Catebreu, paixão por livros nos confins da Amazônia
por Ericson Aires (*)
Se fôssemos numerar os seres encantados desta Amazônia, Catebreu, sem dúvida, figuraria entre os primeiros da lista.
Lenda viva do Lago Grande, morador de Curuai, apaixonado por livros e pelas linhas imaginárias que estes lhes leva a percorrer.
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Assina a criação da única biblioteca comunitária do lago. Um herói quixotesco. O guardião de um templo onde ele reina absoluto, sozinho, nos confins de uma Amazônia que ninguém quer ver.
Um sonhador, nãos menos inspirador.
Acredita no suporte “livro de papel” como fonte ideal para a transmissão do conhecimento, mas nem por isso se deixa desencantar com as histórias fantásticas desta Amazônia perdida.
Na sua humildade, disse a mim que não sabia ler nem escrever. Acho pouco provável.
Mas isso tão pouco importa, pois ele tem o dom nobre de ler o vento, a terra, o céu, os olhos, o silêncio, o comportamento – lendo vidas! E isso não é pra qualquer doutor.
Um salve ao Catebreu, um herói invisível, desse Tapajós invisível!
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* Coordenador da ONG Sebo Porão Cultural.
Caro Jorge, concordo com você. Pela foto podemos perceber que os livros não estão em estantes adequadas. Como podemos ajudar o Catebreu a solucionar esse problema? Abraços.
Seria bom que o Lulanta ( que tem horror a livros ) e a Dilmanta ( que lê mas não os entende ) dessem parte da grana que desviaram para seus bolsos para esse nobre cidadão montar sua biblioteca !!!! esse senhor de agora em diante é o meu herói !!!!!!
Um país se constrói com homens e livros ( Ruy Barbosa ) somos todos Catebreu !!!!
Jonivaldo, parabéns pelo seu depoimento. Um exemplo de meritocracia. Você fez por merecer as suas conquistas. Gostaria de conhecer o Catebreu e dizer-lhe que é um sério candidato a ficar com meu acervo.
Catebreu, meu nobre desconhecido. Não desistas. Graças a pessoas como você gente como eu foi possível. Não que eu não pudesse ter tido uma história, mas certamente ela seria diferente.
Minha genitora, Dona Jovenila, é do Lago Grande. Graças aos livros de gente abnegada como você, que levou, nos idos dos anos cinquenta e sessenta, do século passado, as preciosas páginas dos livros para a este interior do interior, ela, minha mãe pôde sonhar com educação e sonhar em educar seus filhos, por isso mudou-se com meu pai para a cidade. Veio para Santarém criar os filhos. Aqui nasci e inspirado por minha mãe também sonhei com dias melhores inspirado pelas páginas do livros antigos dela e mesmo por livros que achava no lixo.
Graças a gente como você, há gente como eu que no interior do interior do interior da
Amazônia sonha e realiza sonhos, ainda que contra muitas adversidades.
Tornei-me sociólogo, bacharel em direito, fiz pós-graduação, professor, analista judiciário e passei em cinco concursos públicos, tudo e que sou devo ao conhecimento. O conhecimento possibilitou a mim, filho de lavradores da Região do Grande, dialogar nas páginas dos livros e pessoalmente com nomes importantes da intelectualidade contemporânea.
Sabe porque isso foi possível, Catebreu, porque felizmente, existe gente como você.
Obrigado por existir em um país onde as bundas são mais valorizadas que o intelecto.
Parabéns, Jonivaldo, pelo emocionante depoimento.
Bom dia Jeso,
“Analfabeto é o que sabe ler e não lê”, disse o magnifíco Mario Quintana. Catebreu pode não ler as palavras escritas por mãos humanas porém “tem o dom de ler o vento, a terra, o céu, os olhos, o silêncio, o comportamento…e isso não é pra qualquer doutor”. Sei de muitos “doutores”, com seus títulos e diplomas, e jovens universitários que detestam o cheiro de livros, que não sabem ler os sinais dos tempos. Simplesmente encantador. Um verdadeiro quixote dessas plagas. Me deixou emocionado.
Abraços
Catebreu não só sabe ler e escrever como escreve belos poemas. Saudades do Curuai
Preciso conhecer Catebreu. Que bela história de amor pelos livros.