Poetas amazônicos.

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Vislumbre de morte romântica

Antes de morrer
quero um dia qualquer
num luar como este
te encontrar novamente pela vida.

Quando acontecer
não perguntes o que quero
quando tímido for a teu encontro.

Ao ver-me pare somente
como quem ansiosa desejasse esse momento.

Quero sentir nos teus olhos alegria
ao apertar teu corpo num abraço
e unir nossos lábios num beijo.

Que o céu esteja enfeitado
como esta noite de estrelas.

Nenhuma luz a não ser dos teus olhos
possa refletir o luar no meu rosto.

Quando estivermos juntos
me olhe apenas
não diga nada
enquanto mudo pela emoção somente
acaricie teus cabelos
me buscando em teus olhos
até que possas dizer alguma coisa.

Ao falar quero
segurando tuas mãos apertá-las
dizendo como te quero como te amo.

Até ai deveras permanecer calada
escutando no melodiar das folhas
sendo roçadas pelo vento
meu coração bater quase sem forças
tão pausadamente como as ondas
do calmo rio indo e vindo lá na beira.

Seja isto com a cabeça mergulhada
em teus longos cabelos – faço esse apelo –
para balbuciar, mas uma vez teu nome
e leve e contente, então, morrer.

– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –

De Edwaldo Campos, poeta amazônico nascido em Alenquer e residente em Santarém. Esse poema é de 1970.

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