Poesia. Não consultem os relógios

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Ah, Os relógios!

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios…

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida – a verdadeira –
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os anjos entreolham-se espantados
quando alguém – ao voltar a si da vida –
acaso lhes indaga que horas são…

– – – – – – – – – – – – – – – – – – –

De Mário Quintana, poeta brasileiro nascido no Rio Grande do Sul.

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2 Responses to Poesia. Não consultem os relógios

  • A criação da Xoxota

    Sete bons homens de fino saber
    Criaram a xoxota, como pode se ver:
    Chegando na frente, veio um açougueiro.
    Com faca afiada deu talho certeiro
    Um bom marceneiro, com dedicação.
    Fez furo no centro com malho e formão
    Em terceiro o alfaiate, capaz e moderno.
    Forrou com veludo o lado interno
    Um bom caçador, chegando na hora.
    Forrou com raposa, a parte de fora.
    Em quinto chegou, sagaz pescador.
    Esfregando um peixe, deu-lhe o odor.
    Em sexto, o bom padre da igreja daqui.
    Benzeu-a dizendo: ‘É só pra xixi!’.
    Por fim o marujo, zarolho e perneta.
    Chupou-a, fodeu-a e chamou-a…
    Buceta!

    Mário Quintana

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