Candidatura feminista: Priscila Castro, do PT. Por Regiane Pimentel
Priscila Castro: cabôca da pele preta. Foto: Arquivo pessoal

Regiane Pimentel (*)

Desde quando comecei as matérias sobre as mulheres santarenas na política, eu sabia que teria uma aula de militância e feminismo com algumas, e já estava ansiosa para encontrar Priscila Castro, por que sabia que ela era uma dessas mulheres.

Eu sempre admiro a coragem de quem vem como candidato (a) para qualquer cargo que seja pelo PT. Eu digo isso porque enfrentar o antipetismo que foi instalado em nosso país não é fácil.

 

Depois das últimas eleições presidenciais, o país polarizou, isso é um fato que não dá para fugir, e enfrentar esse sentimento antipetista misturado com fanatismo em tempos de fake news se tornou uma batalha.

A corrupção sempre foi a principal bandeira para desarticular governos progressistas no país, aliada a uma campanha de desqualificação do Estado, com uma bandeira que também tira a credibilidade das instituições jurídicas, assim foi fortalecido o discurso neoliberal pela extrema direita, que chegou ao poder em nosso país.

Claro que falamos sobre isso. Mesmo que a minha entrevistada tenha plena consciência desse fato, ela não se intimida. Disse que já não perde seu tempo falando sobre essa questão, pois a maioria das pessoas apenas quer testá-la quando tocam nesse assunto, pessoas que só possuem ódio no coração e não querem fazer um debate limpo. Por isso, não entra mais nessa armação, e segue fazendo seu trabalho com dignidade.

Importante ressaltar que mesmo com toda essa cegueira política instaurada no país com pitadas de sadismo e ódio, o PT elegeu novamente nas últimas eleições a maior bancada da Câmara, com 56 deputados, sendo 14 novatos.

Priscila Castro tem 31 anos, cabôca da pele preta como se denomina, nascida na comunidade do Carariacá às margens do rio Amazonas, onde viveu até os 12 anos. Cantora, mãe de uma menina linda de 1 ano e 4 meses, formada em Letras, especialista em Língua, Cultura e Sociedade; e mestra em Educação pela Ufopa.

Desde muito jovem ela participava de projetos sociais em sua comunidade, cantava em eventos familiares e assim foi construindo sua militância e empoderamento com os povos indígenas e ribeirinhos.

Priscila e Regiane: ansioso encontro

Sempre esteve envolvida em política, mas como ela mesma me confessou, sempre atuava como cabo eleitoral, organizando eventos, interagindo pelos bastidores. Segundo ela, o PT foi quem a viu como uma líder, como alguém que podia ir além. Foi partido quem realmente percebeu seu potencial e, por isso, decidiu vir por ele como candidata.

Ela me confessou que não se imaginaria de jeito algum em outro partido que não fosse o PT, pois foi através de projetos implantados pela sigla que deu seus passos acadêmicos, se inseriu em projetos e construiu sua carreira. Diz ter uma gratidão linda pelo partido, e isso é para poucos.

Conversamos sobre muitas pautas, e o machismo estrutural foi uma delas. Para nossa entrevistada, esse é um dos motivos de termos apenas uma mulher na Câmara de Santarém, mesmo que sejamos o maior eleitorado.

Nascemos numa cultura que não nos vê como líder, a nós foi reservado apenas espaços domésticos, ficamos na organização dos eventos e na distribuição de sorrisos, ou fazendo o papel da mulher do eleito.

Crescemos ouvindo que política é coisa de homem, e isso também fortalece essa resistência que mulheres têm de não votar em outra mulher. Mas felizmente isso está mudando em todo o mundo, e quando olho para a Priscila tenho plena certeza disso.

Como cantora profissional e professora, ela visa projetos voltados para a educação, para o desenvolvimento cultural de crianças e jovens. Ela sabe da importância dessas pautas na vida dos adolescentes, como isso influencia positivamente no valor individual de cada um deles, principalmente para quem mora na periferia.

Priscila estudou a vida toda em escola pública, fez cursinho popular, fez faculdade pública também, por isso a educação é a sua grande aposta.

 

Sua plataforma está voltada para quatro segmentos importantes: políticas para mulheres e crianças, educação, política cultural e ações afirmativas.

Como disse no início do artigo, eu estava ansiosa com esse encontro. Para mim, como mulher e feminista, foi magnífico poder ouvir essa mulher. Difícil mensurar o quanto aprendi nessa tarde sobre militância e lugar de fala.

Priscila é uma mulher forte, com princípios muito firmes, tem uma história de vida pautada na luta e na coragem, mas isso não a impede de ter um coração meigo. É daquelas mulheres que vai em busca de seus sonhos e não tem medo de alcançar o céu.

Ela decidiu ser vereadora por compreender que as principais decisões e transformações sociais passam pela política. Além do mais, ela entende que precisamos de parlamentares que representem verdadeiramente o povo que está à margem das políticas públicas.

É necessário e urgente que tomemos nossos espaços de poder e decisão, que nos foi negado durante décadas.

Eu gostaria de vê-la ocupando uma cadeira na nossa Câmara Municipal, sem dúvidas precisamos de mulheres como ela para nos representar, criando políticas que atinjam a todas nós, independente de onde estejamos.

Por isso eu, e o Blog do Jeso desejamos todo o sucesso do mundo para vc, Priscila Castro.

Priscila Castro tem 31 anos

— * Regiane Pimentel é bacharel em direito, feminista e ativista social. Reside em Santarém (PA). Escreve no blog sobre feminismo.

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Um comentário em: Candidatura feminista: Priscila Castro, do PT. Por Regiane Pimentel

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  • Juliano Mota disse:

    Uma mulher de fibra que irá representar com competência e respeito as comunidades tradicionais, as mulheres, e outros povos que historicamente vivem à margem da sociedade. Votar na Priscila é um gesto de luta pelas desiguladades sociais, é a busca de uma nova forma de fazer políticas e políticas públicas. É acreditar e sonhar. Sucesso para todos nós.