58 indígenas do oeste do Pará recebem diploma acadêmico da Uepa, UEPA - formaturaUm dos indígenas Wai-Wai, de Oriximiná, que colou grau pela Uepa

Na região do Baixo Tapajós, no oeste do Pará, homens e mulheres se enfeitaram com pinturas tradicionais para a festa dos concluintes do curso de Licenciatura Intercultural Indígena, vinculado ao Plano Nacional de Formação de Professores (Parfor), promovido pela Universidade do Estado do Pará (Uepa).

Nas cerimônias, o cocar, símbolo de todo o saber ancestral, dá lugar também ao capelo (chapéu tradicional dos formandos), indicando que os alunos passam a deter também o conhecimento acadêmico.

As solenidades de outorga de grau foram iniciadas na última quarta-feira (7), com a turma Wai-Wai, no município de Oriximiná, e terminaram na noite desta sexta-feira (9), com a formatura da turma Tapajós-Arapiuns-Santarém.

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Cada território etnoeducacional reúne integrantes de diversas etnias.

Gedeão Arapiuns é um dos formandos da área de Ciências Humanas e Sociais.

“É uma conquista importante para a afirmação da nossa identidade e para propagar os nossos direitos. Por muito tempo nós sofremos preconceito por não termos o ensino superior”, declarou.

Orador da turma de Santarém, ele se preparou com antecedência para a cerimônia, cujos ritos solenes são adaptados para respeitar a cultura tradicional, desde o canto de entrada, a execução do hino e os pronunciamentos nas línguas indígena e portuguesa.

POVOS TRADICIONAIS

“Sabíamos que não seria fácil, como realmente não foi e nunca será. Romper o preconceito e encarar a mais nobre das lutas em defesa dos direitos indígenas e garantir a formação foi o desafio aceito por cada um. Muitas foram as dificuldades enfrentadas. Muitos desistiram ou pensaram em desistir, mas nossa união nos fortaleceu”, enfatizou Gedeão Arapiuns no discurso.

Para Joelma Alencar, coordenadora do curso, a universidade ultrapassa os próprios muros para ir às aldeias e cumprir seu papel social de educar.

“É uma oportunidade para os professores viverem o contexto das comunidades e formar docentes qualificados para atuar nas escolas indígenas, estabelecendo o diálogo do saber tradicional com o conhecimento acadêmico. A formatura é a conquista dos alunos por todo o esforço em superar as distâncias e os desafios para estar em sala de aula. Significa a celebração da luta do movimento indígena em prol da qualidade escolar dos povos tradicionais”, ressaltou Joelma Alencar.

Foram graduados 22 indígenas em Santarém e 36 em Oriximiná. A celebração da turma Wai-Wai teve um aspecto que a tornou ainda mais especial: não houve nenhuma desistência entre os matriculados no início do curso. Nem a distância fez os alunos abdicarem dos estudos. Morando em aldeias localizadas na fronteira com a Guiana Inglesa, alguns precisaram viajar durante vários dias para assistir às aulas.

ALDEIAS

Esta foi a primeira conclusão de turmas interculturais do Parfor, que reúnem todos os formandos que já atuam em sala de aula, no Ensino Fundamental, nas aldeias de origem.

De acordo com a coordenadora do Parfor na Uepa, Kátia Melo, com essa oferta o Pará é pioneiro ao estender a modalidade de ensino para os povos indígenas.

“Estamos na contramão da descolonização do saber. Hoje os professores vão ao encontro dos alunos, e não o contrário. A experiência foi apresentada em Brasília (DF) em um encontro nacional, e os colegas ficaram impressionados com a capacidade da Uepa em buscar, se deslocar e se abrir para o conhecimento tradicional”, contou a coordenadora.

Entre os indígenas, os planos para o futuro são muitos. Voltar para as escolas nas aldeias com o diploma na mão é uma vitória, mas eles querem ir além, e já almejam uma pós-graduação. O desejo foi manifestado formalmente à coordenação do curso e do Parfor, que já trabalha para atender a demanda de implantação de cursos de especialização indígena no Parfor Norte.

Fonte – Agência Pará

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