Poesia. Sem fé

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Aos olhos dele

Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa;
Pelo azul do ar. E assim fugiram
As minhas doces crenças de criança.

Fiquei então sem fé; e a toda a gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!

Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor…
E grito então ao ver esses dois céus:

Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m’encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!

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Florbela EspancaFlorbela Espanca, poeta nascida em Portugal.

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3 Responses to Poesia. Sem fé

    1. Falha, Maralice, porque o amor é superior, ouso dizer isso, à fé. O amor é o céu… em elevação, em arrebatamento, pois é o mor dos sentimentos. Assim também como é o inferno.

      1. Jeso, que lindo conceito de amor. Nessa trilha, concordo, que a superioridade do amor alimenta a fé.

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