Canção de um vilão à recatada Santarém
Sou a visagem dos rios
Das tuas praças
Dos teus disfarces
Dos teus quarteirões
Sou essas marchas de pés
Encravados em teu corpo
Em teus fétidos esgotos
Em tuas praias, em teus lamaçais
Sou a canção das serestas
Que te cantam nas luas
A poesia que te exalta
A que se perde na ruas
Sou o delito que te desgosta
Os teus encantos e desencantos
O teu enteado prostituto
O santo, o anjo, o recatado
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Sou o que possuis de inteiro,
O que tens de pedaços
Irremediavelmente agregado
Sou um pouco dessa tua história
Um texto bom outro ruim
Em sendo essa porra toda
Sempre vais lembrar de mim.
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De Edwaldo Pangaré Campos, poeta amazônico nascido no Pará (Alenquer).
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