Amigo na arte e na religião de Machadinho, o escritor e poeta Emir Bemerguy dedicou poemas e escreveu letra de música sob encomenda para o seresteiro falecido na madruga desta terça-feira (9) em Santarém (PA).
Abaixo, duas criações de Bemerguy, morto em novembro de 2012, resgatadas do acervo do artista santareno por sua filha Lila Bemerguy, jornalista, e enviadas ao blog.
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O último boêmio
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Edenmar Machado (Machadinho) pediu a composição destes versos, musicando-os posteriormente
Emir Bemerguy, 15/09/1967
No
silêncio da noite ouves somente
Os acordes sentidos do violão…
Há janelas se abrindo lentamente…
Há saudades em cada coração…
Minha voz vai lembrando, magoada,
Infortúnios de amores que perdi,
As perfídias, as juras profanadas
Das mulheres que, amando, envelheci…
Serenatas
antigas…Outras luas…
Velhos tempos que não mais hão de vir!…
E eu prossigo a cantar nas mesmas ruas
– Derradeiro boêmio, que a fingir,
Em canções pontilhadas de venturas,
Neste peito conter perene amor,
Busco apenas, falando de ternuras,
Disfarçar o meu íntimo amargor…
O boêmio
Ao grande amigo Machadinho, famoso e romântico trovador das lindas madrugadas mocorongas
Emir Bemerguy, 26/01/1976
Quando
um luar formoso as almas arrebata,
Acendendo clarões em olhos cismarentos,
Ele sai, noite a fora, em terna serenata,
Pondo na voz bonita líricos acentos.
Em
cada seresteiro existe, bem guardada,
Uma saudade antiga – patrimônio seu.
E ao som do violão, na fria madrugada,
Relembra-se um amor que nunca se esqueceu.
Fantástico
é o poder de uma tristonha valsa
Ouvida no silêncio de uma noite clara!
Ao coração retorna, rindo, a mulher falsa
Que uma vida feliz, um dia, infernizara…
Boêmio!
Cumpre, assim, o teu fadário lindo
De cantar, sem querer, alheios amargores!
De olhos postos na Lua, segue, repartindo
Pedaços de tua alma entre outros sofredores!…
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