Poesia. Ódio entranhável

Publicado em por em Arte

Soneto

Arda de raiva contra mim a intriga,
Morra de dor a inveja insaciável;
Destile seu veneno detestável
A vil calúnia, pérfida inimiga.

Una-se todo, em traiçoeira liga,
Contra mim só, o mundo miserável.
Alimente por mim ódio entranhável
O coração da terra que me abriga.

Sei rir-me da vaidade dos humanos;
Sei desprezar um nome não preciso;
Sei insultar uns cálculos insanos.

Durmo feliz sobre o suave riso
De uns lábios de mulher gentis, ufanos;
E o mais que os homens são, desprezo e piso

– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –

De Junqueira Freire, poeta brasileiro nascido Salvador (BA).

Leia também:
Lágrima de Preta, de António Gedeão.
Aos olhos dele, de Florbela Espanca.
A ausente, de Vinícius de Moraes.
Recados, de Fabrício Carpinejar.
O número quatro, de João Cabral de Melo Neto.
Não está no gibi, de Silviano Santiago.
Ah, Os relógios!, de Mário Quintana.
Percepções, de Álvaro Pacheco.
Alta tensãoBruna Lombardi.


Publicado por:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *