Ministério Público cobra da Alcoa suspensão imediata da dragagem no rio Amazonas em Juruti

Publicado em por em Juruti, Negócios, Pará, Política

Ministério Público cobra da Alcoa suspensão imediata da dragagem no rio Amazonas em Juruti

O Ministério Público Federal (MPF) enviou, nesta segunda-feira (13), uma advertência formal à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas) e à empresa Alcoa World Alumina Brasil, exigindo a paralisação imediata das atividades de dragagem no Rio Amazonas, na região de Juruti (PA).

A notificação estabelece um prazo improrrogável de 24 horas para que o órgão estadual anule a licença concedida e para que a empresa cesse as operações.

A medida foi adotada após o MPF constatar severas irregularidades no processo de licenciamento ambiental e graves danos socioambientais causados às comunidades tradicionais da região.

Segundo as apurações, as atividades vêm sendo autorizadas pela Semas por meio de instrumentos simplificados e inadequados para o porte do empreendimento, dispensando indevidamente a apresentação de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e respectivo Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (Rima).

Os impactos

Apenas para o ano de 2025, a Autorização nº 5882/2025 permitiu a remoção de até 7 milhões de metros cúbicos de sedimentos. A própria empresa admitiu ao MPF que o volume dragado foi motivado por estratégia logística e comercial, e não por necessidade real de desobstrução do canal para navegação.

Além disso, identificou-se o uso sistemático da técnica de “overflow”, que potencializa drasticamente a turbidez e a dispersão de sedimentos e contaminantes na água, coincidindo de forma prejudicial com o período reprodutivo de quelônios e com a piracema.

Os impactos relatados pelas comunidades afetadas incluem o assoreamento e o fechamento de lagos e igarapés, contaminação da água superficial, anormalidades sanitárias, presença de parasitas em peixes e a destruição da agricultura de subsistência de várzea devido à deposição de um sedimento denominado “esmeril”, resultando no imediato enfraquecimento da renda pesqueira artesanal.

Histórico da Alcoa

O MPF já havia emitido a Recomendação nº 3/2026 em abril, cobrando a anulação das licenças. No entanto, a Semas conservou a autorização.

Em paralelo, a Alcoa contrariou as tratativas em curso e antecipou deliberadamente o início de uma nova campanha de dragagem para o dia 10 de julho de 2026. A operação foi iniciada mesmo com pedidos de suspensão e ações do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), que chegou a ajuizar uma ação cautelar.

No documento, o Ministério Público Federal adverte expressamente o secretário estadual de Meio Ambiente, Raul Protázio Romão, e os diretores e gestores da Alcoa de que a persistência na conduta, cientes das ilegalidades, configura dolo (intenção). O descumprimento das exigências no prazo de 24 horas acarretará a responsabilização pessoal, civil e criminal dos envolvidos, podendo configurar ato de improbidade administrativa e crime ambiental.

As exigências de agora

Além da suspensão e anulação das licenças, o MPF exige que a Semas passe a cobrar estudos ambientais adequados à envergadura da intervenção, incluindo Estudo de Impacto Climático (EIC).

À Alcoa, foi determinado que preserve todos os elementos técnicos para comprovar a extensão dos danos, alertando que a empresa deverá arcar com a inversão do ônus da prova em eventuais reparações por danos materiais e morais coletivos. Caso as exigências não sejam atendidas, o MPF adotará as medidas judiciais cabíveis de forma imediata.

■ Sobre esse caso, leia também: MPF pede anulação de licenças e suspensão de dragagem feita pela Alcoa no rio Amazonas em Juruti.

Com foto e informações do MPF

O JC mais perto de você! 📱

Gostou do que leu? Siga nossos canais e receba notícias, vídeos e alertas em primeira mão:

Sua dose diária de informação, onde você estiver.


Publicado por:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *