Batalhas

Hei de sempre vencer o invisível
Multiplicando o indivisível
Sobre o meu ser imprevisível
Pois a cada vez que me retalho
E fecho os olhos, esbugalho,
Logo a mim me recolho
Dentro de mim me encolho
Quando assim me escangalho…

E quando pronto pra virar geleia
Nos dentes da alcateia
De repente, absorvo,
A essência que pulsa de um ovo
Onde nica outra vida, de novo,
E repinica o cascão da ferida
De um povo…

E novamente me colho
Deixando as barbas de molho
Pois a cada batalha
Meu coração se retalha
Em mil cacos de poemas
Que remonto nas madrugadas
Emendando meus edemas
De palavras suturadas
Que me tornam cada vez mais risível
Poeta do impossível
Lutando por sua eterna jornada…

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De Jota Ninos, poeta amazônico nascido em Belém e naturalizado tapajônico.

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Poeta.

 

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