Por R$ 600 mil, a UFPA (Universidade Federal do Pará) foi contratada pela CDP (Companhia Docas do Pará) para realizar um serviço em Santarém.

A instituição comandada hoje pelo reitor Carlos Meneschy vai implantar um programa de salvamento arqueológico de um dos sítios (o PAST-42) localizado na área do porto de Santarém, no km 0 da rodovia Santarém-Cuiabá.
A UFPA tem 12 meses para concluir esse serviço, cujo convênio entre as partes foi assinado na quarta-feira (30), em Belém.
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Jeso,
Essa noticia se é verdadeira é lamentável. Mostra mais uma vez que o patrimônio histórico da memória do nosso povo não possui valor nenhum face as investidas do capital na região. Ora, se a área é um sitio arquelógico deverá ser preservada e tombada como tal. Aqui, os que chegam, decidem aleatoriamente que o melhor processo é o salvamento através de escavaçações. E a Universidade que deveria ser a instituições perto do povo para fazer o diálogo, é a primeira a adotar um processo metodológico arbitrário sem considerar a opinião dos que sempre moraram ali. E por que não é a UFOPA, a nossa universidade? Por que é a UFPA? Não há algo de errado nesse processo?
Não tenho certeza, João Paulo, mas acredito que a UFOPA, ainda engatinhando, não tem know-how para esse tipo de trabalho. Seria bom, dado que o blog é muito acessado na UFOPA, que alguém de lá, ligada à área de Arqueologia, pudesse se manifestar e nos tirar essa dúvida.
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A Cargill prepara novo ataque, agora contra a comunidade do Laguinho
Na manhã desta quinta-feira (01 jul. 2009), um grupo de pessoas formado por moradores do bairro do Laguinho e membros da FDA compareceu ao Ministério Público Federal para levar ao denunciar aos Procuradores da República as mais novas práticas ilegais e arbitrárias da empresa Cargill na área do porto de Santarém.
Os representantes da associação de moradores do Laguinho foram informados, em uma reunião “quase secreta”, pelo gerente da Companhia Docas do Pará (CDP), Celso Lima e pela arqueóloga Denise Schann, que a área da Vera Paz seria ocupada a partir deste dia 01 de julho por uma equipe de pesquisadores que dariam início aos trabalhos preparatórios para as escavações de “salvamento” dos artefatos existentes no lugar e, por este motivo, os moradores não poderiam mais utilizar a área para suas atividades de lazer. Anunciaram também, na oportunidade, que após os trabalhos arqueológicos, toda área da Vera Paz seria destruída para dar lugar à obras de ampliação das instalações da Cargill, um grande estacionamento para as carretas abarrotadas de soja e para um enorme silo com capacidade para armazenar cerca de 90 toneladas de grãos. A equipe de estudiosos, obviamente, também recebe financiamentos da multinacional para realizar seus trabalhos de “salvamento”.
A Vera Paz, como os santarenos bem sabem, para além de ser um sítio arqueológico, é um patrimônio histórico e cultural do povo. O lugar é usado regularmente por milhares de pessoas em torneios esportivos, em atividades de recreação escolares, em promoções beneficentes da comunidade, enfim, trata-se de um dos únicos e últimos locais de interação e reforço dos laços de solidariedade social no espaço urbano. E tudo isto corre o risco de acabar do dia pra noite. “Aí sim é que o Laguinho vai acabar de vez” – afirmou (Lucélia), moradora e membro da associação do bairro. E tudo isso em benefício de quem? Do povo do Laguinho? Dos estudantes do colégio Pedro Álvares Cabral? Dos poetas que cantaram uma Vera Paz se tornará concreto?
Para a FDA, está claro que a CDP, que se intitula “dona” do lugar e que prometeu cercar a Vera Paz com seguranças armados, não está interessada na preservação dos vestígios arqueológicos das sociedades amazônicas, mas sim em garantir os interesses da Cargill de quem recebe grandes quantias em dinheiro pelo arrendamento da área. Eis a grande beneficiada com a expulsão do povo da Vera Paz, com as escavações da Dra. Schann – que parece interessada mesmo em receber financiamento para suas pesquisas, venha o dinheiro de onde vier! –, com a futura destruição dos bosques, da praia que ainda resta, da memória e da cultura local.
Ela mesma, a Cargill. A multinacional da exportação de grãos que se instalou ilegalmente na região através da força econômica e da estratégia do fato consumado e que foi condenada pela justiça a apresentar um Estudo “Prévio” de Impacto Ambiental quase 10 anos depois de sua instalação! Até hoje esse estudo não foi apresentado e não foi realizada audiência pública com a sociedade, mas isto não é um obstáculo para que a empresa continue trabalhando eficientemente por seus interesses. Já que a Cargill, ela mesma, não pode abertamente escorraçar o povo da área e construir o que ainda quer ao arrepio da lei, por estar acossada por uma sentença judicial, financia quem o faça, se associa com outros que tenham interesses convergentes, faz acordos.
Mas o povo está atento! Não vai ficar só assistindo seus direitos fundamentais ao meio ambiente e à paisagem, à cultura, ao patrimônio histórico e ao lazer serem desrespeitados, inclusive com o aval da Prefeitura Municipal que se pôs, ao lado da Cargill e da CDP, a financiar estes trabalhos arqueológicos sem qualquer consulta à população e sem qualquer publicidade. Qualquer coisa feita assim, na calada da noite, debaixo dos panos, deve ser objeto de desconfiança.
Fonte: http://www.portalfda.blogspot.com
Afinal de contas a area da Vera Paz é de responsabildiade da PMS ou da CDP ?