Agora no PCdoB, mas sempre um sonhador

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Jota Ninos, agora no PCdoB48 anos a completar no próximo mês, o jornalista Jota Ninos (foto) acaba de se filiar no PCdoB. Assinou a ficha de filiação ao partido com os mesmos propósitos que o levaram a ingressar no PT em 1982: fazer mudanças.

Não conseguiu o que sonhava no partido de Lula, embora tenha ficado por lá 25 anos. Mas nem por isso, enterrou seu sonho. Quer torná-lo realidade agora na nova agremiação.

– Quero ajudar a construir no PCdoB a filosofia de um partido de massas, como era o PT, consolidando a criação das chamadas OB´s (Organizações de Base), que têm a mesma filosofia dos Núcleos de Base que o PT abandonou após chegar ao poder – disse ele em entrevista ao blog.

Candidatura em 2012? Não. Essa não é a obsessão dele. Deseja, sim, abrir o leque de opções aos eleitores santarenos insatisfeitos com os grupos Maia e Martins, que há mais de 15 anos se revezam no poder neste município.

Filho de um grego com uma paraense, divorciado há um ano, pai de 4 filhos, avô de duas netas e duplamente alvinegro (Botafogo e São Raimundo), Jota Ninos na entrevista abaixo fala sobre o seu passado petista e o presente e futuro comunista.

Que as motivações o levaram decidir pela volta à política partidária?
Jota Ninos – A política entrou no meu sangue desde a adolescência, quando passei a participar do grupo político que viria ser o embrião do PT em Santarém, nos anos 1980, assim que cheguei aqui. Aos 18 anos, já era membro do Diretório Municipal e integrava a Comissão de Formação Política do partido. Aliei minha capacidade de comunicar à vontade de mudar a situação que o Brasil vivia, ainda no final da ditadura militar. Mas comecei a romper com o grupo monolítico que comandava o PT à época, a “Corrente” (hoje dividida nos grupos AS – Articulação Socialista e PT Pra Valer), ao tentar formar uma tendência, com 10 companheiros, que lutou contra o chamado “centralismo democrático” (típico de ditaduras stalinistas, que precisavam ter o pensamento único) tendo entre eles os professores Anselmo Colares e Gilmar Pereira e o jornalista Dornélio Silva, entre outros. Por causa disso, fomos sempre marginalizados dentro do partido, mas mesmo assim continuei no PT e cheguei a aceitar ser candidato a vereador em 1992, sem sucesso. Me desliguei do diretório e quase não participava mais das atividades do partido, até surgir o chamado “escândalo do Mensalão”. Foi a gota d’água pra eu sair do PT, em 2007. Mas a vontade de militar continuava e agora me acho mais maduro para retornar à organização partidária, do que simplesmente fazer o papel de jornalista e analista dos bastidores políticos. Isso não significa buscar simplesmente uma candidatura. Ser candidato é consequencia do trabalho que se fizer. Sempre trabalhei melhor nos bastidores e quero contribuir assim como secretário de Imprensa do PCdoB, e colaborar com a secretária de Formação Política, Maruza Rodrigues e com o secretário da Juventude, Daniel Fernandes, que aceitou entrar no partido comigo. Além do daniel estou trazendo outras pessoas para o PCdoB, que acreditam nas ideias que pretendo implantar. Muitas surpresas ainda serão anunciadas até o final de setembro.

Por que essa volta através do PCdoB e não do PT, onde estão as tuas origens políticas?
Jota Ninos – Apesar de ser aliado do PT, o PCdoB (até onde sei) não teve nenhum de seus membros vinculados a escândalos de corrupção. Seu único defeito foi sempre ser uma espécie de “filial do PT”, mas o PCdoB vem dando sinais de não querer ser mais apenas um “satélite” do partido. Quero ajudar a construir no PCdoB a filosofia de um partido de massas, como era o PT, consolidando a criação das chamadas OB´s (Organizações de Base), que têm a mesma filosofia dos Núcleos de Base que o PT abandonou após chegar ao poder. E espero que as direções estaduais e nacional respeitem seus documentos básicos que deixam as direções municipais livres para decidir o que for melhor para os seus filiados. Isso significa não haver a obrigação de se ligar ao PT local, já que hoje a família Martins (leia-se Maria do Carmo, Everaldinho et caterva) comanda o partido e isso descontenta todos os seus aliados e até filiados do próprio partido, como Pedro Peloso. O PCdoB quer liberdade para decidir por outros caminhos, que não a submissão aos Martins.

Há quem diga, o sociólogo Tiberio Alloggio é um deles, que não há espaço ainda para uma candidatura de 3ª via à Prefeitura de Santarém. Concorda com essa análise?
Jota Ninos – O Tibério é um grande analista político, mas às vezes contamina seu discurso por ter uma vinculação a setores do PT. Tenho boa relação com ele e já discutimos outras vezes sobre isso, mas ao “carregar nas tintas” contra tudo o que está além do PT e menosprezar a possibilidade do surgimento de novas tendências, Tibério mantém uma visão estrábica sobre a dinâmica da política. Por sua vez, a expressão “3ª via” já foi banalizada, principalmente porque nos últimos 15 anos houve a polarização entre as famílias Maia e Martins. E na luta para acabar com essa polarização, surgiu o PSOL na eleição passada, mas seu discurso ainda não foi bem aceito pela sociedade local. Creio que é possível criar outras alternativas que possam se confrontar com as candidaturas das “famiglias” quer representam a maracutaia e o marasmo para Santarém. Os candidatos dessas “famiglias”, Alexandre Von e Inácio Corrêa, como já disse há algum tempo em outro artigo, serão meros capachos. Cansei de ir às urnas para escolher o “menos pior”. Quero contribuir para que surja algo diferente e isso não envolve nem estas famílias, nem os Corrêa (que representam a elite santarena desde os tempos do Barão do Tapajós) e muito menos os Rocha (aliados de última hora de quem estiver no poder). Pode ser utopia a 3ª via, mas sem utopia não se vive. O Tibério, como bom militante esquerdista, sabe disso.

O PCdoB sempre esteve atrelado ao PT no Pará, e em Santarém em particular. O partido terá coragem, força para cortar esse atrelamento?
Jota Ninos – Se não tiver coragem será apenas uma das dezenas de siglas de aluguel que o PT e o PSDB/DEM juntaram na última campanha de 2008. O PCdoB é um dos partidos mais antigos e mais tradicionais da história política brasileira. Ele precisa resgatar essa história e saber a hora em que uma aliança, na qual ele é apenas um mero coadjuvante para aumentar o horário de TV, não lhe é benéfica. Na eleição de 2010, o PCdoB estadual ousou em lançar candidaturas a deputado sem se atrelar a outros partidos. Foi o sinal de que o partido quer voltar a ser mais que um mero irmão tatibitate do PT.

Qual a maior crítica que fazes ao governo Maria I e II?
Jota Ninos – A falta de transparência. A prefeita ainda não desceu do palanque (isso ela até faz bem), mas se demonstra um tanto desequilibrada em alguns momentos. Acaba delegando o poder de gestão ao irmão todo-poderoso Everaldo Martins, que toca o governo comprando aliados com cargos, criando secretarias fajutas e conseguindo ser mais fisiológico até que o Lira Maia (se é que isso é possível)! Já disse outras vezes que o governo é ruim com o Everaldo à frente, mas talvez fosse ainda pior sem ele, pois a grande parte de seus integrantes precisa ser tocado como gado pelo “Big Brother”, uma visão orwelliana que me assusta. Por conta disso, problemas de gestão como a infra-estrutura, que não são fáceis de resolver, acabam transparecendo ainda mais pela inércia. Mas a falta de transparência não nos deixa ver se existe algo além da pura incompetência de gerir. Espero que um dia a gente não encontre esqueletos nos armários, quando os Martins forem desalojados de seu feudo…

Se naufragar o projeto do PCdoB de lançar ou apoiar uma candidatura de 3ª via, quem achas que é melhor para o partido apoiar: Inácio Corrêa ou Alexandre Von?
Jota Ninos – Essa é uma pergunta que é difícil de responder. Eu, particularmente, sempre me relacionei muito bem com os dois, mas infelizmente, tanto o Inácio quanto o Alex são incapazes de não serem subservientes ao Everaldo Martins e ao Lira Maia, respectivamente. Não sei qual dos dois é pior como capacho. Vou defender até o fim que o PCdoB, mesmo sozinho, entre numa campanha para utilizar seu espaço, nem que seja para marcar posição e denunciar a inércia da política local. Uma coisa é certa: em nível nacional o PCdoB não tem como se aliar ao PSDB. Mas se eu for voto vencido por uma candidatura própria ou uma aliança com outros partidos que queiram se desatrelar da “famiglias”, acatarei a decisão que o partido tomar, mas, sinceramente, não me sentirei à vontade de fazer campanha para nenhum dos dois.

Serás candidato em 2012?
Jota Ninos – Sou candidato a ajudar a organizar o partido e construir suas bases para o futuro. Como já disse antes, para mim a política não se resume à candidaturas. Isso deve ser consequencia de um trabalho. Quero ver um partido que tenha sede funcionando todos os dias, que esteja presente na vida da comunidade, que tome a frente de debates como a questão do Estado do Tapajós e não somente que fique filiando qualquer um para apresentar chapas em eleições. A população quer ver partidos ativos, coletivos e não personalistas. Não quero construir um partido do Jota Ninos, e sim contribuir para que partido tenha vida própria. Se eu conseguir fazer metade do que sonho, ficarei satisfeito.


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30 Responses to Agora no PCdoB, mas sempre um sonhador

  • Seja bem vindo Ninos, sou atual presidente do PC do B de Mojuí, sou filiado no partido desde 88 ainda quando morava em Manaus, hoje me considero paraense, precisamos mesmo fazer essas mudanças que vc anunciou, conto com vc abraço!

  • Parabéns Ninos, se faz necessário que população saiba que o partido tem vida própria no municpio e sua entrada vem ajudar a dar mais divulgação ao partido, porém é preciso que todos os leitores do blog saibam que o partido não é apenas o J. NINOS, que hoje congta com um quadro de pessoas atuantes e sem vaidades pessoais, Ninos seja bem vindo mas evite a exposição que possa caraterizar um desejo pessoal do Ninos de se contrapor as forças MAIA e MARTINS, o partido é a coletividade de sua comissao plena, de sua comissão política, seja bem vindo para unir e não desunir, cuidado camaradas o PCdoB ainda é um partido sem tendências.

    José carlos Fraia – Tucurui – Pará

    1. Obrigado, camarada.

      Não é minha intenção fazer esse tipo de exposição, mas em virtude de ser pessoa pública conhecida era esperado que num primeiro momento essa exposição acontecesse. Espero que ela seja positiva para o PCdoB, pois realmente o partido esteve sempre atuando com a participação de camaradas como João Paiva e o atual presidente José Luís Martins.

      O sentimento contra as famílias Maia e Martins no município não é só meu, mas de muitas pessoas que não aceitam mais essa alternância de poder que não contribui com o desenvolvimento da cidade. A própria Comissão Política do PCdoB quando me recebeu, externou essa situação e foi o que me fez aceitar entrar e lutar junto com ela e agora com outras legendas, que aos poucos poderão se juntar em torno desta mesma ideia.

      Meu papel tem sido o de articular estas forças, mas sem a intenção de me expor mais que o partido. Assim que passar essa primeira fase de superexposição – que, volto a dizer, reputo como positiva para a sigla – pretendo me dedicar com afinco para ajudar na consolidação das bases do PCdoB em Santarém, junto com os demais camaradas.

      Mas entendo que sua colocação é importantíssima, para que eu mesmo não me embriague por esse momento e acabe acreditando que estou acima da legenda. Esse é o mal que aflige lideranças partidárias que de repente são picadas pela “mosca azul” do poder. Estar atento a isso pode dar a sobrevida necessária para a concretização de projetos políticos coletivos, quase inexistentes na maioria das legendas.

      Tenho deixado isso claro com os camaradas do PCdoB e estou sempre aberto ao debate com todos. Principalmente por não querer que num futuro se crie o processo de um conflito interno que resulte no surgimento de tendências, um vício que existe na maioria dos partidos de esquerda do Brasil.

      Acredito que esse vício poderia ser até considerado benéfico por contribuir com a pluralidade de pensamentos no interior dos partidos, porém, muitas vezes, torna-se nocivo por se criar um partido dentro do partido. Isso já se viu no PT e se vê em outras siglas de esquerda que, mesmo com poucos filiados, se subdividem em várias tendências.

      Obrigado, mais uma vez pelo alerta, e espero contar sempre com seu apoio.

  • lendo tua intrevista, e fazendo um releitura de tua trajetoria politico partidaria, me vem a pergunta, O QUE ACONTECEU COM O PT?, ou os PETISTAS QUE ESTÃO MUDANDO, COM SEUS DESENCANTOS?

    1. Ser um partido de esquerda defendendo posturas socialistas ou comunistas, é difícil quando se vive num sistema capitalista em que as pessoas não estão preparadas para um debate de novas ideias. Ou mesmo os partidos de esquerda não estão preparados para conduzir esse debate.

      Enquanto o PT esteve na oposição manteve seus princípios éticos e ideológicos, mas ao começar a galgar postos no poder, desde que conquistou a primeira prefeitura de capital (Fortaleza, em 1985), começou a perceber que para se manter no poder precisava da tal g-o-v-e-r-n-a-b-i-l-i-d-a-d-e!

      O problema é que se tem construído isso não em cima de propostas programáticas e sim no jogo do toma-lá-dá-cá de cargos, típico dos partidos de direita (vide caso “mensalão”). Perde-se o foco das questões sociais em alguns casos, ou para compor com elites e partidos conservadores em outros. Ou ainda, tentam se manter a todo custo no poder, inclusive eliminando o debate interno.

      Foi o que aconteceu no governo do Pará com Ana Júlia e sua minúscula tendência DS, e está acontecendo de novo em Santarém, com a família Martins se assenhorando do partido em nome da tendência Unidade da Luta.

      O PT evoluiu em seu debate interno, mas alguns de seus quadros passaram a se lambuzar do mel que não estavam acostumados a provar: o poder seduz. Este é o grande desafio para quem pretende enfrentar uma luta partidária, sem perder seus escrúpulos mínimos e seus princípios éticos e morais.

  • Boa entrevista, sempre que você se manifesta vem coisas interessantes. Já escrevi aqui que o PC do B é muito organizado em sua cúpula nacional, mas em alguns diretórios estaduais e municipais tem coisas feias, em São Paulo o PC do B emprestou um de seus quadros para ser secretário do Kassab.
    Em Santarém, confesso que antes de você e o blog mostrar as fotos não conhecia nenhum comunista. Espero que o PC do B seja uma alternativa positiva e não uma terceira via (não gosto desse termo, lembra Tony Blair) para realmente melhorar a qualidade política e a gestão pública em nosso município
    Um forte abraço,

    Chico Corrêa

    1. Obrigado, Chico!

      A intenção é esta: dar visibilidade que o PCdoB merece por sua história. Entro pra somar. Existem camaradas valorosos lá e com eles espero realmente construir essa alternativa que a população espera acontecer…

  • Como muitos que buscam a visibilidade politica e a realização pessoal, o artigo de J. Ninos expressa nada mais que isso. Jota Ninos será como outros mais um petista militando em outro partido; se o PC do B é um partido satélite que gira na orbita do PT, ele agora vai girar na orbita de Ninos. Para quem não sabe Jota Ninos já foi o cara da comunicação e do marketing de Lira Maia; assim como passou 25 anos commendo no prato que cuspiu (o PT). Esse papo de ir para um partido “puro” sem passado comprometedor é o que conhecemnos na politica como “conversa pra boi dormir”. Nós somos fazedores de história nesta terra; e os partidos são aquilo que fazemos deles; eles são reflexos da nossa imagemn e semelhança; o PT foi ao longo de 25 anos na história de J. Ninos o que Jota Ninos foi ao longo dessa história; ou seja, pouca coisa fez para mudar os rumos da história. Aparecer agora se achando que vai salvar o PC do B do mundo profano é no mínimo a mesma coisa que o critica nos outros; ARROGANCIA. se fosse militante do PC do B me sentiria desvalorizado e diminuido na história do partido. Esses que chegam se achando “o cara” e pensando que a “história começa” com a sua chegada, acabam tendo a mesma postura que outros e, o nome disso chama-se PREPOTENCIA.

    1. Obrigado pela parte que me toca, meu amigo João Pinto. Levarei em consideração o que voc~e disse. Espero que minha “arrogância” e “prepotência” não prejudiquem o PCdoB. Se quiser venha partilhar comigo esta experiência. Talvez você possa me ajudar a não me sentir “o cara”, como alguém já disse aqui…. Só posso lhe dizer como o grande Belchior: “eu sou apenas um rapaz latinoamericano sem dinheiro no bolso…”
      Não me julgue antes de conhecer bem minha história, mas agradeço sua preocupação comigo.

  • Desculpe Ninos! Tenho que te dizer isso, de novo.
    Companheiro, vc sabe da minha admiração pelo seu trabalho criativo e admirável onde se envolve.
    Foi assim quando fundamos o sindicato dos radialistas, no rádio, TV, jornal e agora como funcionário publico. Mas não consigo acreditar, ou até me envolver, em suas ideias políticas. E na sua entrevista ao Jeso concluo, mais uma vez, que vc cospe no prato que comeu.
    Aceite o meu fraterno abraço

    1. Grande Adilson! Um fraterno abraço em você também, velho companheiro de lutas. Nossa amizade está além das ideologias. Respeito sua opinião e espero um dia provar a você que não “cuspi no prato que comi”… rsrsrs
      Quando estiver por aqui vamos tomar umas juntos, eu você o Gordo (eu só bebo água mineral com gás…) e lembrar dos velhos tempos!
      Abraços, onde estiver!

  • Caro Jeso,
    Me impressiono ao constatar que uma pessoa pública de tal grau ainda tenha a coragem de se auto-proclamar “comunista”; será que o Jota Ninos não sabe o que os comunistas fizeram na terra de seu próprio pai? Na Russia, na China, o que fazem em Cuba?! e na Coréia do Norte? A tal “promessa auto-adiável” que menciona o filósofo continua por aí, “aquilo não era (não é) comunismo, comunismo é outra coisa, é a distribuição igual de tudo para todos”, só esquecem de mencionar, como diz a canção, que existem “uns mais iguais que os outros”.
    Deveríamos todos verificar os dados e pensar melhor, uma ideologia que matou mais de 100 milhões de pessoas no mundo no século XX não pode ser defendida como se fosse pura, sacrossanta, o comunismo Gramsciano domina todo o país, o empresariado fica contente com a economia em alta e o “povão” com o Bolsa Família e o MCMV ao mesmo tempo inexiste uma oposição (fundamental numa democracia real) e aqueles que denunciam os desmandos do PT ainda são taxados de “extrema direita” ou “reacionários”.
    Triste.

  • Caro Jeso,
    Me impressiono ao constatar que uma pessoa pública de tal grau ainda tenha a coragem de se auto-proclamar “comunista”; será que o Jota Ninos não sabe o que os comunistas fizeram na terra de seu próprio pai? Na Russia, na China, o que fazem em Cuba?! e na Coréia do Norte? A tal “promessa auto-adiável” que menciona o filósofo continua por aí, “aquilo não era (não é) comunismo, comunismo é outra coisa, é a distribuição igual de tudo para todos”, só esquecem de mencionar, como diz a canção, que existem “uns mais iguais que os outros”.
    Deveríamos todos verificar os dados e pensar melhor, uma ideologia que matou mais de 100 milhões de pessoas no mundo no século XX não pode ser defendida como se fosse pura, sacrossanta, o comunismo Gramsciano domina todo o país, o empresariado fica contente com a economia em alta e o “povão” com o Bolsa Família e o MCMV ao mesmo tempo inexiste uma oposição (fundamental numa democracia real) e aqueles que denunciam os desmandos do PT ainda são taxados de “extrema direita” ou “reacionários”.
    Triste.

    1. Interessante sua explanação, mas meio confusa, Fernando… mas dá um bom debate ideológico… A verve comunista hoje está mais pro socialismo não utópico. Não se pode menosprezar a história do comunismo, nem tampouco os erros cometidos por algumas de suas lideranças. Os comunistas da Grécia formaram a resistência à Hitler na segunda guerra, mas não conseguiram alcançar o poder como ocorreu em todo o leste europeu. mesmo assim, sabe-se que esses países viraram comunistas à fórceps, por conta do domínio stalinista pós-guerra. Muita coisa hoje já foi revisada, mas este espaço é pequeno para se debater esse tema.
      Minha proposta como secretário de imprensa do PCdoB local é exatamente ampliar este debate sobre temas polêmicos, o que pretendo fazer através da criação de um site para esse fim, além das reuniões plenárias onde se pode discutir as várias vertentes do socialismo e do comunismo internacional.
      Espero contar com sua valorosa participação, camarada!

  • A politica partidaria sempre andou ao lado da corrupção

    Olha, respeito é respeito, agora dizer que se desligou completamente do PT por causa do mensalão isso e brincadeira ou pensar que nós somos verdadeiros ignorantes.
    Se o Bené Bicudo fosse vivo, ele iria imediatamente contestar, existem sim favores né JOTA.
    Na politica vc pode não ter cargo, mais tem salario por fora, infelizmete o Bené morreu para o bem de muita gente honesta, mais tem testemulhas que presenciaram muita coisa, que até o Ex-Prefeito Ronaldo Campos duvida, como a quela casa do conjunto do Bairro Diamantino.
    A politica partidaria sempre andou ao lado da corrupção

    1. Que Goró você anda tomando, meu Pajé? Misturou alhos e bugalhos e me deixou sem entender nada. Ao que parece insinua que eu ganhei uma casa no Diamantino? Égua, cadê essa casa que nem eu sei? kkkk Se souber me diga, pois alguém ganhou em meu nome…
      Quanto à sua afirmação de que política anda ao lado da corrupção, é bem verdade que hoje em dia tá difícil separar as duas palavras, mas para todo na vida há sempre o joio e o trigo. Depende de você e de todos nós saber separá-los…

  • Nos 100 anos da combativa esquerda brasileira o maior “produto” foi o acúmulo de forças que culminou com a consolidação da liderança de Luis Inácio (nada a ver com a “inércia” do PT/STM) LULA da Silva e seu 08 anos de governo, como também a eleição de sua sucessora Dilma Roussef. A propalada filiação política desse jornalista e escrivão forense no partido de Prestes promete muito pouco, visto que o mesmo já, num passado recente, acendeu velas ao partido de Lula e em seguida ao partido de Carlos Margalhães.
    Mas…” navegar é preciso…”

    1. Não “acendi velas” pro partido de (Antonio) Carlos Magalhães. Você deve se referir ao fato de eu ter trabalhado como marketeiro do ex-prefeito Lira Maia, então no PFL, em duas campanhas (1996 e 2000), contra a Maria do Carmo.
      Como já disse outras vezes, trabalhei como profissional contratado, sem me desfiliar do PT, mas minha imagem ligada ao partido era tão forte que nunca fui “perdoado” por isso. Até porque não havia o que perdoar. Como profissional da área trabalhei para o PFL, para o PT, para o PMDB e para o PDT, e todas as siglas que integravam as várias coligações.
      Nunca tive vergonha disso. Sempre fui e continuo sendo um socialista.
      Concordo com você: “navegar é preciso”…

  • Conheci o J. Ninos ainda bem jovem, lá por volta do ano de 1978-79. Eu trabalhava como balconista na loja “Mundo dos Tecidos” e ele na lanchonete do seu pai. Como ambos, carregávamos no peito a indignação contra as injustiças cometidas contra os mais humildes e, ao mesmo tempo, a energia contagiante da nossa juventude, não tardou para que nos juntássemos e formássemos naqueles tempos, um grupo de trabalhadores do comércio que veio a se transformar numa associação profissional representativa da categoria e, posteriormente, no sindicato dos comerciários que ainda existe até hoje. Depois militamos anos a fio na construção do PT em Santarém e o resto da história o próprio J,Ninos já andou contando em inúmeros artigos jornalísticos por ele escrito. Hoje, nem eu nem ele possui mais aquela energia da nossa juventude. Porém, ainda continuamos com aquela chama que nos indigna contra as injustiças, as prepotências, as maracutaias, a falta de transparência no trato das coisas públicas. Em troca da energia da juventude que já não possuímos, temos agora a nossa experiência de homens formados na vida e na luta por um mundo melhor. É um imenso prazer ver o J. Ninos de novo na militância político-partidária. Você no PC do B, eu no PT, continuamos unidos como antigamente. Boa sorte, irmão, a luta continua!

    1. Obrigado Pedro,
      Fui seu discípulo nos idos do PT, até o momento que rompemos as relações por discordâncias estratégicas. Hoje temos uma maior consciência de nosso papel na sociedade e capacidade para analisar o passado e dar novos passos para o futuro. Desejo sorte a você, também, na sua luta interna no PT, para que o partido reencontre o seu rumo em nível municipal e estadual.

  • Jota Ninos, você saiu do nada pra lugar nenhum. O que é o PCdoB hoje? Um partido que gira na órbita do PT, o partido que hoje você critica. Então, na minha opinião, você como político é um ótimo poeta, por favor, não se misture aos porcos.

    1. Obrigado, Heleninha. Não deixarei de ser poeta, jornalista, funcionário público. São todas atividades políticas lato sensu. Apenas quero exercer meu direito de me expressar politicamente de uma forma mais efetiva. Sobre o PCdoB acho que deixei clara a imagem que tenho do partido hoje e como quero ajudar a refazer isso. Não tenho raiva do PT, apenas me decepcionei com o rumo que ele tomou em algumas questões. E em Santarém o problema é ainda maior, porque o partido hoje é comandado por apenas uma família. Como disse, vou tentar contribuir para chegar a outros rumos junto com os camaradas do PCdoB, mas não sou nenhum super-herói. Só tempo dirá se estou certo.

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