Febre
O insistente cacarejo
de um galo ensandecido
arranca a manhã dos meus ouvidos
e diz que é hora de abrir a janela
do meu coração amordaçado
Hei de tirar da gaveta do armário
a velha bandeira dos meus sonhos
e desfradá-la novamente
nas avenidas do meu tempo
que ontem foi batalha
e hoje é desilusão
Mas o sangue que corre nas veias
é a mesma de uma multidão
que agora se derrama das telas da TV
em verdades reluzentes de paixão
Não há dolo em meu grito
contido, como meu sonho
nem há culpa em minha fronte
franzida, como minha utopia
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Hei de caminhar pelos becos e vielas
pelos campos e favelas
desfraldando um tempo de poesias
que não se acaba
Pois há milhares de teimosias
na força de minha alma
que se juntam ao meu silêncio
e ensurdecem meu algoz
São gentes sem rostos
de uníssonos desejos
de fazer história
e reviver a memória
de um mundo que insiste
em nos desprezar
São nítidos anseios
que exclamam libelos
de uma certeza malsã:
a febre que dói no peito
será o fogo do amanhã
A febre que me norteia
é a mesma febre que guardei um dia
de um passado com esperança vã
A mesma febre corrobora e contamina
uma turba tão disforme
que agora já não dorme
desfraldando os anseios de um titã!
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De Jota Ninos, poeta amazônicos nascido em Belém e “naturalizado” tapajônico.
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