Casas destruídas em Abaetetuba
Soubemos pelos jornais
que o rio Maratauira
em Abaetetuba,
assoreou o barranco
enfraqueceu a terra
e casas naufragaram
como barcos afundando.
Na extremidade da rua em que nasci.
Não foi culpa do rio,
que o rio não tem consciência de seus atos.
Não foi culpa da terra,
que a terra já não decide seu destino.
Não foi a Cobra Grande, que sendo ela
seria por desencantar mundo melhor.
Não foi, portanto, a Boiuna.
A culpa será de quem?
As casas ali foram construídas
pela necessidade urgente de morar.
As pessoas, as famílias,
desde o tempo das cavernas,
precisam de teto e chão para viver.
Na tela movediça da TV
afundam salas, sonhos, oratórios.
Cada olhar, cada voz, cada palavra
enterra seu punhal na consciência,
no coração escondido em nosso peito.
Quem poderá ficar imóvel
ante essa tragédia?
Estendo a mão deste poema
eu peço: “Uma ajuda pelos desvalidos”.
Uma coisa a menos a quem tem tudo,
nunca é de mais.
Uma coisa a mais a quem tem nada,
nunca é de menos.
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De João de Jesus Paes Loureiro, poeta amazônico nascido em Abaetetuba (PA).
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