Parei de escrever. Por Alessandra Helena Corrêa

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Parei de escrever. Por Alessandra Helena Corrêa

Não, não escrevo com o intuito de avisá-los sobre uma decisão. Trago, na verdade, uma explicação para essa pausa literária.

Diferente do que muitos imaginam, escrever não é um ato natural, tampouco inato a qualquer letrado do universo acadêmico. Escrever é, na verdade, uma escolha – e, sobretudo, uma prática de muita insistência.

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Diante de uma folha em branco, há um mundo a ser decifrado, verbalizado. No dicionário? Milhares de verbetes prontos para serem explorados, combinados, rimados, escritos. Na cabeça, as ideias são centenas – e intensas. Mas não basta.

A escrita também não flui apenas do humor ou dos sentimentos. Um dia ruim tanto pode inspirar quanto bloquear a arte. Um dia feliz, por sua vez, nem sempre resulta em bons textos – pelo contrário, às vezes até nos faz esquecê-los.

Mas o que nos faz escrever? Eis o mistério da existência.

A rotina da escrita começa com o sentar à mesa, refletir sobre o vasto leque de possibilidades e se entregar a um esforço insistente. Num segundo momento, o conhecimento torna-se indispensável: conhecer a língua, ter repertório de escrita, leitura de mundo, com um toque de cultura universal.

Por fim, é preciso contar com os bons ares do momento e juntar tudo isso de maneira que faça algum sentido.

Um ponto aqui, uma vírgula ali, um travessão para umas aspas. Ler, reler… pronto. Agora é só libertar o texto e deixá-lo falar com o leitor.

Até porque, antes de tudo, escrever é uma longa – e infinita – conversa.


Alessandra Helena Corrêa, santarena, é graduada em licenciatura plena em Letras (Ufopa). Faz mestrado atualmente em Estudos Literários, Culturais e Interartes na Universidade do Porto, Portugal, onde reside. No Instagram: @alehhelena

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