Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –
— ARTIGOS RELACIONADOS
De Sophia de Mello Breyner Andresen, poeta portuguesa.
Leia também:
Amostra sem valor, de Antonio Gedeão.
Há uma Gota de Sangue no Cartão Postal, de Cacaso.
Canção para uma valsa lenta, de Mário Quintana.
Virgens Mortas, de Olavo Bilac.
Soneto do carnaval, de Vinícius de Moraes.
O Verbo, de Fernando Py.
Reflexão Nº 1, de Murilo Mendes.
Emergência, de Fábio Rocha.
Deixe um comentário