O Verbo

o verbo
preexiste
às areias do tempo

o verbo
perfaz o mundo
em seus números

o verbo
no espaço da frase
conjuga
seu traço múltiplo

o verbo
molda-se em carne
no disfarce
da palavra

o verbo
se apessoa
aos enxertos
da voz

o verbo
mal se conquista
– a doma é acerba

o verbo
se averba

– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –

De Fernando Py, poeta brasileiro nascido no Rio de Janeiro.

Leia também:
Reflexão Nº 1, de Murilo Mendes.
Emergência, de Fábio Rocha.
Amanhecimento, Elisa Lucinda.
A puta, de Carlos Drummond de Andrade.
Parada cardíaca, de Paulo Leminsk.
Receita de Ano Novo, de Carlos Drummond de Andrade.
Esperança, de Mário Quintana.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *