Quando o poder e o crime são a mesma pessoa. Por Paulo Cidmil
Jair Bolsonaro no poder: “É uma gestão que parece querer nos ameaçar com um retorno da ditadura militar”. Foto: Arquivo: BJ

O governo federal é de uma leviandade sem limites. Digna de crime. Divulgou números manipulados onde inseriu todos os recursos repassados aos Estados como se fossem para o combate a pandemia, incluindo recursos da educação, da saúde, infraestrutura, enfim todos os recursos que é obrigado a repassar ao Estados, determinados pela Constituição.

O governo Federal no ano passado gastou 75,5% do que foi autorizado pelo Congresso para combate a pandemia (segundo relatório do Senado Federal). Esse ano está condicionando o pagamento do auxílio emergencial à autorização do Congresso para que a Lei de Estado de Emergência Sanitária autorize-o a descumprir as regras de responsabilidade fiscal e o teto de gastos, e possa gastar sem nenhum mecanismo de controle.

Paulo Cidmil *

Vem se aproveitando do Estado de Emergência, que o autoriza a quase tudo, e realoca recursos autorizados para o combate a pandemia, quando não são usados, para áreas como infraestrutura visando a reeleição. Ao mesmo tempo, promove uma guerra contra os governadores, disseminando desinformação, fake news e campanhas difamatórias.

Qualquer cidadão, mesmo o mais analfabeto em economia, sabe que quando aumenta a procura e a produção não consegue atender a demanda os preços disparam, isso ocorre com todos os insumos de combate à covid. Mas a milícia digital de Jair Bolsonaro dissemina nas redes que esta havendo roubo, desvios de verbas e todo tipo de irregularidade, criminalizando os governadores em uma campanha aviltante de chacina pública de reputações.

Todos os países do mundo compraram insumos de combate a covid com preços acima dos praticados antes da pandemia, mas no Brasil, da milícia digital de Jair Bolsonaro, isso é roubo. A outra opção seria não comprar nada, como o governo federal vem fazendo com as vacinas, empurrando-nos para uma realidade cada dia mais calamitosa, com mais de duas mil mortes diárias e 300 mil óbitos.

 

Se não fosse suficiente, o governo federal, na pessoa do senhor Jair Bolsonaro, sistematicamente sabota todas as medidas sanitárias de combate à covid, trabalhando contra as únicas prevenções comprovadamente eficazes, como o distanciamento social, o uso de máscaras, os cuidados com higiene.

E vai além: ameaça governadores e prefeitos de não efetuar nenhum repasse de recursos caso decretarem medidas preventivas como restringir a circulação de pessoas ou lockdown. No momento, essas são as únicas medida capaz de conter a propagação do vírus.

Jair Bolsonaro vai colocando em xeque as instituições ao afrontá-las. Depois finge recuar e logo a seguir volta a afrontá-las. Quando não as captura, como fez com a Policia Federal, Conselho Federal de Medicina, Anvisa, parte do Congresso, ao comprar o Centrão com 3 bilhões e meio em emendas. E tenta estabelecer poder sobre as forças policiais ao propor a federalização das policias militares dos estados.

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É uma gestão que parece querer nos ameaçar com um retorno da ditadura militar ao poder, ameaça que até o momento conta com o silêncio cúmplice das Forças Armadas, o que em parte se explica pelos mais de 6 mil postos estratégicos que ocupam na administração federal, que inclui ministérios, autarquias e estatais.

As Forças Armadas, na voz de alguns de seus comandantes, defendem o governo e silenciam diante das atitudes insanas e genocidas de Bolsonaro. Ou tudo isso faz parte de uma estratégia militar de captura do Estado e caminhamos para o Estado de exceção, faltando só o decreto final com a supressão de direitos e o toque de silêncio para as vozes discordantes?

Temos um presidente em permanente atitude criminosa ao estimular o descumprimento de medidas sanitárias que poupariam vidas. Seus filhos envolvidos em atos criminosos, como rachadinhas e gabinetes do ódio. E todos em permanente afronta às instituições.

E vemos agora parte do Judiciário capitular. O que coloca os Bolsonaros acima das leis, do bem, do mal e da Constituição Federal. Enfim, conseguimos virar uma republiqueta de merda.

Os meios de comunicação e as redes sociais do mundo inteiro nos ridicularizam, exibem seu espanto diante de um personagem patético e de alta periculosidade que nos preside. Fruto de um trabalho coletivo do Judiciário, meios de comunicação, interesses externos e do grande capital interno.

Até um aliado de primeira hora, a quem Bolsonaro devota admiração, Benjamin Netanyahu, faz campanha de vacinação em Israel combatendo o negacionismo. Vide o vídeo. Óbvio que por aqui o palhaço que contracena com Netanyahu ganha a cara de Bolsonaro. É exatamente assim que ele é visto mundo afora.

Bolsonaro não quer o fim da pandemia, existe um grau de perversidade em sua personalidade doentia que vem nos comprovando isso quase que diariamente. Ele se apega à pandemia tentando esticá-la até as vésperas da eleição.

Agora sua estratégia é usar a pandemia para continuar atacando governadores  com discursos anticorrupção se apresentando como o político honesto que irá salvar o País. O eleitor desinformado e cansado de ver casos de corrupção nos telejornais, acredita.

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Também irá usar o aumento no valor do Bolsa-Família e o auxílio emergencial como moeda de troca eleitoral. É com isso e mais fake news que pretende se reeleger.

As elites continuarão com Bolsonaro; elas odeiam políticas de inclusão e igualdade, assim como odeiam direitos trabalhistas. Bolsonaro já entregou a economia a elas. É o capital financeiro e os interesses externos que ditam as regras do jogo  na nossa economia, via Paulo Guedes.

Mas ele esta nu enrolado em uma toalha. Precisamos continuar exigindo vacina para que possamos sair às ruas e protestar contra essa família de corruptos falando contra a corrupção. Enquanto isso, vamos tirando a toalha que já mal encobre a sordidez, a canalhice, a mentira e a corrupção que Bolsonaro representa.

Com paciência, vamos mostrando a muitos conhecidos e amigos que caíram nessa cilada que existe um caminho de volta desse pesadelo. Falta pouco, passamos da metade do caminho, 2022 é logo ali.


— * Paulo Cidmil, santareno, é diretor de Produção Artística e ativista cultural. Escreve regularmente neste blog.

Nota do editor: textos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados no espaço "comentários" não refletem necessariamente o pensamento do Site Jeso Carneiro, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

5 Comentários em: Quando o poder e o crime são a mesma pessoa. Por Paulo Cidmil

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  • manuel disse:

    Depois do discurso que o Lula fez ontem, o moleque travesso de rio das ostras, começou a usar máscara, defender a vacina, e se duvidar ele vai aparecer na frente de palácio do planalto fantasiado de “Zé Gotinha”, para conversar com os babacas que ainda o seguem.

  • Mario disse:

    Já levou uma cipoada do Sapo Barbudo, até máscara já tá usando.

  • Edmar Rosas disse:

    Boa análise.

  • Será disse:

    Discurso sem nexo e tendencioso. Discordo, independente de ideologia. Gostou tempo escrevendo

    1. Antônio Silva disse:

      É mesmo?! Talvez fosse melhor (para você) que ele gastasse o tempo (dele!!!) vendo mensagens do gabinete do ódio, não é?🤗