Advogada com contrato na Prefeitura de Barcarena defende Lu Ogawa, irmão do prefeito, no TSE

Publicado em por em Justiça, Pará

Advogada com contrato na Prefeitura de Barcarena defende Lu Ogawa, irmão do prefeito, no TSE
Os irmãos Ogawa, prefeito e deputado estadual. Foto montagem: JC

A batalha judicial movida pelo deputado estadual Lu Ogawa (PP) para censurar críticas do JC ganhou um fato novo nos bastidores de sua defesa: uma das advogadas que assina o recurso enviado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mantém um contrato público com a Prefeitura de Barcarena, cidade administrada pelo irmão do parlamentar, o prefeito Renato Ogawa.

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Pré-candidato a deputado federal neste ano, Lu Ogawa recorreu à corte máxima eleitoral após colecionar derrotas em todos os tribunais do Pará. Ele se ampara em sua principal base política, Barcarena, onde foi o candidato a deputado estadual mais votado em 2022, com 28,95% da preferência local (21.085 votos) — mais que o dobro da segunda colocada naquelas eleições, Ana Cunha (PSDB), que obteve 13,13% (9.564 votos).

A advogada Amanda Lima Figueiredo é uma das que assina o recurso especial (um apelo formal à instância superior) contra o jornalista Jeso Carneiro. Ela possui contrato vigente firmado por inexigibilidade (quando a contratação é feita sem competição de licitação) para prestar consultoria jurídica à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico de Barcarena.

Este contrato foi aditivado (renovado com ajustes) recentemente.

Derrotas sucessivas

Um parecer do Controle Interno da Prefeitura de Barcarena, emitido em 17 de setembro de 2025 e cuja cópia o JC teve acesso, aprovou a prorrogação dos serviços até outubro de 2026. Com o reajuste aplicado, a advogada passou a receber uma remuneração mensal de R$ 26.406,27 paga com dinheiro público do município. Leia a íntegra do documento.

A banca jurídica tenta reverter no TSE as sucessivas derrotas que Lu Ogawa sofreu na Justiça Eleitoral do Pará.

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O imbróglio começou quando o portal JC publicou nas redes sociais textos utilizando a expressão “Ele NÃO” e acusando o parlamentar de “passar pano” (encobrir ou ignorar) para ataques misóginos (de aversão e ódio contra mulheres). O caso de violência política ocorreu na Câmara de Prainha, oeste paraense contra a vereadora Darcy Batista, do mesmo partido dos irmãos Ogawa.

Incomodado com a repercussão, Lu Ogawa processou o jornalista, mas perdeu em todas as instâncias locais. Primeiro, o juiz negou o pedido de liminar (uma decisão provisória e urgente que pedia a remoção imediata do conteúdo). Depois, no julgamento do mérito, o Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) derrotou o deputado por unanimidade (quando todos os juízes concordam e votam igual).

A corte paraense definiu no acórdão (a decisão final tomada pelo grupo de juízes) que a expressão “Ele NÃO” não significa um pedido explícito de voto contra o candidato, e que as críticas não eram fake news (notícias falsas). Os juízes reforçaram que homens públicos devem aceitar um escrutínio mais duro da sociedade e que as postagens estão protegidas pela liberdade de imprensa.

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Banca do jornalista

Diante do fracasso no estado, a defesa protocolou o recurso no início de julho de 2026. O Tribunal Superior Eleitoral ainda não julgou o caso. Nos próximos meses, os ministros em Brasília decidirão se mantêm a vitória do jornalismo assegurada pelo TRE paraense ou se abrem espaço para a censura pedida por Lu Ogawa, cuja defesa é patrocinada pela prestadora de serviços da prefeitura chefiada por seu irmão

A defesa do jornalista Jeso Carneiro é feita pela banca composta pelos advogados Ava Brigida Piza Lisboa, Adriana Osorio Piza e Isaac Vasconcelos Lisboa Filho. Eles sustenta que as postagens não configuravam crime, mas sim o exercício legítimo da liberdade de imprensa e do escrutínio público sobre uma figura política.

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