Cobrança de propina sobre vacina deixa bolsonaristas atordoados; Zambelli pede orações
Carla Zambelli, deputada federal bolsonarista: pedido de orações depois da denúncia de propina. Foto: Reprodução/Vídeo

A reportagem do jornal Folha de S. Paulo na noite desta terça (29) em que um empresário relata pedido de propina para compra de vacinas por parte do governo deixou a base do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atordoada.

“Estamos apanhando sem parar. E aí? Qual é a nossa situação e o que fazer?, disse, com sinceridade desconcertante, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), que divulgou um vídeo de desabafo pouco depois de a acusação vir à tona.

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Segundo ela, “o presidente tem feito de tudo o que está ao alcance dele”. “A gente está um pouco cansado, porque não tem nada que a gente possa fazer além do que estamos fazendo”.

Zambelli não citou especificamente a acusação de propina, mas, com os olhos marejados, pediu no vídeo que as pessoas rezem pelo governo.

“Eu peço oração. Porque quem sabe Deus possa nos ajudar. Quem sabe Deus possa indicar um caminho? Porque tem hora que é difícil. A gente olha e não enxerga um caminho. Mas a gente olha para cima e diz: ‘meu Deus, por favor me dê forças para seguir só mais um dia’”.

O deputado federal Bibo Nunes (PSL-RS), um dos mais fiéis ao presidente, admitiu indiretamente que a acusação do empresário pode fazer sentido.

“Uma pessoa pode até ser, mas um governo é ridículo demais”, afirmou Nunes, ao comentar o caso. Embora diga que seria no máximo ato isolado de um servidor, e não da administração federal, o simples fato de considerar a hipótese mostra uma mudança de discurso.

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), que vem em processo de reaproximação de Bolsonaro após ter flertado com a oposição, pediu que Bolsonaro afaste os acusados.

“Presidente, manda apurar e afasta quem deve ser afastado! Há situações que necessitam ser enfrentadas rapidamente. Não adianta aguardar. Ninguém vai resolver!”, escreveu.

O caso também poderá ser o que faltava para que a direita contrária a Bolsonaro faça uma aliança tática com a esquerda e participe da manifestação que está sendo programada para o sábado (3).

Foi o que deu entender o coordenador nacional do MBL (Movimento Brasil Livre), Renan Santos.

“Tudo se encaminha para um gigantesco esquema de roubo de vacina. Não dá para não ir pra rua”, disse ele, ressalvando que era uma posição pessoal.

O movimento deve decidir em breve se vai se somar às manifestações em defesa do impeachment.

Outro que pediu para que tudo seja apurado foi o ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato a presidente pelo PDT. Em vídeo, ele afirmou que a acusação, se confirmada, será “um dos maiores escândalos de corrupção já vistos no Brasil”.

“Em especial pela troca de vidas humanas por um punhado de dólares para encher os bolsos de bandidos que tomaram conta do governo brasileiro”, afirmou Ciro, que vem buscando abocanhar parte do eleitorado bolsonarista.

Ele pediu que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), seja pressionado a dar início a um processo de impeachment contra  Bolsonaro.

Com informações da Folha de S. Paulo

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