Os rumores de que a vice-reitora da UFOPA (Universidade Federal do Oeste do Pará), Raimunda Monteiro, deixaria o cargo nesta semana aumentaram consideravelmente nos últimos dias.
Até nomes que cogitados para subsituí-la no cargo foram listados, entre os quais os das professoras Lucineide Pinheiro, atual nº 1 da pasta da Educação em Santarém, e Socorro Pena, titular da Sepaq (Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura) no governo Ana Júlia Carepa (2007-2010).
Lucineide, conforme o blog apurou, teria recusado o convite.
Alcançada pelo blog há pouco, Raimunda Monteiro assim se expressou sobre a sua exoneração:
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– Minha saída é iminente, ou seja, pode ser nesta semana ou a qualquer momento da próxima, mas é o ministro [da Educação, Fernando Haddad] quem determina o momento e quem me substituíra.
Críticas à direção da UFOPA feitas pela vice-reitora em abril deste ano é que colocaram-na no fio da navalha do cargo.
Leia também:
Apoio à vice-reitora.
Efeito acadêmico zero.
a ufopa é um aborto acadêmico !!!!!
Nada disso. A Ufopa foi sendo construída gradativamente desde a instalação do Campus Universitário da UFPA, e posteriormente o Campus da Ufra.
As condições objetivas já estavam postas, faltava apenas uma atitude concreta que viabilizasse os anseio e as necessidades de um coletivo disposto a construir sua própria história, como tantas outras universidades.
As polêmicas instaladas, longe de significar o caos, revelam que se trata de uma instituição com vigor e grandes perspectivas, porque está sendo bem alimentada. E qual o alimento de uma universidade? As idéias, com tudo o que elas comportam de prós e contras. Uma universidade é, por essência, plural. Nela estão desde os que produzem, difundem e defendem determinadas idéias, até os seus mais ferrenhos opositores. Estão os que apóiam e aplaudem governantes, e os que lutam para derrubá-los. Mas, acima de tudo, estão pessoas que se esforçam para conviver de forma respeitosa, mesmo que pensando e agindo de maneira tão antagônica. E é isto que faz da universidade uma instituição tão singular e tão importante para a sociedade. A Ufopa, não esqueçamos, é “filha” de duas instituições públicas federais de ensino superior, e delas herdou alguns excessos burocráticos e autoritários, mas também a capacidade de se reinventar, de superar desafios e de demonstrar que, mesmo estando no interior da Amazônia, reúne profissionais e estudantes que estão sintonizados com as mais relevantes concepções científicas, mesmo que também sejam as mais antagônicas. Sou, com orgulho, egresso do campus da UFPA de Santarém, ex-professor da UFPA, passei por instituições públicas e particulares de outros estados, incluindo São Paulo, Minas Gerais e Rondônia. Continuo ligado a instituições de renome como Unicamp, mas escolhi a Ufopa para devolver a minha cidade e a minha gente o aprendizado que obtive em outros locais. Aqui estou convivendo com outros profissionais que, seguindo outro caminho, escolheram Santarém e a Ufopa para construírem suas carreiras e deixarem suas marcas no percurso formativo de tantos quanto buscam no ensino superior o mecanismo por excelência para a realização pessoal e profissional. E isto implica em ter não apenas uma formação livresca, mas também o aprendizado dos embates, das disputas e da vivência democrática com os diferentes.
Aliás, o Ministro Haddad está muito preocupado evitando a sua demissão para se preocupar com a UFOPA. Hoje o Estadão detonou com o MEC. O Seixas Lourenço é que deve estar de dedinhos cruzados para que isto não ocorra, pois o ministro é um grande protetor que ele (tucano) possui no governo petista. Se o Haddad cair, o Seixas roda…
Um passarinho me contou que o Aldo Queiroz cairia também, como contrapartida pela queda da Raimundinha. Oxalá!
Jeso, não sei por que razão meu comentário saiu como anônimo. Faço questão de assinar. Quem escreveu fui eu, Anselmo, e me coloco aberto para as críticas, sejam quais forem, e de onde vierem.
“Para um partido que sempre lutou pela democracia, pelas escolhas dos dirigentes pelo voto, e pelo fortalecimento da organização da sociedade, ficar como urubu na espreita de um cadáver, é desprezível”. Anônimo, de qual partido você está falando? Não existe no Brasil nenhum partido com as características utópicas acima descritas. Dizer que A ou B lutou pela democracia no Brasil é uma coisa. Dizer que esses mesmos A e B, depois da redemocratização estabelecida, se preocupou em mantê-la, é bem outra. No Brasil, todo partido é partido. A lógica é a do loteamento de cargos, do toma-lá-dá-cá e do revanchismo, mesmo. A UFOPA se estabelece na penúmbra de todas as prédicas da boa democracia. Enquanto não houver legítima escolha dos gestores dessa instituição, todas as atitudes unilateráis vindas de lá não serão mera coincidência com a autocracia e com o desmando. Por enquanto, a UFOPA é o lugar da política e do poder, mas não no sentido weberiano da expressão.
Colega anônimo,
A atual gestão da Ufopa utiliza o estatuto da Ufpa quando interessa, quando não interessa, diz que não tem estatuto.
Obs. o PT democrático ao qual se referiu acabou. O poder acabou com ele. Os melhores nomes desta época foram expulsos ou abandonaram a política.
O poder acabou com o PT? Negativo, o governo federal apenas deu visibilidade aos vicios de um PT que já existia dentro de prefeituras e governos estaduais.
A notícia da exoneração da professora Raimunda Monteiro do cargo de vice-reitora é até previsível, dada a sua postura diante do acirramento das discussões internas quanto ao “modelo” qua a UFOPA seguiu. Mas não é de hoje que ela está desconfortável “na cadeira”, afinal, não era a vice desejada, ela foi praticamente imposta pela governadora a fim de garantir um nome ligado ao PT no alto escalão, e evitar que a nova universidade fosse “administrada” em prol do PSDB. Isto porque, em uma importante pró-reitoria, o ocupante, Prof. Aldo Queiróz, sempre gozou de bons e fortes relacionamentos com vários outros integrantes de antigas administrações da UFPA, e que ocupam a maioria dos mais importantes cargos do primeiro escalão da UFOPA. A reitoria foi montada com uma equipe nomeada em função de suas competências técnicas, mas também para atender às conveniências políticas dos principais grupos que desde cedo se intitularam os pais da nova universidade. Assim sendo, Aldo passou a tomar fortes decisões de natureza gerencial). Entre os tupiniquins, ficaram em posição de menor prestígio, mas ainda assim “acomodados” alguns docentes cujos nomes figuram nos embates históricos mais recentes do campus da ufpa-Santarém, e embora não compartilhando as mesmas convicções, por um bom tempo estiveram juntos no mesmo “projeto de Ufopa”. Aos poucos, alguns foram pulando da canoa quando sentiram que estava “entrando água”, outros, decidiram ficar dentro mas, em lugar de pegar um caneca para tentar esvaziá-la, pegaram um balde e colocaram mais água ainda para dentro. Sem contar nos que estão dentro dela mas remando em posições diferentes. Resultado, a canoa está quase a deriva.
Bom, mas deixando as metáforas de lado, quero finalizar este comentário me fixando no principal aspecto que me moveu a escrevê-lo: trata-se de uma refelxão e ao mesmo tempo uma cobrança quanto a ingerência dos partidos políticos (e de algumas figuras em especial) na gestão da universsidade e, por conseguinte, ferindo de morte sua autonomia garantida na lei.
A vice-reitora ser exonerada é aceitável, por ser AINDA um cargo “de confiança” ocupado por nomeação sem ter o seu ocupante passado pela escolha democrática. Mas daí a ser substituída pelo mesmo ritual … é demais.
Caso se concretize a saída da professora Raimunda Monteiro, e a entrada de quem quer que seja, sem que ao menos seja feito uma consulta interna a comunidade universitária, representará a confirmação de que a UFOPA (suas instâncias decisórias) pouca ou nenhuma importância dão à comunidade acadêmica que a constitui, preferindo entrar no jogo do loteamento político partidário da instituição, em detrimento de uma oportunidade real de ensaiar a democracia interna. Mesmo que se expondo às suas contradições.
A universidade, no seu nascedouro (século X) foi disputada pela Igreja e pelo Estado. Demorou mas conquistou a autonomia. A ufopa é uma instituição nova, mas não estamos na Idade Média (ou estamos?). Por fim, não poderia deixar de registrar uma nota quanto ao comportamento das lideranças do PT que querem “emplacar” no cargo um/a outro/o companheiro/a. Ter feito isto a primeira vez é até aceitável, mas no contexto atual é vergonhoso. Para um partido que sempre lutou pela democracia, pelas escolhas dos dirigentes pelo voto, e pelo fortalecimento da organização da sociedade, ficar como urubu na espreita de um cadáver, é desprezível.
Se a questão é competência técnica, a Raimunda Monteiro tem de sobra. Agora, se por competência técnica se entende “quem é dos meus, chegue-se a mim”, então, é complicado. Diga-me: quem, dos que estão alí, não estão por conveniências do jogo político? Dizer que só o cargo da Raimunda Monteiro foi político é enxergar apenas o que é conveniente ver.
De fato, quem loteou a UFOPA foi o PSDB. Ocupam cargos na administração superior o Seixas, o Aldo (faz parte do diretório de STM) e o Marcos Ximenes (ex-secretário do Almir). E todos eles são visceralmente ligados ao Nilson Pinto e ao Alex Fiúza.