Há vida inteligente fora da bolha do 'macho escroto' e 'patriarcado'. Por Célia Carneiro

“O macho é um acidente biológico: o gene Y (masculino) não é outra coisa mais que um gene X (feminino) incompleto, ou seja, possui uma série incompleta de cromossomos. Por outras palavras, o macho é uma fêmea incompleta, um aborto ambulante, abortado na fase de gene. Ser macho é ser deficiente; um deficiente com a sensibilidade limitada. A masculinidade é uma deficiência orgânica, uma doença; e os machos são aleijados emocionais.” (Valerie Solanas, autora feminista da obra SCUM).


“Eu quero ver um homem espancado até (ser reduzido) a uma massa sangrenta com um sapato de salto alto enfiado em sua boca, como uma maçã na boca de um porco.” (Andrea Dworkin, autora do livro Intercourse)


“A proporção de homens precisa ser reduzida e mantida em aproximadamente 10% da raça humana.” (Sally Miller Gearhart, em “O futuro – se houver – é feminino!, livro que originou a frase “The Future is female”, popular entre feministas).

As frases acima parecem roteiro de filme serial killer, mas NÃO são! Elas foram retiradas de obras que refletem a postura majoritária do pensamento de autoras clássicas feministas.

Célia Ilma *

Numa análise bem crítica, a partir dessas teorias, vemos claramente que o movimento não é um levante em busca “apenas” de igualdade de direitos, mas já nasce deformado desde a sua biogênese, no período que denominamos de protofeminismo e é levado ao radicalismo mais tarde na primeira e segunda onda do movimento.

Mas, como surgiu esse movimento?

O registro das primeiras manifestações de luta pelos direitos das mulheres são divergentes. Uns defendem que o movimento se inicia com a publicação do livro “A Cidade das Mulheres”, por Christine de Pisan, como uma resposta à Cidade dos Homens, de Santo Agostinho.

 

Outros, no entanto, referenciam a obra de Mary Wollstonecraft, Reivindicação dos Direitos da Mulher em 1792 e a obra Declaração dos Direitos da mulher e cidadã, de Olympe de Gouges, em 1791 como o marco inicial do movimento feminista. Ambas nascem e se embasam no contexto histórico e nos ideais da Revolução Francesa.

Espera um pouco que eu preciso abrir um parêntese para registrar que no prefácio de seu livro, Mary Wollstonecraft inicia suas considerações agradecendo ao Bispo de Autun, na Inglaterra, o apoio dado à causa, demonstrando assim, que foi num ambiente religioso (tratado hoje com muita hostilidade pelos militantes!) que ela recebeu respaldo às suas ideias.

Não teve a mesma sorte Olympe de Gouges, na França, uma vez que dias depois de publicada a sua obra ela foi condenada à morte pelos radicais jacobinos, liderados por Robespierre. A revolução não perdoa seus opositores.

No livro de Mary, todo o cerne da questão centraliza-se na crítica aos costumes femininos da época, em especial, a sociedade setentecista. Ela dizia que as mulheres abastadas eram muito infantilizadas, superficiais e superprotegidas e toda a educação que recebiam visava apenas transformá-las em bons partidos.

Também defendia que estas mulheres eram pouco cobradas e muito idolatradas e que somente os homens recebiam uma educação intelectual adequada. Sua obra tecia elogios às mulheres das classes inferiores, porque estas trabalhavam.

Que paradoxo! O feminismo vive a pregar o “mantra da opressão” e a sua co-fundadora diz na obra o inverso: que a condição inferior das mulheres era fruto de seus privilégios e de suas futilidades.

Calma, que eu vou desenhar: as mulheres eram fracas e inferiores aos homens não porque eram oprimidas, mas porque eram superprotegidas!

Mary, diferente de suas contemporâneas, não negava as diferenças entre os gêneros e defendia que cada um tinha suas particularidades, que ambos desempenhavam papéis sociais diferentes e incentivava as mulheres a cuidarem de seus lares.

É sempre bom lembrar que atualmente a doutrina feminista enxerga com maus olhos a opção da mulher em devotar-se ao marido e ao lar, mesmo que essa escolha seja consciente e independente. O que nos faz perceber que na pauta ideológica do movimento não há espaço para donas de casa.

Afirma isso, Simone de Beauvoir, em Sex, society, and the female dilemma. “Enquanto a família, o mito da família e o instinto maternal não forem destruídos, as mulheres continuarão a viver sob opressão [..] Nenhuma mulher deveria ter autorização para ficar em casa e cuidar das crianças. A sociedade deveria ser totalmente diferente. As mulheres não deveriam ter essa opção precisamente porque se tal escolha existir, demasiadas mulheres a seguirão.”

Sabe, você, mulher que está em casa ou não, mas desempenha junto com o marido a virtuosa missão de cuidar dos filhos, educando-os e formando-os para a vida? Para as feministas você é considerada uma criatura limitada, desprovida de inteligência e que não serve para nada.

 

“Ain, nossa que exagero! Não é bem assim!” – conclamarão as militantes. Ah, não? Então veja o que diz Betty Friedan, em seu livro A mística feminina: “Donas de casa são sem sentido… não são pessoas. O trabalho doméstico é particularmente adequado para as capacidades de meninas débeis mentais. Ele aprisiona o desenvolvimento a um nível infantil, falta de identidade pessoal com um núcleo inevitavelmente fraco de si mesmo. Donas de casa estão em um perigo tão grande como os milhões que andaram a sua própria morte nos campos de concentração. As condições que destruíram a identidade humana de tantos prisioneiros não eram a tortura e a brutalidade, mas as condições semelhantes às que destroem a identidade da dona de casa americana”.

Mas, vamos deixar “a opressão dos serviços do lar” para um outro momento. Voltemos a Wollstonecraft. Sua obra faz uma crítica à condição jurídica da mulher após o casamento e defende direitos baseados nos ideais iluministas, entre eles: a educação universal e mista.

Dar educação igual para homens e mulheres faria com que eles tivessem os mesmos interesses, argumenta ela. Por que ela defendia essa ideia? Ela acreditava que as predisposições de homens e mulheres não eram naturais, mas que podiam ser influenciadas pela educação. Ela dizia que os pais eram incapazes de dar às crianças uma educação apropriada, que virtude e grandeza intelectual viriam com uma instrução formal e única.

Apontam alguns autores (e eu desconfio!) que essa teoria foi a semente da ideologia de gênero no movimento. Acreditando nela e pressionada pelas reivindicações feministas, no decorrer de séculos a educação que antes era direcionada para os homens foi se adaptando para dar entrada às mulheres.

Mas será que isso foi capaz de fazer com que as mulheres pudessem preferir dominar lugares que antes eram exclusivamente masculinos?

É claro que não! Passados dois séculos, a ciência vem comprovando isso. Em 2008, a Noruega foi considerada o país com a menor desigualdade de gênero do mundo e mesmo num ambiente onde as oportunidades são consideradas iguais para os dois sexos, ainda assim verificou-se que determinados setores são predominantemente masculinos e outros, quase que exclusivamente, femininos.

 

O resultado do estudo dessas tendências de comportamento originou um documentário chamado “Paradoxo da igualdade”. Está disponível nas principais plataformas de vídeos na internet.

Meninas e meninos (e militantes!), assistam. E entendam de uma vez por todas que sobre esse assunto há vida inteligente na terra além dos textos do Quebrando o Tabu e um vocabulário biológico muito além de “macho escroto” “patriarcado” “tóxico” e “empoderamento”.


— * Célia Ilma Carneiro, santarena, é historiadora, conservadora, cristã e não feminista. Mora em Florianópolis (SC).

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