Texto publicado originalmente no blog Escrevinhador, de Rodrigo Viana.
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O repórter Rubens Valente levou mais de dois anos para escrever “Operação Banqueiro”. O livro (que chega nesta sexta – 10/janeiro ao mercado) narra os bastidores de uma das maiores batalhas do capitalismo selvagem brasileiro, na virada do século XX para o XXI.
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Daniel Dantas está no centro da narrativa. Investigado pela Operação Satiagraha da Polícia Federal, o banqueiro acionou mecanismos políticos, midiáticos e judiciais para travar a investigação. O delegado Protógenes foi afastado do cargo. O juiz Fausto de Sanctis sofreu todo tipo de pressão e acabou também está afastado da Vara Federal de São Paulo que lidava com casos de lavagem de dinheiro e crimes financeiros.
De acusado, Dantas passou a acusador. Processa jornalistas que ousaram mostrar o papel por ele exercido nas nebulosas privatizações dos anos FHC. Quais são os aliados de Dantas no Judiciário? E no mundo político? Ele controla mesmo uma rede própria de “inteligência” para “espionar” os adversários? Quem o protege?
Repórter paciente e discreto, Rubens dedicou-se a garimpar os autos da Operação Satiagraha, e assim compôs o perfil do banqueiro. Curiosamente, a “Folha” – jornal em que Rubens trabalha há mais de uma década – recusou-se a publicar o livro. A “Folha” tem uma editora, e costuma lançar livretos sob o selo ”Folha explica”. Pelo visto, o diário conservador paulistano achou que a atuação de Dantas não merecia maiores “explicações”.
Pelo que se sabe, Rubens Valente foi enrolado durante anos. A editora dos Frias acenou com a possibilidade de publicar o livro, mas na hora H pulou fora.
Por que a “Folha” não quis publicar “Operação Banqueiro”? Medo de processos judiciais (Dantas, com se sabe, dedica-se a processar jornalistas)? Ou medo de envolver nas denúncias personagens graúdos, citados no livro como parceiros de Dantas? Nesta sexta-feira, “Folha” e “O Globo” trazem matérias sobre o livro. Nenhuma delas tem assinatura. A ordem parece ser: vamos falar sobre o livro, mas de forma discreta.
A Geração Editorial montou uma “operação de guerra” para garantir a distribuição de “Operação Banqueiro” – sem sustos, sem riscos de que algum personagem citado na obra tentasse barrar a chegada da mesma às livrarias.
A seguir, um pequeno trecho do livro – que pode fornecer pistas sobre os motivos para a recusa da “Folha”…
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“Não se sabe exatamente a reação de Serra, ou de quem recebeu a “vacina”, mas ela parece ter sido bastante negativa. Porque logo depois (Roberto) Amaral* enviou a Dantas, “para ler e rasgar”, a cópia de um e mail que ele disse ter enviado a Serra para protestar contra a suposta reação do tucano. Nessa mensagem, Amaral fez uma declaração enigmática:
Dantas teria um crédito, um grande crédito, embora poucas pessoas soubessem disso.
Reprodução do e-mail interceptado pela PF, que consta no Processo da Operação Sathiagraha:
“Recebi seu recado lido por amigo comum. Aviso-lhe: não mais mande me (sic) recados neste tom: acho que você estava fora de si quando mandou esta infeliz mensagem. Não sou lambe cu acanalhado ou acarneirado. Você sabe disso. Já fiquei seis anos sem falar com você e, se necessário, fico mais vinte. Não sou Roseana ou Sarney**. Você precisa de mim*** e eu não preciso de você. Você vá ser acavalado, acerbo, com quem tem obrigação de aguenta-lo. Quanto à sua bizantina observação sobre D [Dantas], devo dizer lhe:
você não sabe de nada — nada mesmo. Ponha isto na sua cabeça.
Ele é credor, grande credor****. Eu e duas pessoas sabemos disso. Não seja encegueirado e não se deixe embair pelo pequeno Sérgio Andrade […] Cópia deste vai para a Pessoa.”
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Observações do Escrevinhador
* Roberto Amaral seria um “consultor” – com trânsito no mundo que reúne tucanos e obscuros interesses financeiros.
** A referência a Sarney e Roseana teria a ver com a Operação Lúnus? Nela, em 2002, a PF apreendeu grande quantidade de dinheiro vivo com o marido de Roseana Sarney – que à época aparecia à frente de Serra nas pesquisas eleitorais. A operação tirou Roseana da corrida presidencial. A família Sarney atribuiu a Serra a “armação”.
*** Por que Serra “precisa” de Roberto Amaral – homem que aparentemente fazia a ponte entre políticos e Dantas??
**** Dantas seria credor de quem?
a verdade é como um elefante, ninguém esconde, aos poucos os brasileiros vão saber quem que comprou, e quem que pagou pra gente ficar assim…
Como a Folha poderia publicar um livro, mais um dos, que trás mais dados sobre todo o escandaloso, corrupto e criminoso processo de privatização que ocorreu nos anos de 1990, no reinado de FHC? Como poderia escancarar os subterrâneos podres de um processo que foi promovido com o apoio incondicional da própria “Grande Imprensa”, aí incluída a Folha? Como poderia publicar o detalhamento das relações altamente promíscuas entre o poder público e o empresarial que estiveram na base do modelo de privatização que entregou de bandeja grande parte do patrimônio público nacional a mafiosos nacionais e estrangeira, se estas relações promíscuas se deram sob a total cumplicidade dos grandes meios de comunicação do país? Como a Folha, entusiasta do neoliberalismo canalha e bandido que foi implantado no Brasil nos anos noventa, poderia expor a bandidagem dos bandidos que ela protege e de partidos bandidos que a “Grande Imprensa” passa para a população como heróis nacionais ou partidos heroicos? Como a Folha, veículo que sempre se beneficiou de obesas verbas públicas publicitárias para fazer panfletagem política para PSDB e DEMO, poderia, agora, publicar algo contra aqueles que a patrocinam referente a esquemas também beneficiaram os grandes meios de comunicação pátrios? Neste ambiente de máfia pesada, envolvendo figurões da grande imprensa, do judiciário, do legislativo e do executivo -todos devidamente apresentados como catões e bons mocinhos pelos velhos meios de comunicação (Folha, Globo, Veja, Estadão)- prevalecem os princípios da máfia, onde o delator é eliminado, onde a solidariedade no crime é regra de sobrevivência.
Quisera ter o prazer de sempre ler um texto de algum blogueiro sujo aqui neste blog, para desintoxicar o nosso fígado e limpar o estômago e assim evitar em certos momentos um confronto entre os intestinos como reclamou com razão o Walber Almeida.
Poucas vezes este blog publica como faz os demais “sujos” um texto dos jornalistas/blogueiros independentes, como está fazendo agora e olha que assunto relevante não falta. Como em outras ocasiões foi preciso se publicar um livro cujo o conteúdo todos leitores dos sujos já sabíamos.
O livro Operação Banqueiro expõe aos leitores grande quantidade de sujeira de que foi o governo de Fernando Henrique Cardoso e ratifica quem é Gilmar Mendes, ex-presidente do STF.
Eu já comprei o meu!
Chico Corrêa
PS. Longe de querer ou estar classificando este blog como sujo, quem determina isso são os tucanos.