Aventura genocida: o fim da ditadura e o golpe natimorto de Bolsonaro. Por Válber Pires

O fim do Regime Militar no Brasil, em 1985, deveu-se à mesma variável que levou ao fim do regime democrático em 1964: o desgaste dos governos pela crise social, econômica, política e moral.

Em 1964, os militares ascenderam ao poder com amplo apoio entre as camadas populares e elites, porque havia uma crise econômica e social instalada na sociedade, seguida de uma crise política e moral do governo civil.

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Em 1985, os civis voltam ao poder com amplo apoio entre as camadas populares e elites, porque havia uma crise econômica e social instalada na sociedade, seguida de uma crise política e moral do governo militar. Bolsonaro tem a má sorte de ser líder de um governo que está diante de um quadro de crise econômica e social seguida de crise política e moral do seu próprio governo.

Válber Pires *

Sua tentativa de desgastar e culpar Congresso, STF e oposição pelo fracasso de seu governo é um ato desesperado para ocultar a sua própria incompetência como um governante à frente de um ministério de Brancaleones.

Não está convencendo os setores mais amplos das camadas populares, médias e altas, como prova a sua brutal queda de popularidade. Apenas os setores mais desinformados, malformados ou, ainda, os setores mais inescrupulosos da classe média, alta e dos militares (setores que lucram com seu governo) continuam a apoiar seu governo, além, é claro, do submundo das milícias, polícias e forças armadas, essas últimas que, por questões constitucionais, regimentais e, mesmo, morais jamais deveriam se envolver, novamente, em política.

Bolsonaro pode tentar o golpe. Pode até conseguir, mas o novo regime já nasce desgastado pelas crises econômica, social, moral e política, crises que tendem a se aprofundar por causa do próprio Golpe de Estado e da incompetência de seu péssimo quadro de ministros. Logo, ele jamais navegará em céu de brigadeiro.

Apenas setores mais desinformados, malformados e inescrupulosos da classe média alta e dos militares continuam a apoiar o governo, além, claro, do submundo das milícias

Haverá uma forte insurgência civil e militar. Para se manter no poder, terá de prender, perseguir e matar DEZENAS OU ATÉ CENTENAS de milhares de pessoas, o que, com o saldo das mortes por covid-19, significará uma AVENTURA GENOCIDA AO QUADRADO.

De quebra, isso só aprofundará mais e mais as diversas crises que a sociedade e o governo enfrenta, sem contar o desgaste internacional que inevitavelmente virá. Os reflexos de uma aventura genocida ao quadrado para a imagem das Forças Armadas também será devastador.

Um árduo trabalho de mais de um século de profissionalização do Exército, da Marinha e da Aeronáutica será destruído. Será se o alto comando das Forças Armadas está disposto a destruir este gigantesco patrimônio militar para bancar uma aventura política cujo único saldo para a sociedade será o genocídio potencializado do próprio povo brasileiro?

— Válber Pires é professor universitário, doutor em Sociologia, com pós-doutorado em Socioeconomia e Sustentabilidade. Escreve regularmente no BJ.

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