O machismo da academia não é elogio. É preciso combatê-lo. Por Regiane Pimentel

Neste domingo (22), saiu o meu artigo no blog do meu querido amigo Jeso. Nele, falei sobre os estereótipos a respeito do feminismo. Por uma infeliz coincidência, vejo também no blog uma matéria sobre uma academia em Itaituba, município aqui do nosso estado, chamando o prefeito de “muito macho” por permitir a reabertura da academia em questão.

Regiane Pimentel *

Não estou aqui para falar de política e tampouco para tecer críticas sobre a decisão do prefeito, não tiraria o meu dia para isso. Estou aqui pra falar sobre o machismo estrutural, esse mal disfarçado de elogio.

É preciso compreender que vivemos numa sociedade patriarcal.

O patriarcado é o alicerce da sociedade contemporânea, é uma autoridade imposta ao homem institucionalmente que os colocam acima das mulheres em ambiente domiciliar e em todas as outras organizações sociais. Reforçar esse estereótipo não é legal, não é bacana e nem é tolerável.

 

O machismo faz relação entre os gêneros, especificando assim que as mulheres são inferiores aos homens. O machismo contribui para a desigualdade social no país, tira oportunidades e viola direitos fundamentais das mulheres. Então, é preciso combater esse preconceito e tratá-lo como deve ser, como um mal que ronda as nossas vidas e nos oprime.

Isso não pode ser visto como nenhum tipo de brincadeira. Machismo é uma forma de sexismo, uma vez que é a atitude de discriminação baseada no sexo ou no gênero de uma pessoa, é uma opressão nas suas mais diversas formas.


Machismo é preconceito, gente, e tem que ser tratado como tal


O machismo reforça a ideia da mulher como um ser inferior, reforça a desigualdade de direitos entre os sexos, assédio, altos índices de violência, objetificação da mulher, diferença salarial e muitos outros efeitos. Então, nós não precisamos que isso seja praticado ou reforçado. Esse mal tem que ser combatido.

Eu, como mulher e feminista, repudio a nota da academia, não posso aceitar mais expressões que conotam a violência de gênero. Não vejo elogio nisso e nem mesmo pode ser encarado como um adjetivo. Machismo é preconceito, gente, e tem que ser tratado como tal.

O machismo desqualifica a nossa fala, nossas ideias, nos silencia e nos obriga a ocupar um lugar fixo e desvalorizado. Eu ainda luto por uma sociedade justa, em que o machismo não tenha vez em nenhum espaço. Sabem por quê? Porque o machismo mata gente, sim, ele mata todos os dias.

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