
Sem a realização do Festival Folclórico de Alenquer (PA) a partir de 2002 e sem movimentação das duas agremiações em outros eventos culturais, o carnavalesco e artista plástico Paulo Sérgio Sampaio percebeu a necessidade de voltar a movimentar a cidade com os eventos que eram realizados antes.
Diante disso, Paulo Sérgio, que também é costureiro, estilista e artesão, teve a ideia de criar um terceiro grupo folclórico. O novo grupo foi criado oficialmente no dia 2 de maio de 2015. A primeira reunião feita no quintal da casa de sua mãe, situada à travessa Arnaldo Moraes, nº 855, quase na esquina com o beco Santa Isabel.
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O grupo foi denominado de Agremiação Cultural Ecológica Manuer Matuto (ACEMM). A ideia do nome “Manuer” surgiu por se procurar um nome caipira, que tivesse alguma relação com o “Zé”, que já era utilizado no nome do grupo folclórico Zé Matuto.
Desafio de Luluca
Outro motivo da criação foi também um desafio que Paulo Sérgio fez ao artista plástico Lucivaldo Viana, o Luluca, da agremiação luandense, de resgatar os eventos culturais que Alenquer tinha no passado, já que em meados da década de 2010, o grupo Matutando em Férias não topava disputar, enquanto o Zé Matuto sempre instigava o velho rival para um confronto num evento folclórico.
Como o grupo do Aningal não se movimentava para aceitar o desafio, foi necessário que algumas pessoas do bairro tivessem a atitude de criar a nova agremiação para que se fizesse voltar os movimentos folclóricos, reacendendo o sentimento que tanto se construiu ao longo de décadas na cidade.
A primeira carreata feita pelos organizadores e torcida do Manuer aconteceu no dia 29 de maio de 2015, por volta de 17h, despertando os velhos torcedores e fazendo com que o “sentimento adormecido” dos veteranos do folclore alenquerense agisse diante da manifestação de um novo desafiante no cenário cultural da cidade.

Mascote de Manuer
O grupo Manuer Matuto adotou a ave cancão (Cyanocorax cyanopogon) como símbolo e mascote, uma ave da família Corvidae, que representa visão extensa. As cores do grupo são azul, amarelo e branco, vistas na sua bandeira.
Os outros elementos adotados e que ilustram a bandeira são: o cajado, que representa a realeza de lendas e mitos; o chapéu, que representa a honra de uma cultura; o sol, que é um elemento central, representando a grandeza de uma luta.
Para a primeira reunião do grupo foram convidas algumas pessoas como Gilberto Sampaio, Edna Marques, Wilza, dona Mariazinha Leitão e o cantor Gil Santos. Depois disso, outras pessoas compuseram a primeira diretoria da agremiação.
O grupo folclórico Manuer Matuto sempre teve muitos objetivos. Um deles era de movimentar o turismo e toda a economia do município através de grandes projetos preparados por todos os centros comunitários do município, buscando apoio através de alianças.
Outra meta era fazer crescer os seguimentos menores da cultura local. O grupo tinha também o objetivo de conseguir cestas básicas para comunidades carentes.
Rasteira de Zé Matuto
Segundo Paulo Sérgio, o surgimento de um terceiro grupo folclórico fez com que o Matutando em Férias voltasse a se reunir, para que o Manuer não tivesse o espaço que estava construindo por conta própria, que sempre pensava no bem da cultura ximanga de modo geral.
De acordo com os seus fundadores, a agremiação Manuer Matuto passou a ser prejudicada pelo grupo contrário em vários eventos que participava ou que realizava. Além disso, o Manuer sentiu-se traído pelo Zé Matuto, que, mesmo aceitando o desafio, não o acompanhou e “deu uma rasteira” no grupo liderado pelo carnavalesco do beco Santa Isabel.
“Zé Matuto tem esse débito conosco, pois nos deram a palavra de disputa, mas nos deram imenso prejuízo por não cumprir o que foi tratado. Fomos avisados antes do festival que o Zé Matuto não iria para a arena conosco, quando nossas alegorias e nossos brincantes estavam todos prontos. Foi um choque!”, lamentou Paulo Sérgio.
O canto das três raças
O artista firmou ainda que no Festival Folclórico de 2015, a Secretaria Municipal de Cultura da época, na gestão do então prefeito Flávio Marreiro, surpreendeu o Manuer Matuto, “jogando-o” para fazer a abertura do festival na primeira noite, para que a disputa principal ficasse somente entre Zé Matuto e Matutando em Férias, que foram colocados juntos na noite principal de apresentação.
Mesmo abalado pela “exclusão” recebida na época, Manuer se apresentou, levando à arena o tema “O canto das três raças”, com suas alegorias e encenações, contando histórias do povo escravizado, desde a captura de pessoas na África até o tráfico para Alenquer, narrando sobre os quilombos, as religiões de matriz africanas e tantos outros assuntos relacionados à temática.
O grupo folclórico Manuer Matuto, atualmente com mais de 10 anos de existência, embora tenha se afastado dos eventos culturais por longo tempo, possui CNPJ ativo, tendo também ata de fundação, estatuto social, entre outros.
“O Manuer Matuto voltará logo, logo para Alenquer, com outra formalidade, atuando pela união da comunidade, lutando pela igreja católica e mobilizando ações nas escolas municipais por meio de projetos e gincanas com premiações e arrecadação de recursos para essas instituições de ensino”, afirmou o artista.

Fonte:
- Entrevista fornecida por Paulo Sérgio Sampaio, artista plástico e carnavalesco
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