Soneto do Carnaval

Distante o meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento.

Seu mais doce desejo se amargura
Todo o instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrado uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento.

E vivemos partindo, ela de mim
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos
Para a grande partida que há no fim

De toda a vida e todo o amor humanos:
Mas tranqüila ela sabe, e eu sei tranqüilo
Que se um fica o outro parte a redimi-lo.

– – – – – – – – – – – – – – – –

De Vinícius de Moraes, poeta brasileiro nascido no RJ.

Leia também:
O Verbo, de Fernando Py.
Reflexão Nº 1, de Murilo Mendes.
Emergência, de Fábio Rocha.
Amanhecimento, Elisa Lucinda.
A puta, de Carlos Drummond de Andrade.
Parada cardíaca, de Paulo Leminsk.
Receita de Ano Novo, de Carlos Drummond de Andrade.
Esperança, de Mário Quintana.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *