Poesia amazônica – Teatro na rua

Publicado em por em Arte

Tempo, teatro e os astros

Dedicada ao meu amigo de infância Renato Agnelo Loureiro, recentemente falecido. De memória privilegiada, contava com detalhes acontecimentos ocorridos no mundo, sobretudo em Santarém. Ficou nos devendo um livro. Um abraço eterno, Tapuio do Lago Grande.

Imaginai , companheiro,
um teatro nesta rua.
Sim … um teatro.
Esses casarios conjugados
formatando inúmeros camarins…
Neles atores removam-se,
interpretando em vida seus papéis.
Substituídos são os mortos.
Os casarios reformados também.

Imaginai como palco,
toda a sua extensão,
e perguntai: quantos deles
apresentaram-se aqui?
Podeis observar, companheiro,
esse paradisíaco cenário
quase inalterado pelos séculos.
Os rios, sempre os rios,
a mata verde varzeana.
A praia de areias maltratadas
denunciando inconsciência do homem.

O tempo, companheiro,
esse silencioso predador,
é o autor, discreto autor,
assistente único das peças,
e que peças! …
Cotidianamente adaptas,
encenadas ato a ato,
por nós astros, enquanto viventes,
protagonistas, sem ensaios,
desses ininterruptos espetáculos.

Não! Nada bebi, companheiro.

– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –

De Edwaldo Campos, poeta amazônico nascido em Alenquer e criado em Santarém.

Leia também:
Mensagem psicografada de Panga à sua amada.
O poeta e o poema.
Canção de um vilão à recatada Santarém.


Publicado por:

One Response to Poesia amazônica – Teatro na rua

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *