
A multinacional Cargill confirmou, por meio de nota oficial hoje (21), que suas instalações em Santarém (PA) e em São Paulo foram alvo de ações violentas e invasões entre a noite desta sexta (20) e a madrugada de sábado.
A empresa, que enfrenta um bloqueio indígena há 30 dias em sua unidade paraense, informou que suas operações no terminal portuário de Santarém estão integralmente interrompidas e que já possui uma ordem judicial para a desocupação do local.
Pânico e vandalismo
De acordo com a companhia, o primeiro ataque ocorreu no escritório central em São Paulo, onde a fachada do prédio foi vandalizada. Horas depois, em Santarém, o terminal portuário foi invadido pelo grupo de manifestantes que já cercava a portaria de caminhões há um mês.
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O clima foi de tensão: funcionários que trabalhavam no momento da invasão precisaram acionar um plano de emergência e se esconder em locais fechados para garantir sua integridade física.
Eles só foram retirados da área quando houve condições seguras de evacuação. No momento, o terminal segue ocupado e apresenta, segundo a empresa, fortes indícios de depredação e vandalismo.
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Impasse e Justiça
A Cargill reiterou que, embora respeite o direito de manifestação, não possui poder de decisão (ingerência) sobre as reivindicações apresentadas pelos grupos indígenas. A empresa lamentou que, mesmo sem relação direta com a pauta dos manifestantes, suas atividades logísticas na região tenham sido o alvo da ocupação.
Para resolver o impasse, a multinacional informou que está em contato direto com as autoridades de segurança pública para que a ordem judicial de reintegração de posse seja cumprida. O objetivo, segundo a nota, é que a desocupação ocorra de forma pacífica e segura para todos os envolvidos.
Leia abaixo, na íntegra, a nota da Cargill:
“A Cargill confirma que na noite de ontem, 20 de fevereiro, duas ações violentas promovidas por manifestantes atingiram os ativos da empresa. No escritório central da empresa, em São Paulo (SP), um grupo de pessoas vandalizou a fachada do edifício. Horas depois, o terminal portuário de Santarém (PA), que há 30 dias tinha sua portaria de caminhões bloqueada por grupos indígenas, foi invadido pelos manifestantes.
O plano de emergência foi imediatamente acionado e os funcionários que estavam no local, diante da ameaça à sua integridade, procuraram abrigo em local fechado até que pudessem ser evacuados de forma segura. Nesse momento o terminal segue ocupado e com fortes indícios de vandalismo e depredação dos ativos.
Desde o início das ações, a Cargill vem reiterando seu respeito direto à manifestação e a despeito de não ingerência sobre a pauta apresentada, no entanto, segue tendo suas operações impactadas e, nesse momento, integralmente interrompidas.
A companhia, que já tem ordem judicial para a desocupação, segue em contato com as autoridades para que as providências para desocupação sejam tomadas de forma ordeira e segura.”
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