Breve tempo

Se me queres amar ama-me nesta hora
enquanto fruto dando-te a semente.
Se te apraz me louvar louva-me agora
quando do teu louvor vivo carente.

Aprende a te doar antes que a aurora
mude nas cores cinza do poente.
Se precisas chorar debruça e chora
hoje que o meu regaço é doce e quente.

A vida é breve dança sobre arame.
Sorve teu cálice antes que derrame
ninho vazio que o vento derrubou.

Porque quando eu cair num dia incerto
parado o coração o olhar deserto
nem mesmo eu saberei que já não sou.

– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –

De Alonso Rocha, poeta paraense nascido em Belém.

Leia também:
Ausência, de Felisbelo Jaguar Sussuarana.
Fios do tempo, de Jota Ninos.
Eu caçado, de Floriano Cunha.
Láudano, de Jota Ninos.
Tempos, de Floriano Cunha.
Redoma, de Jota Ninos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *