Ranking 2025: saiba quem faz parte do G4, da Sulamericana e Z4 da Câmara de Santarém

Publicado em por em Pará, Política, Santarém

Ranking 2025: saiba que faz parte do G4, da Sulamericana e do Z4 da Câmara de Santarém

No futebol, um gol de bicicleta na final do campeonato vale mais para a história do que cem passes laterais no meio-campo. Na política, a lógica deveria ser a mesma, mas nem sempre é assim que o eleitor e eleitora enxergam.

Para criar a tabela do “Campeonato Brasileiro da Câmara de Vereadores de Santarém 2025”, o JC fez a análise de dados disponibilizados relatórios oficiais do Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL). O objetivo foi superar a análise superficial da “presença em plenário” e medir o impacto real da produção de cada parlamentar.

O JC não tratou todas as proposições como iguais. Um pedido para trocar uma lâmpada (requerimento) não exige o mesmo esforço intelectual ou articulação política que a reescrita de um código tributário (lei complementar).

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Abaixo, revelamos os três pilares estatísticos que definiram quem vai para a “Libertadores” e quem, na parte de baixa da tabela, amarga a “zona de rebaixamento”.

1. O Peso da Caneta: hierarquia das normas

O critério fundamental para definir a Elite (G4) da Câmara foi a complexidade legislativa. Criamos um sistema de pesos onde a qualidade jurídica supera a quantidade burocrática.

  • O “Gol de Placa” (Peso Máximo): Projetos de Emenda à Lei Orgânica (PELO) e Projetos de Lei Complementar (PLC).
    • Essas matérias alteram a estrutura do município. Em 2025, Biga Kalahare (PT) disparou na liderança por ser o único a apresentar 8 Projetos de Lei Complementar, uma produção técnica muito acima da média. Da mesma forma, Alaércio Cardoso (PSD) e Andreo Rasera (PL) pontuaram alto por tocarem na Lei Orgânica, a “Constituição Municipal”.
  • O “Gol de Canela” (Peso Médio): Projetos de Lei Ordinária (PLO) e Fiscalização (PED).
    • É a produção legislativa padrão. David Paiva (REP) e Biga dominaram aqui com cerca de 30 projetos cada, enquanto a média do “meio de tabela” girou em torno de 5 a 10 projetos.
  • O “Passe Lateral” (Peso Mínimo): Requerimentos (REQ) e Indicações (IND).
    • São pedidos administrativos (buracos, luz, ofícios). Valem pontos, mas é preciso centenas deles para igualar o peso de uma única lei complexa.

2. A Síndrome do “Despachante de Luxo”

A análise dos dados revelou um fenômeno curioso no meio da tabela: vereadores que tentam compensar a falta de legislação com um volume industrial de pedidos simples.

O caso mais emblemático é o de Sérgio Pereira (PP). Ele é o recordista absoluto de volume, com 393 requerimentos em 2025. No entanto, produziu apenas 3 projetos de lei. Pelo critério do JC, isso o coloca na “Sul-Americana”: ele trabalha muito, sua em campo (gabinete) intensamente, mas raramente chuta a gol (cria leis).

A Enfª. Alba Leal (MDB) seguiu estratégia similar: acumulou mais de 500 pedidos entre requerimentos e indicações, o que garantiu sua posição alta na tabela pela “força bruta” dos números, mesmo tendo apenas 2 projetos de lei ordinária.

3. O Paradoxo da presença: o caso Erasmo vs. David

O cruzamento dos dados de produção com os dados de assiduidade divulgados no balanço de 2025 gerou as maiores distorções e definiu os extremos da tabela.

Por que Erasmo Maia (União) caiu para a lanterna? Erasmo é o “Árbitro” do campeonato. Os dados mostram que ele é o vereador mais decisivo da Casa, com 100% de presença nas Ordens do Dia. Ele nunca falta na hora de decidir. Contudo, nossa tabela mede produção autoral.

Erasmo apresentou apenas 4 projetos de lei e míseros 20 requerimentos no ano todo. Ele está lá para apitar o jogo dos outros, não para jogar. Estatisticamente, sua produtividade criativa é quase nula, o que o jogou para a zona de rebaixamento, apesar de sua assiduidade exemplar.

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Por que David Paiva (REP) é vice-líder? David é o oposto. É o vereador mais faltoso, comparecendo a apenas 60,76% das votações. Em um critério puramente disciplinar, seria demitido. Mas, quando analisamos o que sai do seu gabinete, ele é uma máquina: 27 Leis Ordinárias, 1 Lei Complementar e 24 Pedidos de Informação. Ele entrega o resultado (leis e fiscalização) sem estar presente no “treino” (sessões), garantindo sua vaga no G4 pela qualidade técnica.

Veredito

A tabela do “Brasileirão Legislativo” da Câmara em 2025 nos ensina que, em Santarém, estar presente não significa estar trabalhando, e produzir muito papel não significa legislar bem.

A elite (Biga, David) legislou sobre a estrutura da cidade. O meio de campo (Murilo, Joziel, Urias) administrou a rotina com requerimentos. E a zona de rebaixamento (Gerlande, Erasmo) limitou-se a ocupar a cadeira, seja por falta de projetos ou por focar apenas na votação alheia.


🏆 GRUPO 1: A ELITE

Vereadores que combinam alta complexidade normativa (Leis Complementares/Emendas à Lei Orgânica) ou volume extraordinário de leis.

1. Biga Kalahare (PT) — “O Chuteira de Ouro”

  • A jogada: Apresentou números avassaladores para um único mandato: 8 Projetos de Lei Complementar (PLC) e 30 Projetos de Lei Ordinária (PLO).
  • Característica: A qualidade técnica. Enquanto a maioria faz pedidos de lâmpada e tapa-buracos, ele reescreve códigos do município.
  • Análise crítica: É o artilheiro isolado do campeonato. Biga não joga para a torcida (tem poucos requerimentos comparado aos outros), joga para o placar (leis aprovadas). Sua assiduidade é mediana (86%), mas com essa produção de gols, ninguém ousa substituí-lo.

2. David Paiva (REP) — “O Craque Problema”

  • A jogada: Uma produção ofensiva de elite com 1 Projeto de Lei Complementar e 27 Projetos de Lei Ordinária, somados a uma fiscalização intensa (24 Pedidos de Informação).
  • Característica: A eficácia do gabinete. Ele é estatisticamente o vereador mais faltoso da Casa (apenas 60,76% de presença nas votações), o que seria motivo de demissão em qualquer outro time.
  • Análise crítica: É o Romário do legislativo: não gosta de treinar (ir às sessões), chega atrasado, mas quando pega na bola (escreve lei), ele resolve. Um “fiscalizador ausente” paradoxal.

3. Alaércio Cardoso (PSD) — “O Capitão Clássico”

  • A jogada: Marcou um “gol de placa” com 1 Projeto de Emenda à Lei Orgânica (PELO) e manteve a regularidade com 18 Leis Ordinárias.
  • Característica: O equilíbrio perfeito. Tem altíssima produção legislativa e é o vice-líder de assiduidade (97,47% de presença).
  • Análise crítica: É o camisa 10 que organiza o time. Não falta aos jogos, propõe mudanças na constituição do município e mantém o ritmo o ano todo. O jogador mais completo do elenco.

4. Andreo Rasera (PL) — “O Estrategista Tático”

  • A jogada: Também emplacou 1 Emenda à Lei Orgânica (PELO) e 12 PLOs, mas se destacou na defesa com 21 Pedidos de Informação.
  • Característica: Faz um jogo estrutural. Focou em alterar a Lei Orgânica e fiscalizar o Executivo.
  • Análise crítica: Rasera joga xadrez enquanto outros jogam damas. Sua produção é cerebral, focada em normas maiores e fiscalização, com ótima presença em campo (91,14%).

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⚽ GRUPO 2: LIBERTADORES (O Ataque Eficiente)

Vereadores com alta produção de Leis Ordinárias (PLO) e bom volume de jogo.

5. Elita Beltrão (REP) — “A Atacante Discreta”

  • A jogada: Surpreendeu com 19 Projetos de Lei Ordinária, superando nomes tradicionais.
  • Caraterística: A consistência ofensiva. Quase 20 leis num ano é uma marca de respeito.
  • Análise crítica: Joga sério, sem firulas. Tem boa presença (91,14%) e foca em legislar de fato, fugindo da tentação de apenas fazer requerimentos.

6. Alberto Portela (UNIÃO) — “O Centroavante Regular”

  • A jogada: Manteve a média alta com 17 Projetos de Lei Ordinária e um bom volume de passes (147 Requerimentos).
  • Característica: O volume de jogo equilibrado entre legislar e pedir.
  • Análise crítica: Não é o craque do time, mas nunca deixa o ataque vazio. Cumpre sua função legislativa com dignidade e regularidade.

7. Enfermeiro Joziel (PRD) — “O Volante de Contenção”

  • A jogada: 11 Leis Ordinárias e 17 Pedidos de Informação.
  • Característica: A disciplina tática. Tem uma das melhores assiduidades da casa (96,20%), empatado com Alba Leal.
  • Análise crítica: Joziel é aquele jogador que o técnico confia de olhos fechados. Está sempre lá, marca forte (fiscaliza) e apoia o ataque quando precisa.

8. Elielton Lira (PDT) — “O Pulmão do Time”

  • A jogada: 10 Projetos de Lei e impressionantes 316 Requerimentos.
  • Caraterística: A resistência física. É um dos poucos que consegue legislar (10 PLOs) e ainda manter um volume administrativo massivo (300+ pedidos).
  • Análise crítica: Corre o campo todo. Tenta ganhar o jogo pelo cansaço, inundando a prefeitura com pedidos enquanto garante suas leis.

✈️ GRUPO 3: SUL-AMERICANA (Os Operários do Volume)

Vereadores que focam em Requerimentos/Indicações (pedidos de rua/luz) e têm produção de leis modesta.

9. Enfª. Alba Leal (MDB) — “A Dona da Bola (Parada)”

  • A jogada: Apenas 2 Projetos de Lei Ordinária, o que é pouco para sua estatura política.
  • Característica: O volume industrial de atendimentos. Com 353 Requerimentos e 163 Indicações, ela “grita” mais que qualquer um em campo. Além da presença de elite (96,20%).
  • Análise crítica: Alba transformou o mandato num balcão de atendimento. Ela não cria a regra do jogo (leis), ela pede para o juiz marcar falta (requerimentos). É a rainha da burocracia assistencial.

10. Sérgio Pereira (PP) — “O Carregador de Piano”

  • A jogada: O recordista absoluto de papel: 393 Requerimentos. Mas apenas 3 Projetos de Lei.
  • Característica: A onipresença nas micro-demandas. Se tem um buraco na rua, Sérgio fez um requerimento.
  • Análise crítica: Trabalha muito, mas produz pouco legado jurídico. É o jogador que corre 15km por partida, sua camisa sai encharcada, mas ele não chutou nenhuma bola a gol.

11. Erlon Rocha (MDB) — “O Zagueiro Rebatedor”

  • A jogada: 8 Projetos de Lei e 269 Requerimentos.
  • Característica: O volume defensivo.
  • Análise crítica: Joga na zona de conforto. Rebate os problemas da cidade com requerimentos e mantém uma produção legislativa apenas suficiente para não ser cobrado.

12. Urias Pingarilho (MDB) — “O Burocrata de Chuteiras”

  • A jogada: 6 Projetos de Lei e 216 Requerimentos.
  • Característica: A regularidade nos pedidos.
  • Análise crítica: Urias joga um futebol antigo. Foca no assistencialismo do requerimento e pouco na modernização das leis.

13. Enf. Murilo Tolentino (PRD) — “O Meia Comum”

  • A jogada: 9 Projetos de Lei e 157 Requerimentos.
  • Característica: Não compromete.
  • Análise crítica: Faz o feijão com arroz. Não é brilhante, não é desastroso. É o jogador para compor elenco.

14. Mano Dadai (PSB) — “O Lateral Esquerdo”

  • A jogada: 9 Projetos de Lei e 130 Requerimentos.
  • Característica: Mantém a média.
  • Análise crítica: Atuação discreta. Cumpre tabela no meio do campeonato.

15. Malaquias Mottin (PL) — “O Jogador Tímido”

  • A jogada: 9 Projetos de Lei, mas poucos requerimentos (67).
  • Característica: A eficiência pontual.
  • Análise Crítica: Parece jogar isolado. Pouca interação com as demandas de massa (requerimentos), mas tenta legislar.
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📉 GRUPO 4: ZONA DE REBAIXAMENTO (Baixa Produtividade)

Vereadores com poucas leis, baixo volume ou desempenho paradoxal.

16. Alexandre Maduro (MDB) — “Corre Muito, Joga Pouco”

  • A jogada: Um caso estatístico fascinante. Tem apenas 4 Projetos de Lei (PLO), o que tecnicamente o colocaria perto da zona de rebaixamento.
  • Característica: Ele se salva pelo volume defensivo impressionante: 201 Requerimentos e uma assiduidade de elite (92,41% de presença, 4º melhor da Câmara).
  • Análise crítica: Maduro é o volante que corre o campo todo (está sempre nas sessões), desarma jogadas, pede passes (requerimentos), mas na hora de chutar a gol (criar lei), ele falha. Sua influência é política e presencial, não normativa.

17. Renilson Vinte (PSD) — “O Reserva Desatento”

  • A jogada: 5 Projetos de Lei e pouquíssimos requerimentos (20).
  • Característica: Escapou da lanterna por ter mais leis que os últimos colocados.
  • Análise crítica: Participa pouco do jogo. Não cria leis, não pede melhorias (requerimentos) e tem presença mediana. Está em campo a passeio.

18. Júnior Tapajós (MDB) — “O Jogador Cansado”

  • A jogada: Apenas 4 Projetos de Lei.
  • Característica: Nome tradicional.
  • Análise crítica: Temporada muito fraca. Pouca criatividade e baixa assiduidade (77%).

19. Ivanira Figueira (PSD) — “A Substituta”

  • A jogada: Perigosamente baixa: 3 Projetos de Lei.
  • Característica: As 121 Indicações. Ela prefere “sugerir” a “requerer”.
  • Análise crítica: Atuação passiva. Quem só indica, não decide. Produção legislativa anêmica.

20. Barbara Matos (PP) — “A Promessa que não Vingou”

  • A jogada: Apenas 3 Projetos de Lei.
  • Característica: 100 Requerimentos.
  • Análise crítica: Muito pouco para quem está na Série A. Falta protagonismo e ambição legislativa.

21. Gerlande Castro (PP) — “Na Zona da Degola”

  • A jogada: Apenas 1 Projeto de Lei no ano todo.
  • Característica: Nada. Assiduidade mediana e apenas 33 requerimentos.
  • Análise crítica: Estatisticamente irrelevante na temporada. Quase não tocou na bola.

22. Jandeilson (UNIÃO) — “O Banco de Reservas”

  • A jogada: Zero Projetos de Lei Ordinária listados na súmula principal. Apenas Indicações e Requerimentos.
  • Característica: 125 Requerimentos.
  • Análise crítica: Se não fez lei, não jogou o jogo principal. Ficou apenas no aquecimento das indicações.

23. Erasmo Maia (UNIÃO) — “O Árbitro de Vídeo (VAR)”

  • A jogada: O grande paradoxo. Tem 100% de presença nas votações (o único da casa), mas produziu míseros 4 Projetos de Lei e 20 Requerimentos.
  • Característica: A onipresença. Ele nunca falta.
  • Análise crítica: Erasmo não entra em campo para jogar, ele entra para apitar o jogo dos outros. Sua produção autoral é quase nula (lanterna em volume), mas ele é o dono do apito final. Ele decide quem ganha, mas não faz gols.

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