Pandemia do Brasil: 'Sem o SUS, haveria carnificina', diz ex-ministro da Saúde

Luiz Henrique Mandetta (DEM), ex-ministro da Saúde do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), criticou nesta quinta-feira (21) o debate sobre a cloroquina como tratamento para o coronavírus, já que a droga pode trazer efeitos colaterais como arritmia cardíaca. É o que informa o UOL.

Além disso, segundo o site, o médico alertou que, neste momento, 100% do Brasil depende do SUS para evitar uma “carnificina”.

 

“A cloroquina é o típico exemplo do que a gente falou sobre os três pilares: SUS, proteção à vida, e ciência. Quando você começa a tomar decisão fora da ciência, você começa a embaralhar a cabeça das pessoas. Eu acho que a cloroquina é uma droga… Infelizmente, até agora, nenhuma se impôs [como opção de tratamento eficaz]”, disse Mandetta.

O comentário foi feito no fim da tarde de hoje, em participação em live do Democratas no YouTube. O ex-ministro recordou que também foram cogitados para uso contra a covid-19 remédios usados no tratamento contra vermes. Estas hipóteses não foram levadas adiante, mas, para Mandetta, até um vermífugo seria menos perigoso do que a cloroquina.

“Pelo menos, se déssemos vermífugo, o efeito colateral seria muito baixo. Eliminaria vermes, não seria ruim. O problema da cloroquina é que ela pode ter algum tipo de efeito colateral nas pessoas mais idosas, pessoal de 65 a 90 anos. Se você der 900mg de cloroquina em 24 horas, algo em torno de 35% das pessoas vão ter arritmia e precisar de leito hospitalar. Isso pode ser um problema”, alertou o profissional de saúde filiado ao DEM.

Pessoa leiga

“A maneira como se fez esse debate [sobre o uso da cloroquina] foi totalmente atípica. Nós, da saúde, não estamos acostumados a este tipo de condução. De uma pessoa leiga homologar um protocolo e colocar para utilizar sem saber o que vai acontecer. Isso dá um pouco de receio para a gente, mas vamos ver. Vamos apostar na ciência, tomara que isso abra espaço para a gente fazer mais pesquisa”, completou, sem citar o nome de Bolsonaro.

Ainda tratando sobre a importância da ciência, Mandetta criticou os médicos que, segundo ele, apostam em “achismos” para opinar sobre a pandemia do novo coronavírus. Ele sugere que estas pessoas submetam seus estudos —desde que haja estudo— à comunidade científica.

“Quando a gente vê médicos com nenhum tipo de embasamento científico falando que ‘acham que é assim’… O ‘eu acho’ é o lugar mais perto do abismo em medicina. Ponha no papel e submeta ao bate-boca, submeta ao Congresso, vá na frente. Submeta suas ideias e teses. Estamos vivendo um momento histórico, o século XXI começa a ser reescrito”, concluiu.

 

O ex-ministro acredita que, neste momento, todo e qualquer cidadão brasileiro depende do Sistema Único de Saúde (SUS) de alguma forma, mesmo que não perceba isso. Afinal, diminuir o ritmo de contágio entre as classes mais baixas e o colapso do sistema público de saúde pode proteger os mais vulneráveis e, de quebra, evitar a transmissão da doença para os mais ricos.

“Eu coloquei o Ministério da Saúde com três pilares: ciência como base de decisão das ações, vida como luta intransigente, e o apoio incondicional ao SUS. Se não fosse o SUS neste momento, nós teríamos uma carnificina nesse país. Está na hora de nós todos fazermos a releitura do que tem sido a política de saúde, do que tem sido o orçamento em saúde, do que tem sido o histórico de construção do sistema”, opinou Luiz Henrique Mandetta.

Chance de vida

“Neste momento, 100% da sociedade brasileira é SUS-dependente. Não há ninguém, desde o homem mais rico ao mais humilde deste país, que não seja SUS-dependente. É uma das poucas coisas que ainda podem construir um pacto federativo lúcido para dialogar. Tragam o ministro que está lá [o general Eduardo Pazuello, interino da Saúde], embora não tenha grande conhecimento, ele vai se apropriar do SUS. Tragam-no para perto”, disse.

“A sociedade vai ser dividida em antes e depois de coronavírus, e que cada um documente muito bem como respondeu a isso. Tratem as pessoas como elas devem ser tratadas, é isso que se espera de um homem público. E é isso que eu espero do nosso Democratas. Uma coisa não pode deixar de ser devidamente registrada: a chance de vida”, encerrou.

Com informações do UOL

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Um comentário em: Pandemia no Brasil: ‘Sem o SUS, haveria carnificina’, diz ex-ministro da Saúde

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  • J. Pau nos políticos canalhas e ladrões disse:

    Mas, se bobear esse desgoverno deslreparado devia está pensando em privatizar o SUS, com vem tentando fazer com os correios e não conseguiu q é fundamental pro povo. Estão fazendo de tudo pra leiloar o Brasil todo, vamos lá, com uso ou não da Cloroquina…

    Se eu fosse um grande investidor e com bastante capital não entraria nesse negócio de comprar aeroportos ou me associar, é um risco enorme. Existe possibilidades de novas pandemias, portanto, nem precisa ser tão otário pra cair nessa lábia. Aeroportos tem que ser operado pelo setor público com alguma parceria se conseguirem daqui pra frente. Mas, o Estado banca tudo, né? Até bancos podres de ricos recentemente com mais de 1 trilhão e fábricas de aviôes como a combalida Embraer, q os chineses e nem americanos querem ouvir falar mais, e que está sendo socorrida com verba pública. A enrolação nesse setor de privatização ( é muita negociata, propina e safadeza) o risco é enorme pra investir e nunca deu certo desde FHC o destruidor do Estado, passando pelo PT e o terrível Temer que entregou pra esse Bolsonada dá a cutelada final no patrimônio nacional e lascar com o povo de uma vez, porque se venderem (derem) o Banco do Brasil o povo ficará “a ver navios”, nas cidades pequenas do interior brasileiros. Privatiza o SUS e o Correios, que quero ver, háá!!! Privatiza as Forças Armadas logo…🤣🤣
    Essa conversa idiota de privatizar tudo é furada certa por aqui. Está aí a Petrobrás aumentando preços mesmo a demanda reduzida pela metade, depósitos abarrotados com gasolina cheia de etanol ficando podre e queda do barril do petróleo quase 0,00 dólar e nos postos não caiu nem R$ 0,50 vivem majorando, menos os salários de servidores públicos civis e do setor privado q produzem nesse País, porque estão congelados há anos e poucos tiveram algum reajuste significativo, dos militares, tá garantido, lembrando. Petrobrás tem que ser totalmente estatizada e sem fins lucrativos pra atender ao povo brasileiro e não bancos, não acionistas, não doleiros e mercadores da fome e das doenças, etc. Os pedágios do PSDB vão falir na pandemia e o povo tem que pedir as rodovias dele de volta😑👊