à imprensa que for acompanhar para fazer cobertura e autoridades locais. Por conta disso, não é permitido que qualquer outra pessoa participe.
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Oração e permissão aos encantados
Assim que chegaram à área de mata, todas as pessoas presentes fizeram um círculo de oração, como manda a tradição. Em seguida, apenas membros da corte e da imprensa puderam entrar na mata. Antes de entrarem de fato no local, pediram permissão aos encantados para que pudessem fazer o serviço.
Foi uma caminhada de centenas de metros mata adentro, sempre analisando os caules ideais, como bom formato e que tenha pelo menos 7 metros de comprimento para que fossem extraídos. Homens e mulheres procuraram separadamente, sendo que as mulheres foram as primeiras a encontrar.
Depois que derrubaram os caules, elas carregaram na frente e os homens foram em seguida, levando até certa parte da área de mata, onde ficará por lá durante uma semana para secar. Quando deixaram e marcaram os caules, a corte saiu da mata em procissão, com os juízes levando as bandeiras que representam o Espírito Santo e a saraipora conduziu o arco, que representa a Santíssima Trindade.

Chegando à praia, ainda na área de mata, os membros da corte foram recebidos pelo grupo musical Espanta Cão com cânticos religiosos e regionais. A procissão continuou nas areias da praia, ganhando mais volume com as pessoas que ficaram esperando do lado de fora.
Um fato interessante é que os membros da coordenação do Sairé realizam uma espécie de “batismo” feito nas águas do rio Tapajós com as pessoas que vão pela primeira vez a esse ritual. Depois disso, finalizaram com uma confraternização, ao sabor de piracaia e ritmo de danças e cantorias.




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