por Jota Ninos (*)
Todo ano é a mesma coisa. A gente reverencia o nascimento de um ser que representa a tradição judaico-cristã da civilização ocidental. Mais que um dogma católico, o Natal é o maior marketing dessa figura que até hoje divide as opiniões no mundo. Afinal, Jesus Cristo existiu? Nasceu no dia 25 de dezembro? Ou foi apenas mais um dos milhares de Messias que andaram pregando pela Palestina, como sustenta o historiador Reza Aslan? (https://goo.gl/ZcCpXb).
O pior é que em nome desse homem ainda se mata, ainda se rouba, mas, principalmente, ainda se vende muito. Não há festa mais comercial que o Natal. Os “vendilhões do templo” que, segundo a Bíblia, Jesus expulsava ainda estão por aí.
Leia também dele:
Tapajós: um estado para Lira Maia chamar de seu.
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Aí como tudo se repete, resolvi reeditar alguns pensamentos que andei escrevendo nos últimos anos em jornais, blogs e redes sociais neste meu artigo semanal, que só ficou pronto já na noite de segunda, por conta de tantos afazeres que uma mudança de casa acarreta (outra hora eu conto sobre essas agruras…).
Vão abaixo pequenos (Des)Contos de Natal, ou desabafos natalinos de um poeta ranzinza, começando com uma poesia que escrevi há mais de dez anos e em seguida outros textos inspirados nas músicas que mais ouvimos nessa época e ainda um trechos de um pequeno conto de Natal contemporâneo que eu escrevi, além de algumas dicas de textos sobre o mesmo tema e links pra completar mais um Natal monótono, com as mesmas mesuras e blá-blá-blás… (e no final, de presente, um texto de Mário Prata que escreve muito melhor do que eu…rs)
I – Na tal idade
Na tal época,
Épica foi a saga de um homem
Tão divino quanto nós…
Na tal época,
Réplica da vida de nós homens
Tão divinos quanto ele…
Sejamos o deus
Que não conseguimos expressar,
Apesar de nossas religiões…
Sejamos o homem
Que ele não conseguiu ser
Porque insistimos em divinizá-lo
Sem precisar…
Na tal idade em que estamos
Ainda temos muito que andar
E descobrir que nascemos a cada dia
Como aquele homem
Filho do homem
Que do homem haverá de renascer
Pelos séculos dos séculos…
II – “Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel…”
Fim de ano é sempre uma festa! Parece que as agruras de um ano inteiro se dissipam, e de repente descobrimos que somos filhos de um mesmo pai e que ainda resta uma esperança para o mundo! De repente, o tal “espírito natalino” baixa em nós e deixamos de lado o “espírito de porco” que incorporamos por mais de 300 dias… “Feliz Natal e Próspero Ano Novo!” Mensagens se escancaram sem nada de subliminar, pois o que importa é a esperança. Até o último dia do ano, lutaremos para provar que no ano que vem tudo será diferente. Não importa que depois do Reveillon tudo volte ao normal…
III – “Esse ano quero paz no meu coração, quem quiser ter um amigo, que me dê a mão…”
As festas de fim de ano já começam pelas luzes na cidade. Os postes iluminados, as fachadas iluminadas, as árvores iluminadas. Fim de ano é a própria era do iluminismo! Tudo indica que, no final das contas, sempre há uma luz no fim do túnel (mesmo que a conta de luz fique mais cara). Não importa se seu time foi rebaixado no campeonato. Ano que vem ele será campeão da quinta divisão! Não importa se seu candidato não foi eleito. Os outros se incumbirão de cumprir as promessas que ficaram no meio do caminho. Não importa se seu salário não aumentou. Ano que vem ele aumenta (o trabalho, também). Os antigos gregos já diziam: o que há de ser, será… Em meio a tantas esperanças, porque guardar rancor e escrever um artigo tão irônico?… Vamos, é Natal! É alegria! PÁS, aos homens de boa vontade, para tirar esse entulho do nosso caminho!
IV – “Quero ver você não chorar, não olhar pra trás, nem se arrepender do que faz…”
E como esquecer das confraternizações? Ontem, com os colegas de trabalho. Troca de presentes. Amigo oculto, inimigo invisível, presente secreto. “Meu amigo é…” Abraços, sorrisos, revelações. “Ó que cueca bonita, obrigado!”
Hoje é a confraternização do grupo de amigos. Churrasco, cerveja, amigo secreto, inimigo oculto, presente invisível. “Minha amiga é…” Beijinhos, olhares, frustrações. “Ó, esse era o lenço que faltava na minha coleção!”.
Amanhã, confraternização com a família. Irmã secreta, primo invisível, tia inimiga, avô oculto, presentes, presentes. “O meu amigo é…” Abraços efusivos no primo que eu detesto. A tia gorda, que não vejo há anos, depois de me dar aquele mesmo par de meias do ano passado, ainda sussurra em meu ouvido: “Quando vai casar, garotão?” Sorriso amarelo. A vontade é de mostrar a aliança no dedo e a foto dos seis filhos na carteira, mas engulo mais uma empadinha e deixo pra lá.
“Oi, lembra de mim?” Puxa, como não lembrar da prima Vera! Ela agora está um Verão…. Mas logo um “armário” se aproxima de mim. “Esse é meu marido”, diz ela candidamente. Sinto o ar fugir dos pulmões com o abraço do monstro. “Aê, primão!” Sobrevivo e engulo mais Cola, pois preciso unir as costelas espatifadas…
“Filho, adivinha o que comprei pra você?”. Faço de conta que não sei que é uma gravata cor de abóbora, igual a tantas que me deu nos últimos oito anos e digo, ternamente, ao vovô: “Um io-iô”! “Maiô?”, pergunta ele. “IO-IÔ!”, grito eu já quase perdendo a paciência com sua surdez. “Seu bobo, não é um maiô! Isso é coisa de mulher! Comprei foi uma gravata para o seu trabalho!”, revela o velhinho rindo com a dentadura saltitante. “Adorei, vô!”, digo falsamente. “NUNCA IMAGINEI QUE GANHARIA ISSO DO SENHOR”, ironizo gritando em seu ouvido. “Não meu neto, não foi no PENHOR, foi aquele empréstimo consignado mesmo!”.
Desisto. Escapo do bom velhinho com a gravata na mão prestes a me enforcar…
V – “Noite feliz, noite feliz”…
Me deparo mais uma vez com a clássica cena da família em torno da mesa, cantando uma daquelas músicas de Natal que todas as lojas usam para vender cuecas, lenços, meias e gravatas para os amigos secretos, ocultos e invisíveis. Lembro que houve época em que me emocionava com tudo isso. Eu era criança e aguardava a noite de Natal com muita ansiedade. Só que o “bom velhinho” nunca me atendeu totalmente. Se pedia uma Ferrari miniatura com controle remoto, ganhava um fusquinha movido à corda. No lugar da motoneta elétrica, um patinete. O Playstation virou uma caixa de Divertirama com 20 jogos diferentes.
Agora vejo este quadro que lembra a Última Ceia onde todo mundo bebe e sorri. Não consigo decifrar o Código de Da Vinci e nem a frustração por presentes que não ganhei. Mas algo me engasga e tenho vontade de vomitar. Será que eu sou o único que não consegue se contagiar com a falsa alegria de todos os anos?
Seja no trabalho, no grupo de amigos, na família, todo mundo segue o mesmo ritual que contagia a civilização ocidental há séculos: reverenciar o nascimento de um menino chamado Jesus e principalmente, idolatrar um velho ridículo vestido de vermelho carregando um saco do tamanho do mundo!
É verdade que não existe personagem mais fascinante de nossa história que esse tal de Jesus, mas infelizmente, acho que continuamos colocando-o na mesma cruz todos os anos. Fágner já dizia nos seus tempos de universitário: “Uma vez por ano no Natal eles compram meus lindos cabelos e pensam que me conhecem, mas só me entristecem”… Nos iludimos que uma simples festa e a troca de presentes (muitos deles comprados nas promoções “dos pegue-pagues do mundo”, como diria o velho Raul Seixas) nos aproximem de um deus que muitos de nós acredita existir…
VI – “Hoje é um novo dia, de um novo tempo (…)”
Depois do Natal, a contagem regressiva por um novo ano. Virão mais 365 dias assistindo aos mesmos noticiários sobre violência e corrupção. Continuarei não falando com o vizinho da casa ao lado. Prometerei perder 30 quilos, mas não deixarei de me empanturrar de carboidratos e outras guloseimas. Serei afável com os clientes da firma, que eu gostaria de pendurar num poste. Acreditarei que a prefeitura tapará o buraco da minha rua. E chegarei ao final do ano pronto para mais uma rodada de amigos secretos/ocultos/invisíveis com os mesmos presentes de sempre… Poderei suspirar: “Eu era infeliz, e como sabia…” Apesar das amarguras, só me resta desejar a todos um Feliz Ano Velho!…
(P.S.: quem ainda quiser me dar um presente invisível/secreto/oculto, só falta uma cueca azul, um lenço amarelo e uma meia vermelha em minha coleção. A gravata pode ser cor de abóbora mesmo…)
VII – Vende-se uma manjedoura!
(…) Em nome do tal “espírito natalino”, de repente, todos nós vivemos o êxtase do arrependimento e nos reunimos com familiares ou colegas de trabalho para “confraternizar”. Por alguns instantes esquecemos todo o ódio que destilamos durante todo o ano e nos convertemos em “cristãos” de última hora. Vemos “o renascimento de Cristo em nossos corações” e chegamos a, hipocritamente, rezar um Pai Nosso que dificilmente balbuciamos no restante do ano!
E aí vem a história da tradição dos presentes. A obrigação de dar um mimo a um “ente querido” ou participar dos repugnantes “amigos secretos”. E o ”Jingle Bell” que azucrina nossos ouvidos combina com o tilintar das caixas registradoras dos comerciantes.
A tal tradição foi praticamente criada pela igreja católica, a partir do mito dos três reis magos, “personagens criados pelo evangelista Mateus para simbolizar o reconhecimento de Jesus por todos os povos”, como explica o professor de História Antiga da UFRJ, André Chevitaresse (Superinteressante/ JAN-2002). Nem há certeza de que tenham sido reis, mas segundo ele, o mito era uma maneira de confirmar a profecia contida no Salmo 72: “Todos os reis cairão diante dele”.
O fato é que em torno desta tradição construiu-se o merchandising necessário para todo mundo faturar. Por conta disso a manjedoura de Cristo está à venda das lojas de R$ 1,99 aos shoppings de luxo. Tudo isso me inspira um miniconto de Natal:
Casal de retirantes (ela grávida, quase parindo) chega do interior, de bajara, à cidade. Expulsos de suas terras por grileiros, vêm tentar a sobrevida em Santarém. Sem dinheiro e sem abrigo, passa a dormir embaixo daquele monstrengo que chamam de viaduto. Nasce um menino. Por conta do “espírito natalino” algum “rei mago” surgirá com uma cesta básica. Mas, passado o Natal, a manjedoura (uma caixa de leite forrada de folhas de jornal) e o casal terão que deixar o local, pois o progresso urge.
Mais de trinta anos depois, aquela família estará vivendo em algum lote numa invasão da periferia. Semianalfabeto e desempregado, o jovem vive de bicos como o pai, que já está quase cego, enquanto a mãe trabalha de doméstica. Revoltado com a situação, o jovem participa de movimentos populares e um dia pode ser morto por um policial durante uma manifestação.
A história se repete, quase com o mesmo enredo, há mais de dois mil anos. Mas o que importa é o peru do Natal e o ho-ho-ho de um Papai Noel gigante na praça.
VIII – EU RECOMENDO: DEUS!
Todos que me conhecem sabem que não professo nenhuma religião (apesar de ter sido batizado em duas (a Católica Ortodoxa Grega e a Católica Apostólica Romana). Acho que as religiões institucionalizam a fé, que é inerente de todo o ser humano. Desde que o homem é homem, sente a necessidade de se apegar a alguma crença, seja ela científica ou espiritual. Aí surgiram as religiões, que tentaram organizar isso tudo e se tornaram corporações perigosas através de suas igrejas hipócritas.
Quando faço esse discurso logo me chamam de ateu, herege, filho do demônio e por aí vai…rsrssr Tenho minha fé baseada no empirismo científico do ser humano e não preciso de nenhuma religião para me dizer como devo me comportar. Mas respeito quem acredita nelas, afinal cada qual tem que ter o livre arbítirio (um dos dogmas da fé cristã) de escolher para onde vai…
Há alguns meses, descobri o trabalho do cartunista Carlos Ruas Bon que mantém um site – atualizado quase que diariamente – com tiras satíricas de seu personagem Deus (e suas criações Adão, Eva & Cia.). Ele consegue assim, de forma divertida, fazer os mesmos questionamentos que sempre fiz sobre as religiões. Virei um seguidor seu (um apóstolo de Ruas…kkkk). Todos os dias entro no site, como milhares de pessoas Brasil afora, para acompanhar sua picardia em quadrinhos. Até o diabo de Ruas não é como o pintam… kkkk
Fui até à primeira tira em quadrinhos (já são 45 páginas de humor virtual) postada em 26/11/2008 e acompanhei a evolução de suas piadas. É de morrer de rir. Ele humaniza a figura de Deus colocando-lhe defeitos e virtudes com muito nonsense, ridicularizando dogmas impostos por todas as igrejas que acabam afastando as pessoas das religiões, já que da fé é impossível se afastar.
Carlos Ruas ao mesmo tempo que desanca com todas as religiões (principalmente as cristãs), acaba nos fazendo adorar a figura de seu personagem divino que até já virou boneco de pelúcia e dezenas de outros produtos de merchandising (seria o Ruas um “vendilhão do templo”? kkkk) que são consumidos por milhares de fãs virtuais, inclusive mostrando o deus de pelúcia através de fotos nos mais longínquos cartões postais ou nas mais inusitadas situações.
Va lá e confira, desde o começo, para entender a sacada do artista! (https://www.umsabadoqualquer.com/)
IX – Deus e os telefonemas de Adão…
Já o Rob Gordon é publicitário por formação, jornalista por vocação e escritor por teimosia. Esse é o resumo de sua descrição no site Papo de Homem, do qual sempre recebo textos interessantes sobre diversos assuntos.
Rob sempre apresenta textos hilários sobre fictícias conversas entre Deus e sua primeira obra, Adão, forma que usou para debater temas da atualidade brasileira com humor sarcástico. Para ler outros textos sobre a saga de Deus e Adão, entre neste link: https://papodehomem.com.br/author/robgordon/
X – E pra finalizar, uma pérola de Mário Prata sobre o Natal:
Jingle Bell pra vocês
Não gosto do Natal. Não chego a odiar mas não gosto. Nunca gostei. Desde pequeno, no interior. Papai Noel sempre me assustou. Gostava de preparar a árvore com dias de antecedência, apesar de não concordar em colocar algodão para “simbolizar” a neve. Gostava de imaginar os presentes. Aliás, não gosto nem de dar e nem de receber presentes em datas certas. O presente é bom quando você não espera. No aniversário, Natal, Dia da Criança, depois Dia dos Pais, acho um saco de Papai Noel. O presente, conforme a palavra em si se explica, é uma presença. Portanto, não pode ser datada. Não deve ser uma obrigatoriedade.
Além de não gostar do Natal, em alguns aspectos, ele chega a ser irritante: Em vários aspectos. Senão, vejamos:
— Quer coisa mais irritante durante o mês de dezembro do que ir a um barzinho ou restaurante, de noite, para tomar um chopinho e ter, ao seu lado, aos gritos, berros e urros, uma “festinha da firma”, com risos histéricos, discursos profundos e etílicos do “chefe”, gozações com a “gostosa” da firma e a indefectível troca de “amigos secretos?” Por que gritam tanto nas “festinhas da firma?” E quando você vai ao banheiro sempre tem um ou dois funcionários burocraticamente vomitando. Como se vomita no Natal! Principalmente os bancários.
— E o “amigo secreto” então? Já notaram que sempre sai para quem não é nem muito amigo e muito menos muito secreto? E você passa o mês inteiro tendo que imaginar o que vai dar praquele chato. Se o “amigo secreto” já é uma relação constrangedora na firma, em família então, nem se fala. Em primeiro lugar, porque dois ou três dias depois do “sorteio”, todo mundo já sabe quem é o amigo de quem. Você já sabe pra quem vai dar e de quem vai receber. Essas informações sempre vazam no seio familiar. Sempre tem uma irmã que sabe de todos, ninguém sabe como. E você que torceu para não sair aquela prima fofoqueira, pois é justamente com ela que você vai se abraçar logo mais. E dizer todas aquelas frases. Todas, são insubstituíveis.
— E as propagandas de Natal? Existe coisa mais horrível que este bando de gordos com brancas barbas, puxados por veadinhos? A publicidade brasileira é uma das melhores do mundo, perdendo talvez apenas para a inglesa. Mas, chega o Natal, baixa o “espírito natalino” nos criadores das agências e dá no que dá. Eles não conseguem (há 1.994 anos) fazer um único anúncio sequer decente nessa época. São constrangedores, amadores, dignos de um Papai Noel de mentirinha. Tem uns, mais “criativos”, que até neve têm, debaixo dos 40 graus de dezembro.
— E aqueles Papais Noéis que vão de casa em casa e os pais obrigam as criancinhas a dar beijo naquele sujeito imenso, barba descolada, sapatão de militar, já meio bêbado depois de passar em várias casas de amigos e parentes? As criancinhas esperneiam, não dormem semanas seguidas, sonhando com aquele monstro que o pai fez beijar. Meu Deus, é um outro pai que eu tenho?, devem pensar os pequenininhos da família. E o monstro ainda diz “coisas” para os indefesos, presos nos braços do pai ou da mãe, quiçá da avó: este ano, não vai fazer malcriação, vai comer toda a papinha, não vai mentir e nem fazer xixi na cama, viu, Rony? Coitados.
— Mas o pior mesmo é a ceia, propriamente dita. Com o passar dos anos, a família vai crescendo e de repente já são quatro gerações que estão ali, de olho no peru. Umas 50 pessoas. E ali dá de tudo. Cunhados que não se falam, a velhinha que não escuta os planos do asilo, o fulano que está falido, coitado, a prima que está dando para um sobrinho, aquele casal que está separado mas que, no Natal, baixa o “espírito” e eles comparecem juntos. Todo mundo sabe que se odeiam. Mas é Natal. Aquele tio que deve tanto para o seu irmão também está lá. Mas é Natal. E a irmã que não pagou a trombada que ela deu com o carro do tio-avô? Tudo é permitido. Afinal, é Natal. Nasceu quem mesmo? Jesus, não foi? E, por isso, à meia-noite, todos dão as mãos e rezam (des)unidos. E, para terminar: existe música mais chata que Jingle Bell?
Já o Reveillon, é o maior barato. É quando tomamos o porre para tirar e esquecer a ressaca do Natal. Mas não adianta. No ano que vem, tem outro Natal.
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* É jornalista tapajônico. Escreve todas as semanas neste blog.
Jota, seus textos são maravilhosos.Sou fã da sua fluência com as palavras. Sobre o natal elas me fazem refletir e confiar no lado cheio do copo. Não me importo com o valor mercadológico com que muitos encaram a data, mas com a atmosfera deliciosa de família e com a transformação que acontece a cada ano no fundo do meu coração. É a crença de cada um que dá os contornos do que é Natal.
Obrigado, Romy! Que um dia possamos sentir esse “natal” todos os dias…
Obrigado, Tatiana. Não esquece do meu presente secreto… kkkkkkk
Jota,
Muito Bom !
E dado que estamos em clima natalino, vou aproveitar sua carona para acrescentar algo “irreverente” meu á sua bela reflexão.
Não há, claro, evidencias cientificas que possam provar a existência de Jesus, mas também ficaria maravilhado se fosse o contrário. Fatos historicamente ocorridos a mais de 2 mil anos, se tivessem provas cabais, seria algo de inacreditável mesmo.
Mas acredito que a questão não é essa.
Portanto gostaria ressaltar que pelas poucas provas testemunhais existentes, Jesus, nunca foi a “figura” que as Instituições Religiosas e o “Deus Mercado” nos pintaram e ainda pintam cotidianamente.
Jesus, segundo os relatos existentes, apócrifos ou não, foi um grande Líder Espiritual e Politico, que combateu as Instituições Politicas e Religiosas do seu tempo. Fez isso em nome da maioria excluída, explorada e expropriada do seu Povo.
Jesus foi o grande Herói da sua época.
Sua ação no meio do povo e dos pobres, foi tão contundente (eu diria “revolucionaria”) que as mesmas Instituições que dominavam seu tempo, resolveram prende-lo, tortura-lo e assassina-lo daquela forma tão cruel.
Jesus cumpriu seu papel de “revolucionário” da época (Marx o definiu como o primeiro “comunista” da história) e como um revolucionário viveu e morreu, vitima do poder imperial e sub-imperial de sua época.
Hoje as Instituições Religiosas o “pintam” como alguém que se “sacrificou” por nós, e não como alguém que foi “sacrificado” de forma brutal por “eles”. O torturaram e mataram publicamente para mostrar o que acontece se alguém ousar levantar a cabeça. É dessa forma cruel que as elites se perpetuam no topo da piramide.
Enquanto isso, o “Deus Mercado” a quem as instituições politicas e religiosas servem, o transformou em mais um “produto” mercadológico, lucrando sobre o “calendário” religioso e seus derivativos símbolos (Natal, Pascoa, etc…etc…).
Fizeram isso com Jesus…. Se apropriaram dele…. o tornaram bonzinho, inofensivo e lucrativo…. como fazem e fizeram com inúmeros rebeldes e revolucionários que pisaram nesse nosso mundo.
O ultimo, foi Nelson Mandela, pintado pela mídia e pelas instituições dominantes, como alguém que nunca foi, uma especie de Pelé africano, mas ele era e sempre foi um “revolucionário” e “comunista” declarado, que passou a vida toda lutando (inclusive com armas) contro esse mundo injusto desigual e cruel.
Jesus existiu sim, e continua vivendo nas mentes e corações de quem acredita que mudar esse mundo é possível
Tiberio Alloggio
Bingo, Tibério!
É engraçado quando se discute esse assunto, se Jesus Existiu ou não, pouco importa, se o natal virou festa de consumo, que os Romanos usaram a figura de Jesus, pra acalmar os palestinos, ou que não exista prova de existência de Jesus. Tudo depende do ponto de vista que se analise a questão. Aos agnósticos, é uma grande duvida, aos ateus, e a negativa pela negativa, e pronto, razões filosóficas e ideológicas. Mas não precisamos de um Messias, para fazermos a caridade, pra fazermos o bem, pra cultivarmos a solidariedade, pra pregarmos e vivermos o perdão, pra vivermos o amor de doação ao próximo. Não precisamos ir a igrejas, professar uma fé (ópio do povo), nem ler livros sagrados, nada disso importa, a essência da natividade está em cada um de nós, fazer o bem sem olhar a quem, amar o próximo como a si mesmo, perdoar aqueles que te oprimem, que te caluniam, que te ofendem, é nato do ser humano, você não precisa de um preceito religioso, pra fazer isso, é seu, você faz ou não, pouco importa, se é NATAL, CARNAVAL, ANO NOVO, CINZAS, seja lá qual o motivo pra fazer esses atos, é exclusivamente seu, você e você mesmo, e se o NATAL virou consumo, festa, desperdício, pouca importa, se a Mensagem da Natividade, estiver presente em nossos atos, então todos os dias será sempre dia de NATAL, dia da natividade….
Lucas, de certa forma esta é a essência do meu artigo. Melhor do que darmos qualquer conotação religiosa aos nossos, é mos acreditarmos humanos e humanistas. Passíveis de erros e acertos, sem a necessidade da expiação de nossos “pecados” por igrejas que nunca representarão nossa fé no maior deus que existe: nós mesmos.
ESSA E A PALAVRA HUMANISTA, sem hipocrisia, sem falsos padrões de moral, a palavra e HUMANISTA, sem culpa, sem pecado, feliz, por todos os nossos atos, essa é a essência da natividade. humanista.
Concordo! Há pessoas religiosas ou ateias bondosas ou más. Hitler era cristão. O José Mujica, do Uruguai, homem bondoso e simples, é ateu. Tem mais espirito cristão, como dizem os católicos, que muito carola por aí…
Muito bom seu artigo!
Os links indicados também são ótimos.
Cara, os crentelhos vao te matar! Alguns estudiosos vao alem, dizendo que Jesus nao existiu, mas foi uma criacao dos romanos para acalmar os palestinos. De fato, nao ha nenhuma prova concreta da existencia de Jesus.
Muito bom o seu artigo! Soh lamento que recaias no lugar comum de dar uma conotacao negativa ao termo ateu.
Guy acho que confundistes minha ironia com depreciação do ateísmo. No fundo todos somos ateus quando nascemos e continuamos sendo, mesmo quando adotamos uma religião. Afinal, quem escolhe um deus geralmente renega os outros deuses, o que faz de si um sujeito eternamente “meio ateu”…rs
Mas sou ateu, graças a Zeus… rs