
A morte do papa Francisco, ocorrida no último dia 21 de abril, tem rendido muitas mensagens de ódio, de inveja e de desunião por parte de muitas pessoas que usam as redes sociais, inclusive aquelas que são de outras religiões.
Qualquer texto ou frase sobre o pontífice no Facebook, por exemplo, tem reações de deboche, comentários afirmando que “santo só é Deus” e que o falecido líder católico já estaria “queimando no inferno”. São posicionamentos que arrastam consigo uma legião de seguidores que acompanham essas afirmações, cada vez mais compartilhadas por muitas outras pessoas.
Se afirmam que o religioso priorizou os pobres e marginalizados, defendeu os homossexuais, se posicionou contra as guerras, buscou transparência na Santa Sé e condenou religiosos pedófilos, é chamado pelos comentaristas de comunista.
Ainda vivemos a época que “a internet deu voz a uma legião de imbecis”, como afirmou certa vez o escritor italiano Umberto Eco. E muitos líderes religiosos e políticos se aproveitam disso. Esta imbecilidade está ganhando cada vez mais novos seguidores nas redes sociais, que invadem com frequência publicações, que muitas vezes perdem harmonia, respeito e amor. E o que esses imbecis comentam nessas publicações? A desunião, o desrespeito e o ódio.
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“Instrumento para educar e também para atacar”
Tal imbecilidade ganha força diante de críticos como Steve Bannon, dos EUA, que foi articulador de campanhas contra o papa; o italiano Matteo Salvini, um político anti-imigração, crítico da defesa dos refugiados feita por Francisco, o presidente argentino Javier Milei, que chegou a chamá-lo de “representante do mal”; o brasileiro Olavo de Carvalho, que o acusava o papa de “esquerdismo”; além de cardeais conservadores, como Raymond Burke, que questionavam suas reformas.
Papa Francisco provocou debates que foram muito além do universo religioso, ao falar sobre justiça social e questionar temas sensíveis, que geraram reações polarizadas. Um papa que afirmava ter se inspirado no evangelho de Mateus, especialmente sobre acolher os pobres, os doentes e os estrangeiros, mas que por conta disso tudo era apenas visto como um comunista.
Ao mesmo tempo que algumas pessoas usam a internet (redes sociais, principalmente) como instrumento para educar, para evangelizar e para ensinar coisas boas, outras pessoas a utilizam como arma, atacando alguns e semeando ideias ruins nas mentes de outras.
Em meio a tal situação, muitos internautas acreditam de imediato em qualquer publicação banal e destrutiva, especialmente as de posicionamentos violentos e radicais, sem ao menos essas pessoas analisarem, pesquisarem e terem um melhor e necessário entendimento do assunto.
Esse é um outro problema atual: as pessoas não procuram entender um assunto. Muitas são ignorantes ao extremo e essa atitude, que exige pouco esforço mental, tem tornado a nossa sociedade cada vez mais frágil no modo de pensar e agir quando se trata de respeito entre todos os tipos de ideias e opiniões.
Não, este texto não é sobre o papa, mas sobre como as pessoas se deixam envolver e se tornam marionetes de afirmações que tem como objetivo infestar as mentes com ideias rasas e sem impacto para as vidas das pessoas. E repito: muitos líderes religiosos e políticos se aproveitam disso!


❒ Silvan Cardoso é poeta, cronista e pedagogo nascido em Alenquer, no Pará. Escreve regularmente no JC. Leia também dele: Alenquer, 143 anos: quem come seu acari não quer mais sair daqui. E ainda: Canhoto, o dono do lanche que virou point em Alenquer; vídeo. Assim como: Benedicto Monteiro, 100 anos: saga política e literária.
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SILVAN CARDOSO, nos retrata uma perfeita realidade da internet nos dias atuais, principalmente o lado ruim das redes sociais, que também tem seu lado bom, com instruções e ensinamentos virtuosos, mas infelizmente a disseminação das chamadas fake news causam muita desinformações para boa parte da sociedade.