
O tema que o grupo folclórico Zé Matuto levará neste ano à arena do Centro de Eventos será “Alenquer: um povo de muitos povos”. Esse, aliás, seria o tema que a agremiação iria apresentar no festival de 2024, mas como o grupo não se apresentou, então ficou para ser trabalhado na edição 2025 do Festival Folclórico de Alenquer (PA).
Em 2024, havia acontecido o primeiro lançamento do tema, no dia 27 de julho, quando foi realizada a primeira noite cultural do Zé Matuto, na quadra da escola O Pequeno Príncipe, no bairro Luanda, com a apresentação dos itens oficiais, caracterizados com suas indumentárias. Mantendo o mesmo tema para a edição 2025, o seu lançamento aconteceu no mesmo lugar, mas no dia 21 de junho.
Costumes, culinária, festas
De acordo com o historiador Igor Picanço, coordenador da quadrilha do Zé Matuto, a ideia do tema surgiu a partir de uma percepção simples, mas profunda: várias culturas fazem parte do dia a dia do ximango, moldando-o, seja na fala, nos costumes, na culinária, nas festas, coisas que muitas vezes não são refletidos. Com esse olhar, entende-se que a identidade do povo alenquerense é um grande mosaico cultural, rico e diverso.
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“A partir disso, nasceu o desejo de trazer esse olhar para o nosso tema, destacar e valorizar essas influências que formam o povo alenquerense, despertando sentimento de pertencimento e orgulho pela própria história. Queremos que cada pessoa se reconheça em nossa apresentação”, destacou o historiador, idealizador do tema.
“Alenquer: um povo de muitos povos” foi inspirado numa obra da pesquisadora Paula Carvalho, que analisa a trajetória dos árabes do século XVI até os eventos após o “11 de Setembro” e a Primavera Árabe. Foi a partir dela que despertou em Picanço “o olhar para os múltiplos encontros e influências que moldam um povo e como a ideia de ‘muitos povos’ pode dialogar com a história de Alenquer”.
Escritores alenquerenses como fonte de inspiração
Outra obra como referência para a idealização do tema do Zé Matuto foi “Nasci nas matas, nunca tive senhor”, de Eurípedes Antônio Funes. Assim como também em livros de escritores de Alenquer: “Os Silêncios da Cubinha”, da historiadora e antropóloga Áurea Nina; “Minhas Reminiscências”, da educadora Carícia Vallinoto; “O Curumu de Alenquer na obra de Francisco Gomes de Amorim”, de Luiz Ismaelino Valente e as obras literárias do romancista e poeta Benedicto Monteiro.
Para o grupo Zé Matuto, o Festival Folclórico de Alenquer não pode ser limitado apenas à disputa entre dois grupos numa quadra. Vai muito além de uma rivalidade e de apresentações com danças e alegorias.
A agremiação entende que a essência do festival ultrapassa uma época, vista como auge de trabalhos de artistas e profissionais que se dedicam um ano inteiro trabalhando.
“A volta da disputa marca um momento simbólico e muito importante para a cultura de Alenquer. Ela reacende a chama da tradição, movimenta a cidade, envolve as comunidades e valoriza o trabalho árduo de tantos artistas e brincantes que fazem o festival acontecer. A disputa é saudável, faz parte da essência do evento e deve ser celebrado”, concluiu Igor Picanço.
Assista ao clip do tema do Zé Matuto
Fonte:
- Entrevista com Igor Picanço, historiador e integrante do Zé Matuto.
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