Festival Folclórico de Alenquer: músicas do grupo Manuer Matuto

Publicado em por em Alenquer, Educação e Cultura, Pará

Festival Folclórico de Alenquer: músicas do grupo Manuer Matuto
Integrantes do grupo Manuer Matuto em 2015. Fotos: reprodução

O criador da Agremiação Cultural Ecológica Manuer Matuto (ACEMM) é também compositor de todas as músicas do grupo folclórico. As letras não somente exaltam a essência do caipira e a beleza de Alenquer (PA), como também se aprofunda em outras histórias.

Com notável conhecimento histórico, Paulo Sérgio Sampaio cria letras com escritas simples, que faz com que o ouvinte aprecie e entenda as mensagens construídas em cada verso, valorizando a linguagem local e sem perder a importância que cada palavra escrita tem para cada alenquerense que a ouve.

É o caso de:

Mitos, contos e lendas

Alenquer, Alenquer,
De amores lindos de lendas, mitos e encantos,
Da lavoura vem o charme
E da luta vem o amor.
Somos livres, temos o direito
De brincar no meio arraiar.
Vai cuidar da tua vida e me deixa caminhar!
Ê, ê, ê, ê,
É Manuer Matuto!
Ê, ê, ê, ê,
É Manuer, Manuer!
Ê, ê, ê, ê,
É Manuer Matuto,
Manuer Matuto, mais querido de Alenquer!

Mitos, contos e lendas estão entre aquelas que mais chamam a atenção do autor, especialmente o refrão, que possui uma melodia característica e inesquecível. Paulo Sérgio destaca o mundo fantástico ximango, ao evidenciar em poucas palavras as “lendas, mitos e encantos” da cidade.

❒ Leia também sobre o festival: Manuer Matuto, o terceiro matuto do Festival Folclórico de Alenquer e ainda: “Zé Matuto bota a lenha na fogueira”, a contagiante música da galera vermelha e branca.

Além disso, valoriza o trabalho do agricultor, o matuto, que tem uma vida exaustiva para o sustento de sua família, especialmente nos versos “da lavoura vem o charme e da luta vem o amor”. O personagem constrói, de forma poética, uma vida de dificuldades e persistências, mas essenciais para uma convivência ideal em família e em comunidade.

Paulo Sérgio e a irmã Silvane

Outra música é:

Alenquer, do plantio à realidade (Hino oficial do Manuer Matuto)

Sou caipira e charmoso,
Também muito vaidoso.
Já trabalho na lavoura,
Manuer Matuto no pedaço!
Muita gente já tesoura,
Eu também sou muito engraçado.
Barrigudo, já namoro,
Na pracinha tô sentado.
Em Alenquer plantei cacau e milho.
Já colhi tanta castanha.
Dessa terra sou filho!
Já fiz colheita, enfeitei meu chapéu!
Tô brincando no meu chão
E tô curtindo no meu céu!
Sou caipira e charmoso,
Também muito vaidoso.
Já trabalho na lavoura,
Manuer Matuto no pedaço!
Muita gente já tesoura,
Eu também sou muito engraçado.
Barrigudo, já namoro,
Na pracinha tô sentado.

“A nossa ideia do hino oficial é falar de tudo o que Alenquer já teve, inclusive, a questão do pão de cada dia, do plantio, porque cacau e castanha-do-pará já exportamos muito. A única coisa que não entrou [na letra] foi o cumaru, porque na hora que foi para gravar no estúdio, o nosso cantor mudou uma pequena frase”, destaca o compositor.

❒ No embalo do Matutando: O rei do folclore: a música símbolo do Matutando em Férias

De acordo com Paulo Sérgio, a letra foi toda pautada para a “Alenquer raiz”. A Alenquer que transportava alimentos e que tinha muita fartura nas comunidades do interior, se comparado aos tempos atuais.

“Como a gente estava surgindo, precisava surgir com algo que falasse do passado em relação ao matuto. Quem é o matuto?”, questiona.

Paulo Sérgio conclui que o matuto pode ser da elite a partir do momento que ele trabalha honestamente, que ele possa abrir um armazém, que ele possa exportar aquilo que ele planta. Ele afirma que o Manuer Matuto pode ser a mistura do tradicional ao estilizado e ao pop, mas sem fugir da tradição.

Paulo Sérgio com a Rainha do Artesanato do Mantur Matuto, Alessandra Cardoso

Fonte:

  • Entrevista fornecida por Paulo Sérgio Sampaio, artista plástico e carnavalesco

— O JC também está no Telegram. E temos ainda canal do WhatsAPP. Siga-nos e leia notícias, veja vídeos e muito mais.


Publicado por:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *