Desafio de um novo tempo:  precisamos vencer o ódio. Por Geovane Farias, Ódio

Não é difícil perceber que hoje em dia as coisas são diferentes, o mundo definitivamente parece um lugar mais hostil. Ligamos a TV no fim do dia e a única coisa que se pode perceber é como o número de tragédias aumenta a cada dia.

Geovane Farias
Geovane Farias (*)

Mais além, pessoas estão matando umas as outras de forma cada vez mais banal, pessoas estão desistindo da vida constantemente, morrendo de fome e de frio nas ruas todos os dias. E qual foi a última vez que alguém se preocupou com isso?

Fica a pergunta: O que está acontecendo com o mundo?.

Na verdade, creio que a pergunta correta fosse “O que está acontecendo conosco?”. Pense bem: qual foi a última vez que você deu bom dia, boa tarde ou boa noite às pessoas com quem convive? Se o fez, quantas vezes de forma gratificante?

Ao pai e a mãe, qual foi a ultima vez que ao voltar do trabalho, no fim do dia, você tomou um tempo para conversar com seus filhos, saber como foi o dia, se tem algum plano pro fim de semana, se esta se sentindo bem, se algo aconteceu?

E quanto aos filhos e netos, qual foi a última vez que tiveram noticias de seus  pais ou avós, mais além, qual foi a última vez que os visitaram? Saber se estão bem, se preocuparam em participar de seus dias. É surpreendente como a velhice pode ser solitária às vezes. Vocês nao sabem o bem que fariam em estar nas vidas de seus pais e avós, é como um sopro novo de alegria a quem está cansado.

E seus irmãos? Qual a última vez em que estiveram juntos e se divertindo? Por falar em cansaço, quem de vocês conhece o colega de trabalho? Será que há alguem precisando de ajuda, solitário talvez? Seus vizinhos, sabe o nome deles? É amigo de algum?

De modo geral, ao que parece, na era da informação, onde eu posso falar em tempo real com alguém que esta no Japão, parece que não enxergamos mais quem esta ao nosso lado.

Pior, volto a perguntar: vocês sabem que há pessoas morrendo de frio e de fome nas ruas neste intante? A mera possibilidade já deveria nos causar calafrios e vontade de chorar, mas somos indiferentes como se isso fizesse o problema sumir. Um conselho: não some, eles morrem, e é inadimissivel que permitamos que isso aconteça e aqui estamos nós em silêncio.

Estamos tão afogados em nossas rotinas cada vez mais complexas e trabalhosas que começamos a agir como máquinas, apáticos ao sentimento, nos comportando como se nada do que é vital nos fosse necessário, e a pouca expressão da carne que nos sobre se traveste em egoísmo, tornamo-nos individualistas ao extremo.

Não é difícil ouvir por aí hoje em dia “isso não é problema meu”. “Eu quero ou preciso disso ou daquilo”, são tantos EUs e MEUs que me pergunto se o mundo tem espaço suficiente pra todo mundo viver essa individualidade de abismo, onde tudo ao redor não importa, mas tenho a impressão de que no mundo não cabe excedemos. A fatura e a conta vaão chegar.

Muitos terminam por se perceber sozinhos, sem poder contar com ninguém, do fundo de seus abismos do EU ninguém pode ouvir seus gritos, e isso nos afoga. A sensação é exatamente essa, meus caros, como se o vazio fosse a água que invade ardosamente seus pulmões e os rasgam, dilacera por dentro, sufoca, a pressão é cada vez maior, num momento o turbilhão e em seguida silêncio.

 

E nós, onde vamos parar? Não sabemos, e não há exatamente quem  possa nos dizer além de nós mesmos. Talvez a resposta esteja na colaboração. Penso eu “quando tenho um problema difícil, peço ajuda, duas cabeças pensam melhor que uma, três mais ainda e por aí vai.

Se temos abismos ao nosso redor, talvez devêssemos começar a construir pontes e não muros, nos conectar com as pessoas, se importar com elas, ter olhos para ver as duras realidades em que vivem, ouvidos para ouvir os pedidos de socorro, braços para abraçar, e coragem para lutar por nós mesmos e pelos outros.

Nós só seremos um mundo melhor quando formos juntos, não há espaços para tanto individualismo, ou compartilhamos ou esmagamos uns aos outros.

Então se há um conselho que eu posso dar é: dê bom dia à sua companheira ou companheiro, a seus filhos, a seu vizinho, às pessoas na parada de ônibus, aos colegas de trabalho. Não um bom dia qualquer, ponha um sorriso no rosto, isso aquecerá os corações deles e vão sorrir de volta. Iso aquecerá o seu.

Cconverse com as pessoas. Tem muita gente por aí que só quer se ouvida um pouco, faça isso e eles também lhe ouvirão, ligue pra seus pais e avós, marque atividades em família, esteja junto das pessoas, daqueles que também não vê há tempos, vivam e deixem viver.

— * É acadêmico de Direito da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará).

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2 Comentários em: Desafio de um novo tempo: precisamos vencer o ódio. Por Geovane Farias

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  • Alessandra Moraes disse:

    Ótimo texto, abrange uma reflexão interna de como podemos melhorar o nossas atitudes, e nossa consciência interna. O autor do artigo está de Parabéns!!!

  • IZABELE CHRISTINE ALMEIDA GRANDE disse:

    Excelente texto !!!!! Nos leva a refletir de mais ! Como tenho gasto meu tempo ?! Parabéns!!!